<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304</id><updated>2012-02-04T11:03:21.810Z</updated><title type='text'>Alma Lusíada</title><subtitle type='html'>"Portugueses somos..."</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>231</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-842663851015929195</id><published>2012-02-03T09:08:00.006Z</published><updated>2012-02-03T12:05:27.769Z</updated><title type='text'>Suspensão do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 : Acto de Coerência e de Coragem</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Saúdo vivamente a atitude de Vasco Graça Moura ao mandar suspender a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 no seio da Instituição de que é responsável, o Centro Cultural de Belém.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Este Acordo, como repetidamente se tem afirmado, acarreta para nós, portugueses e africanos, graves inconvenientes na futura pronunciação das palavras em que figuram as chamadas consoantes mudas c e p que influem na modulação das vogais que as antecedem, como por exemplo em vocábulos como : &lt;em&gt;projecto, dialecto, concepção, espectador, receptor, recepção, corrector&lt;/em&gt;, etc. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;A presença das consoantes c e p, nestes e noutros vocábulos, impede ou contribui para travar a tendência geral para o emudecimento das vogais átonas, na pronúncia portuguesa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Note-se ainda que nem sempre estas consoantes c e p serão mudas, nas citadas palavras, havendo em Portugal quem as pronuncie, aqui ou ali, facultativamente ou por tradição regional.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Este problema não se levanta em relação à pronúncia brasileira, que, por regra, abre todas as sílabas, tónicas e átonas, na sua forma peculiar de falar; daí que a abolição da presença destas consoantes mudas ou pré-tónicas não lhes cause dano ou incómodo, ao contrário do que sucede connosco. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Por tal motivo, mesmo na Reforma Ortográfica de 1911, a do competentíssimo foneticista Aniceto Gonçalves Viana, seu principal artífice, elas foram conservadas e sempre depois continuaram presentes, opção confirmada no Acordo de 1945, que o Brasil assinou connosco, mas depois não cumpriu, tendo permanecido desde então em falta para com o mesmo, na posição de incumpridor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Acresce que, juridicamente, todo o processo legal para a entrada em vigor do Acordo de 1990 enferma de irregularidades, nele tendo sido praticados diversos aleijões lógico-jurídicos, de mistura com expedientes de recurso, para que, de Tratado Internacional, exigindo a homologação do documento pelas competentes instâncias legais dos 8 países lusófonos, seus subscritores, se transformasse, por meio de um peregrino «Protocolo Modificativo», em documento com força de Lei, permitindo pô-lo em vigor, a partir da sua promulgação por apenas 3 destes países. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Como pôde isto ter acontecido, sem a reacção generalizada e consequente rejeição por parte das instâncias jurídicas nacionais e dos distintos Juristas portugueses, noutras questões bem menos importantes, sempre tão ciosos da sua opinião ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Relembre-se que, entre a inicial ratificação do Acordo de 1945, no Brasil, ocorrida em 5 de Dezembro desse ano, até à sua revogação, em 21 de Outubro de 1955, pelo Presidente João Café Filho, decorreram, nada mais, nada menos, que 10 anos de permanente e conturbada polémica, no chamado país-irmão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;O precedente, portanto, existe, para que esta corajosa atitude de VGMoura não deva ser vista como insólita, rebelde ou, muito menos, despropositada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esperemos agora que mais instituições, outras instâncias culturais e demais responsáveis por departamentos ou repartições com atribuições de índole educativa ou cultural venham a secundar este oportuno e desassombrado acto de Vasco Graça Moura, que honra aqui a estima e a consideração que, no domínio da criação literária, todos lhe votamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;AV_Lisboa, 03 de Fevereiro de 2012&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-842663851015929195?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/842663851015929195/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=842663851015929195' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/842663851015929195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/842663851015929195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2012/02/acordo-ortografico-da-lp-de-1990-acto.html' title='Suspensão do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 : Acto de Coerência e de Coragem'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-1590959025394576760</id><published>2012-01-03T22:21:00.011Z</published><updated>2012-01-09T12:11:59.883Z</updated><title type='text'>Alguns Apontamentos sobre o Calendário Gregoriano.</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sendo o assunto dos calendários curioso, mas algo complexo, nas suas múltiplas questões, desde as astronómicas, às religiosas e tendo verificado que existem tantas confusões, nomeadamente a respeito das diferenças entre o calendário juliano e o gregoriano, aquele por que quase todo o mundo hoje se rege, decidi alinhar aqui alguns apontamentos sobre tão intrigante matéria.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em notas muito sumárias, darei conta daquilo que retive das leituras que fiz, com maior afinco, há cerca de doze a quinze anos, por altura do fim do século XX e da discussão que então se gerou sobre o início da era de Cristo e o ano de entrada no terceiro milénio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Li, por esse tempo, alguns livros sobre o tema e assuntos correlatos, mas, entretanto, com o tempo decorrido, havia esquecido alguns pormenores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Anoto a seguir o que de novo averiguei :&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.15pt" class="MsoListCxSpFirst"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;1.&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;O calendário gregoriano ganhou este nome do Papa Gregório XIII que, em 1582, encarregou alguns dos seus colaboradores e astrónomos de estudarem o assunto do calendário, para depois proporem a reforma do calendário até então em vigor no mundo cristão ocidental, o chamado calendário juliano, do tempo de Júlio César; tinha-se tornado evidente a falta de correspondência entre o início das estações do ano e as datas que o assinalavam&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; ;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.15pt" class="MsoListCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2.&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;O calendário juliano baseava-se na duração de 1 translação da Terra em torno do Sol, avaliada em 365 dias e 1/4. Por ele, o ano comum tinha 365 dias e os anos bissextos, de 4 em 4 anos, 366;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.15pt" class="MsoListCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;3.&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;Acontece que a duração real da translação da Terra difere um pouco do valor considerado no calendário juliano, sendo aquela conhecida como a duração do Ano Trópico, que vale 365,2422 dias;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.15pt" class="MsoListCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;4.&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;No final do século XVI, as diferenças acumuladas assumiam importância significativa, fazendo com que as estações não coincidissem com as datas, antecipando-se aquelas em relação a estas; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.15pt" class="MsoListCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;5.&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;A diferença entre o ano juliano e o trópico (valor considerado como real ou muito mais aproximado da duração real) era de 365,2500 - 365,2422 = 0,0078 dias ou 11,232 minutos ou 11 min e 13,92 s;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.15pt" class="MsoListCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;6.&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;Na reforma gregoriana, introduziram-se algumas alterações ao calendário juliano; o ano comum continuaria com 365 dias, manter-se-ia a periodicidade de 4 anos para os anos bissextos (anos divisíveis por 4), com os seus 366 dias; no entanto, os anos que terminavam centúrias não divisíveis por 400 (por ex., 1700, 1800, 1900) não seriam bissextos, como no juliano, mas 1600 e 2000 já o seriam; havendo neste período de 400 anos 97 intercalações de anos bissextos, calcula-se este lapso de tempo como : (365 x 400) +97 = 146 097 dias, valor que, divido pelo período de anos considerado – 400 – dá o valor da duração do ano gregoriano: 146 097/400 = 365,2425 dias, valor que fica entre o do ano trópico e o do juliano – 365,2422 &amp;lt; 365,2425 &amp;lt; 365,2500 – ou seja o valor adoptado para a duração do ano gregoriano difere do do ano trópico de : 365,2425 – 365,2422 = 0,0003 dias ou 25,92 s, o que representará, mesmo assim, com esta maior aproximação, 1 dia ao cabo de 3 333,33 anos, tendo sido, por isso, proposto que os anos de 4 000 e seus múltiplos deixassem de ser anos bissextos, como mandaria a regra estabelecida no calendário gregoriano, para passarem a ser anos comuns, com 365 dias;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt 14.15pt" class="MsoListCxSpLast"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;7.&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt; &lt;/span&gt;Mesmo assim, o rigor não é total, como se vê, procedendo-se a correcções. Acresce que as durações dos movimentos da Terra, rotação, em torno do seu eixo e translação, em volta do Sol, tão-pouco são constantes, sofrendo ligeiríssimas alterações, que, acumuladas, ao longo de milénios, produzem efeitos, continuando a haver motivo para rectificações;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estas anotações contêm assim as principais características da reforma do calendário juliano, o qual com elas se passou a designar de gregoriano, embora daquele não difira significativamente. A designação de juliano-gregoriano talvez se lhe ajustasse melhor. Passou, no entanto, à história com o nome de calendário gregoriano.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em Portugal, como noutros países católicos, este calendário reformado entrou em vigor, logo a seguir à data da sua publicação, em Roma, a 4 de Outubro de 1582.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nos países em que dominavam as variantes religiosas cristãs, protestantes ou ortodoxas, houve resistências várias, não só pelo facto de a Reforma ter partido de Roma, como pelo facto de se abolirem 10 dias do calendário de então, saltando-se de 4 para 15 de Outubro, em 1582, para se anular a diferença acumulada, como atrás explicado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Neste caso, a oposição provinha, sobretudo, dos banqueiros, que teriam de pagar juros de dias efectivamente não vencidos, porque suprimidos do calendário. Também este factor contribuiu para a entrada tardia em vigor do calendário em Inglaterra e nas suas colónias, que só em 1752 o adoptaram.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As Igrejas Cristãs Ortodoxas do leste europeu, todavia, ainda hoje se regem pelo calendário juliano. E desta relutância em aceitar determinações ou recomendações de Roma católica, resultou também que a Revolução Socialista de Outubro, na Rússia, onde vigorava o credo ortodoxo, tivesse sido registada a 25 de Outubro de 1917,embora no Ocidente, o mesmo facto histórico ficasse assinalado a 7 de Novembro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entretanto, para facilitar as relações internacionais, os Estados acabaram todos eles por adoptar o calendário gregoriano, tendo a Grécia e a Turquia sido dos últimos a fazê-lo, nos anos 20 do século passado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Bem mais complexas são as questões relacionadas com outros calendários, nomeadamente o judeu e, em menor escala, o muçulmano, pela forte influência da tradição religiosa na sua manipulação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na História, o esforço de racionalização prossegue e mais correcções surgirão no futuro, salvo se a Humanidade, por desorientação ou desespero, desistir de confiar na Ciência e preferir um dia voltar aos cultos primitivos, aos mitos fantásticos da criação e destino do Mundo, como, por vezes, parece suceder no tempo sumamente contraditório em que vivemos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-WEIGHT: normal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 03 de Janeiro de 2012&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-1590959025394576760?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/1590959025394576760/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=1590959025394576760' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/1590959025394576760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/1590959025394576760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2012/01/alguns-apontamentos-sobre-o-calendario.html' title='Alguns Apontamentos sobre o Calendário Gregoriano.'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-1677681468096192297</id><published>2011-12-18T22:51:00.008Z</published><updated>2011-12-19T16:07:08.742Z</updated><title type='text'>O Triste Crepúsculo de um Ídolo</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O Público de ontem, provavelmente por falta de assunto ou imaginação, trazia uma extensa entrevista com o ex-jogador Luís Figo, notável futebolista português de fama internacional, na qual ele se lamentava de ter apoiado politicamente o «socialista» José Sócrates, quando este, à frente do seu Partido, se preparava para concorrer a novas eleições legislativas&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ao aceitar participar numa farsa de suposto apoio político a outro notório e bem nocivo farsante, Luís Figo deve ter assinado aí uma espécie de certidão de óbito do seu, até aí, apreciável estatuto de ídolo nacional. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Com tal atitude, Figo certamente iniciou o processo irreversível do seu ocaso como ídolo do Povo Português.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Na altura, Figo apenas terá valorizado a angariação de dinheiro, qualquer coisa como umas centenas de milhares de euros, artificiosamente saídas de sacos azuis de Empresas em que o Governo de Sócrates oportunamente colocara homens de mão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Tal quantia nem seria nenhuma fortuna, junto dos grossos milhões que este jogador acumulara, com mérito, ressalve-se, quando, pelos mais variados relvados do mundo, maravilhava multidões em delírio com a sua perícia futebolística. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O excesso de dinheiro, todavia, tê-lo-á profundamente perturbado, na mente como no carácter, tornando-o progressivamente ganancioso. De tal forma que nem sequer hesitou em encenar a farsa «pró-socialista», ante as câmaras de TV, logo ali postadas para captar o enlevado momento de encontro das vedetas mutuamente favorecidas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Daí sairiam ambas, presumia-se, vantajosamente remuneradas; uma, no caso de Figo, por antecipação; outra, no de Sócrates, logo no dia do acto eleitoral, como viria a acontecer, em Setembro de 2009, quando Sócrates ganhou novo acto eleitoral, depois de ter, nesse afinal pródigo ano, aumentado os Funcionários Públicos em 3,5 %, longe, portanto, da crise e dos apertos, por ele repetidamente negados, então já contra toda a evidência manifestada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Figo, ao emprestar a sua figura mediática a esse sórdido fim, acabou por colher o que semeou e hoje, na verdade, pouca gente ou, pelo menos, muito menos do que a de antes, lhe votará sentimentos de estima ou consideração, como é de regra a um ídolo popular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Que diferença, dir-se-á, em comparação com o tratamento que esse mesmo povo continua a dedicar a outro ídolo, bastante mais velho, menos gloriado, menos cumulado de dinheiro, mas muito mais genuíno, humilde e, justamente por isso, nunca esquecido desse povo miúdo e pobre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Nesse outro ídolo do Futebol nacional, buscou o tal povo miúdo, em tempos ainda mais austeros que os actuais, a compensação de uma vida grandemente sofrida e apagada, porém, nunca vil, pela força do seu carácter, o qual, quando encontra direcção competente, corresponde aos sacrifícios que lhe são pedidos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Sempre assim tem sucedido ao longo da sua História, que contou, como bem sabemos, numerosos períodos de adversidade, com alguns momentos de fugaz glória, mas pelos quais esse povo humilde, mas resistente, nela lavrou o seu traço distintivo. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O ídolo de que falo é evidentemente Eusébio da Silva Ferreira, fora do campo, em quase tudo o oposto do carácter de Figo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Consta que Figo quer retirar de Portugal todo o seu dinheiro. Talvez seja melhor que o faça, porque, na verdade, já nada mais do que um saco de dinheiro ele representa para o País, o que valerá sempre muito menos do que a figura de ídolo que nele um dia pareceu encarnar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Depois de ter recusado servir a Selecção, continuando a jogar Futebol num clube estrangeiro, Figo volta a revelar-se indigno de representar Portugal. Para completar a coerência, Figo deveria igualmente mudar de nacionalidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;AV_Lisboa, 18 de Dezembro de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-1677681468096192297?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/1677681468096192297/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=1677681468096192297' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/1677681468096192297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/1677681468096192297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/12/o-crepusculo-de-um-idolo.html' title='O Triste Crepúsculo de um Ídolo'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-4759164519277708714</id><published>2011-11-20T19:47:00.005Z</published><updated>2011-12-02T12:28:05.144Z</updated><title type='text'>Geoge Orwell Escritor Político Consumado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Este consumado escritor político, George Orwell, pseudónimo escolhido por Eric Blair, talvez por razão de eufonia ou por imaginada facilidade de fixação na memória popular, desagradando-lhe sobremaneira o nome que lhe fora dado, como ele próprio confessava, pertencia, de facto, a um verdadeiro escol de pensadores do fenómeno político, conservando ainda hoje enorme prestígio e público leitor, apesar da ideologia a que aderira.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Na verdade, Orwell nunca deixou de raciocinar de forma autónoma e, quando se confrontou com a prática dos comunistas e outros revolucionários, na sua experiência de brigadista, em Espanha, na Catalunha, durante a Guerra Civil de 1936-39, aí acabou, para si, o equívoco com a utopia comunista, sem contudo perder a esperança num socialismo capaz de conviver e respeitar a democracia política, embora tivesse sempre permanecido um combativo crítico do Sistema Capitalista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Nos dois livros político-alegóricos que escreveu (1984 e Animal Farm), depois da sua amarga experiência de combatente revolucionário, neles vazou toda a sua crítica à ideologia comunista, dita de vanguarda, então grandemente dominante, em Espanha e em França, principalmente, mas também com forte presença em muitas Universidades inglesas e americanas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Estranhamente, a maioria dos intelectuais do seu tempo, com a sua actividade mais centrada em Paris, salvo raríssimas excepcões, com particular destaque para a figura de Raymond Aron, émulo permanente de Jean-Paul Sartre, desde os bancos do Liceu, creio, por conseguinte, antes dos anfiteatros da Sorbonne, alinharam com aquela espantosa perversão ideológica patrocinada, primeiro por Moscovo e depois por China, Cuba, Albânia e outras pátrias menores mas terrivelmente triunfantes do obscurantismo pseudo-revolucionário, durante as décadas de 60 e 70 do século passado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Orwell, que nunca se remeteu exclusivamente ao papel de revolucionário de gabinete, procurando conhecer e sofrer a realidade, merece-nos, por isso mesmo, o nosso maior respeito, pela coragem intelectual demonstrada, quando, em grande isolamento, na sua família ideológica, ousou denunciar a mentira perversa que se escondia por trás da falsa utopia comunista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Da sua coragem física, já tinha dado provas reais, com a sua passagem pelas Brigadas Internacionais, na Guerra Civil espanhola.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Como pensador original e excelente prosador da língua inglesa, legou-nos as obras que escreveu para o podermos comprovar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Com rara percepção da perversão totalitária soviética, escreveu muitas frases lapidares, em que o seu pensamento político ficou bem ilustrado, como as que aqui relembro a propósito :&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;- One does not establish a dictatorship in order to safeguard a revolution; one makes the revolution in order to establish the dictatorship. The object of persecution is persecution. The object of torture is torture. The object of power is power. ( 1984 )&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;- Doublethink means the power of holding two contradictory beliefs in one’s mind simultaneously, and accepting both of them. ( 1984 )&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;- Man… is an animal that can act morally when he acts as an individual, but becomes unmoral when he acts collectively. ( Collected Essays, Journalism and Letters, vol. 4 )&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;- Man is the only creature that consumes without producing. ( Animal Farm ) &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;- Napoleon had commanded that once a week there should be held something called a Spontaneous Demonstration. ( Animal Farm )&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;- It is only when you meet someone of a different culture from yourself that you begin to realize what your own beliefs are. ( The Road to Wigan Pier ) &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Este seu gosto pela frase bem esculpida, exímio cultor da língua inglesa, aliado à agudeza de pensamento que sempre evidenciou, faz com que seja um dos raros autores, politicamente oriundos da utopia revolucionária marxista, que, ainda hoje, continue a ser profusamente lido, estudado e debatido pelo mundo fora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Enfrentar, denunciando, o pensamento totalitário pseudo-revolucionário, num tempo (1941-1945) em que até Estaline era considerado um aliado do Ocidente, não seria, por certo, posição cómoda de tomar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Estava, por esse tempo, ainda bem sólida no Poder a burocracia soviética, que durante mais 40 anos haveria de continuar exercer o seu mando sobre metade da Europa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Só a partir do meio da década de 80 do século passado, com a chegada ao Poder do «jovem» reformista Gorbachev ela começaria a abrir, no aparentemente sólido paredão da ideologia soviética, as primeiras mas inexoráveis fendas que conduziriam, a breve trecho, não sem surpresa, ao seu desmoronamento final.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Orwell foi dos escritores que primeiro, no Ocidente, ousaram desafiar e denunciar a perversão política operada no Leste e, por arrastamento, a concomitante ditadura mental imposta, fora do mundo soviético, por intelectuais de prestígio firmado nas suas áreas de estudo, mas, por regra, politicamente enfeudados a Moscovo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Ser protagonista de semelhante feito, numa época em que o Comunismo Soviético repartia com os aliados a glória da sua esmagadora vitória sobre a Alemanha Nazi, tendo sido até o Exército Vermelho o primeiro a entrar em Berlim, não deve ter sido feito menor. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Daí que lhe continuemos a votar um interesse especial. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;De resto, muito bem andariam os actuais revolucionários ou indignados de todos os matizes, independentemente da razão que lhes assiste, em alguns domínios, em conviver com as obras de George Orwell, em lugar de procurarem exumar do «caixote do lixo da História», como gostavam de proclamar os seus antecessores políticos, a propósito de outras matérias que lhes eram desafectas, quando altivamente dissertavam, nos escritos ou manifestos que por toda a parte publicavam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Afinal, dessa imensa produção doutrinária, com tantas obras editadas, então delirantemente exaltadas, nada ou muito pouco resta de válido, senão algumas peças como valor documental ou testemunhal de uma época conturbada da História da Humanidade, decerto não menos do que aquela que, no presente, dolorosamente atravessamos, com uma crucial diferença : é que se vivia então, ao contrário de agora, um tempo ainda prenhe de Esperança.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;E para que esse derradeiro bem, a Esperança, possa renascer, muito mais gente vai ter de se empenhar num objectivo absolutamente vital que é o da regeneração urgente das nossas sociedades ocidentais ou toda a nossa vida se complicará perigosamente, para lá de qualquer sombria previsão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 20 de Novembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-4759164519277708714?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/4759164519277708714/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=4759164519277708714' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4759164519277708714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4759164519277708714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/11/geoge-orwell-escritor-politico.html' title='Geoge Orwell Escritor Político Consumado'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-3662464257842842123</id><published>2011-11-13T16:50:00.002Z</published><updated>2011-11-13T17:38:59.582Z</updated><title type='text'>As Canções Italianas como Seguro Antídoto da Depressão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Por circunstâncias particulares, tenho vindo a recuperar a memória de muitas canções italianas, especialmente as das décadas 50 e 60 do século passado, época dourada não só da música, como do cinema italiano, que conquistava adeptos pelo mundo inteiro. De tudo isto, hoje, mesmo na Europa, só resta uma pálida imagem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Surgem, no entanto, aqui e ali, alguns sinais de revivescência desta memória, como disso é prova um Programa que o veterano Júlio Isidro mantém na RDP, aos Sábados de manhã, entre as 8 e as 9 horas, designado – e bem – « A Ilha dos Tesouros», pois de ilha, no vasto mar circundante de lixo musical que o domina, e de tesouros se trata ali, em tão agradável quanto oportuno Programa de Rádio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;A eterna discussão da subjectividade ou objectividade dos gostos não nos deve obnubilar a inteligência, recusando hierarquizar temas ou matérias de cunho artístico ou cultural.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Nem tudo o que a Humanidade vai criando ao longo da sua História tem idêntico valor e, pretender negar a excelência, só redunda em triunfo do reles, do banal, do grosseiro, mal de que a nossa época padece em extremo, de tanto querer relativizar, de tanto pretender proteger os mais fracos ou desfavorecidos, confundido realidades sociais, efémeras ou contingentes, com a realidade artística, em que os critérios devem ser distintos, reconhecendo e destacando o melhor, o superior, da mera vulgaridade dominante.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Na Música, clássica ou ligeira, o fenómeno assume contornos análogos e só influências espúrias conseguiram impor o quase completo banimento das músicas italiana e francesa das Estações de Rádio, públicas ou privadas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Inundando as programações das Rádios com vulgaridades, com lixo musical, acaba por se criar um público sem memória e sem critério, que consome apaticamente aquilo que lhe apontam como moda ou como sucesso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Quando comecei a despertar para o mundo da canção popular ligeira, aí pelo meio da década de 60 do século passado, a música italiana já estava em franco desaparecimento, como, de resto, o mesmo acontecia com a francesa, de excelentes intérpretes, com canções suportadas em textos de forte conteúdo social, político ou filosófico, que ainda hoje nos surpreendem, pela profundidade, pelo sentido, pela contundência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;As canções italianas, pelo contrário, seduziam-nos mais pela sua riqueza melódica, cheias de ritmo, muito alegres, com letras simples, algumas de profundo lirismo, que facilmente retínhamos, mesmo com parco conhecimento da língua.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Entretanto, a onda anglo-saxónica fazia a sua entrada fulgurante, na Europa com os Beatles, e nos EUA, com inúmeros grupos de Rock e de música Folk, Country, Blues, etc., então de assinalável qualidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Infelizmente, este domínio da música anglo-saxónica, com o Rock-and-Rol, à cabeça, foi-se acentuando, ao ponto de viciar o público ouvinte, num só tipo de música, que assim ia perdendo sensibilidade para sequer apreciar música de outra natureza ou origem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Concomitantemente, o Rock-and-Rol, associado ao consumo das drogas entre multidões de fãs permanentemente em delírio, foi-se degradando à medida que subia a potência dos equipamentos electrónicos, viciando e enlouquecendo as insaciáveis multidões de adeptos, de critérios já fortemente embotados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Assim o império do lixo musical, maioritariamente anglo-saxónico, veio a expulsar toda a restante música, amputando a memória de gerações de ouvintes de Rádio, que, agora, só em cantos especiais, quais refúgios ou exílios de qualidade, podem ter a oportunidade de avaliar e comparar as preferências actuais com as de outras épocas, afinal, não muito distantes da presente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Esta pequena reflexão ocorreu-me, hoje, ao dar, de manhã, no facebook, com uma extraordinária canção da italiana Mina, uma verdadeira maravilha para todos os sentidos, pela tocante simplicidade da sua interpretação dessa fogosa canção intitulada «Tintarella di Luna», que tanto fez dançar e vibrar passadas gerações de adolescentes e jovens adultos, sobretudo, mas que, pela sua intrínseca qualidade, continua ainda a entusiasmar-nos, muitos anos depois.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Talvez resida aqui a base do critério para avaliar este tipo de matérias: aquilo que resiste ao tempo, que continua a emocionar-nos, a despertar em nós sentimentos estéticos ou reflexões de ordem intelectual, semelhantes ou diversos dos que um dia nos dominaram, isso tem valor inequívoco, que ultrapassa claramente o gosto ou o condicionalismo da época em que foi criado. Assim o vejo, pelo menos, na falta de outro critério mais seguro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;E aqui deixo este cândido conselho : se querem um remédio fácil, ao alcance da mão, para combater qualquer veleidade de infiltração de pensamento deprimente, nada como ouvir estas canções italianas dos anos 50 e 60 do contraditório, mas, cultural e artisticamente, riquíssimo século XX.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 13 de Novembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-3662464257842842123?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/3662464257842842123/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=3662464257842842123' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3662464257842842123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3662464257842842123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/11/as-cancoes-italianas-como-seguro.html' title='As Canções Italianas como Seguro Antídoto da Depressão'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-632844366285026842</id><published>2011-11-06T20:34:00.008Z</published><updated>2011-11-07T12:52:30.934Z</updated><title type='text'>Desacertos Públicos de Vasco Pulido Valente</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pedindo emprestado ao nosso confrade do Portugal dos Pequeninos o excerto do artigo de Vasco Pulido Valente, sobre a discussão da possível redução do número de feriados nacionais, inserido no Público, creio que de 04.Nov.2011, transcrevo-o a seguir, para nele assinalar passagens assaz censuráveis, sobretudo se atendermos à qualificação académica de VPV e ao seu prestígio intelectual, com larga influência na opinião pública.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Neste seu escrito, a meu ver, naturalmente, VPV labora em erros vários, que cumpre assinalar e combater :&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;1- O 1.º de Dezembro foi inventado, sim, mas para restaurar a independência de Portugal; foi violento logo no seu início e levou a uma persistente guerra de 28 anos com Espanha; para nossa futura glória, todas as batalhas desta guerra se sagraram pela vitória das armas nacionais; no final delas, a Espanha reconheceu a independência portuguesa e assinou Tratado de Paz;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2 - O domínio filipino, ao contrário do que VPV afirma, não foi mera união dinástica, mas anexação política progressiva, particularmente indesejada pelo Povo miúdo e por algumas casas nobres. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esta anexação foi-se tornando cada vez mais asfixiante, sobretudo com os dois últimos Filipes e, a prevalecer, conduziria inevitavelmente à subalternização, se não ao completo apagamento da cultura portuguesa, a começar no uso dominante, oficial, da Língua, que passaria a ser o castelhano, tal como sucedera na Galiza, uma vez perdida a soberania, de pronto submetida a forte castelhanização, ao longo dos séculos XIII e XIV, de tal forma que o galego nunca mais se desenvolveu, tendo mesmo sido apodado de língua de labregos, indigna de uso nos Tribunais e nas Casas Senhoriais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando no século XIX os intelectuais galegos o pretenderam recuperar, encontraram inúmeras dificuldades, incluindo certo desinteresse do próprio Povo, já conformado com o uso do idioma castelhano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;3 – O o feriado de 10 de Junho deve obviamente permanecer, mesmo não se sabendo ao certo nem o dia nem o ano em que Luís de Camões morreu, havendo dúvidas entre 1579 e 1580, como tampouco se conhece a data do seu nascimento, estimando-se o ano de 1524, como um dos mais prováveis, por mero cálculo retrospectivo, a partir da carta de perdão de D. João III de Março de 1553, a libertá-lo da prisão, para logo de seguida Camões poder embarcar para a Índia. Sendo estes os escassos registos de alguma confiança de que dispomos e mesmo com todas estas incertezas, a data de 10 de Junho, foi há muito adoptada e consagrada para celebrar o Poeta, por excelência, Nacional, cuja vida atribulada se tomou como exemplo da gesta heróica dos Portugueses. Daí a sua adequação para Dia Nacional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Certamente poucos povos no mundo se poderão orgulhar de ter o seu Dia Nacional associado ao nome de um dos seus mais ilustres escritores, que fixou, na forma literária mais apropriada de então, a Épica, a presença portuguesa no Mundo, com a narração do seu maior contributo para a Civilização, que foi a empresa dos Descobrimentos marítimos e a difusão da Língua Portuguesa nos cinco continentes do Globo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Daí que, a haver um dia de Portugal, este seja porventura o mais exaltante de todos os demais possíveis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;4 – Por último, a concessão que VPV faz à manutenção do 25 de Abril como feriado nacional, independentemente do forte sentimento popular que a ele ainda permanece ligado, é pura contemporização sua, oportunista quanto baste, com certa Esquerda, tida por bem pensante, com a qual, de resto, VPV ainda conserva velhas «afinidades anti-fascistas»;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lamento ter de tecer estas considerações a propósito de um artigo de um Professor de História, ainda por cima universitário, algo mitificado como intelectual rebarbativo, incorruptível, «enfant-terrible» de todas as maiorias governativas, mas a incoerência e a sem-razão demonstradas cobram seu preço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;VPV tem igualmente méritos e virtudes indesmentíveis, como Historiador e como comentador político, mas, obviamente, não goza de nenhuma infalibilidade e, por vezes, dá o flanco em toda a linha, como sucedeu aqui neste seu pequeno artigo, em que andou arredado das musas inspiradoras e também de algum, sempre necessário, bom senso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%; mso-fareast-language: PT"&gt;Que as musas ora mal cortejadas, &lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;incluindo Calíope e Clio, as mais propícias nesta matérias,&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%; mso-fareast-language: PT"&gt; lhe façam companhia benéfica, em próximas ocasiões, é o desejo que todos lhe devemos formular, assim como um pouco menos de presunção e um pouco mais de humildade cívica tampouco lhe causariam dano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: 140%; MARGIN: 0cm 0cm 9pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 140%"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Transcrição a seguir do excerto do artigo de Vasco Pulido Valente, publicado no Público de 04-11-2011 e divulgado na internet pelo confrade do blogue Portugal dos Pequeninos:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-: minor-latin"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;CINCO CHEGA &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-: minor-latin"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;«Oficialmente, temos 14 feriados por ano em Portugal. De facto, temos mais e, até agora muito mais. Temos, primeiro, os feriados nacionais e, ao contrário de toda a gente, logo dois: o 1º de Dezembro e 10 de Junho. Tanto um como outro são meio inventados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-: minor-latin"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O 1º de Dezembro supostamente comemora o fim do domínio espanhol, que na realidade não foi um "domínio", mas só uma união de Estados que continuaram independentes, sob o mesmo rei. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-: minor-latin"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O 10 de Junho, que para efeitos cerimoniais se chama "Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades" (e dantes se chamava "Dia da Raça") é em princípio no dia da morte de Camões (que ninguém sabe quando morreu) e parece que se destina a exaltar disfarçadamente o Império, que já acabou e de que, num tempo de correcção política, se não pode falar. A seguir, temos feriados políticos: que são três. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-: minor-latin"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como era inevitável o 25 de Abril, a data da "revolução dos cravos", em que o regime celebra o fim da Ditadura e a presuntiva glória da sua obra; o 5 de Outubro, que introduziu uma República jacobina em Portugal e promoveu 15 anos de perseguição e violência; e, finalmente, o 1º de Maio, uma velha festa internacional dos trabalhadores, quando os trabalhadores eram "o proletariado". &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-: minor-latin"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O resto dos feriados - nove - são feriados religiosos, por vezes misturados com um pouco de nacionalismo, que seguem o calendário da Igreja Católica (mesmo o Carnaval, que, não por acaso, precede a Quaresma). Nenhum destes 14 feriados, excepto o Natal, suscita ainda qualquer espécie de fervor: nem os nacionais, nem os políticos, nem os religiosos. Servem só - em combinação com sábados, domingos, feriados municipais (que nada impede um qualquer município de estabelecer) e "pontes" - para aumentar o recreio e repouso da população em várias semanas por ano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-: minor-latin"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Com o compreensível propósito de acabar com isto, o Governo anunciou que iria diminuir o número de feriados; e a Igreja Católica, percebendo a sua fraqueza, ofereceu quatro. Ignoro o que o Governo pensa sobre o assunto, se pensa alguma coisa. Mas, razoavelmente, num Estado laico não devia haver mais do que três feriados religiosos (Natal, Ano Novo e Sexta-Feira Santa). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-: minor-latin"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como num Estado pequeno e indigente não devia haver mais do que dois feriados, por assim dizer, civis: o 25 de Abril, fatalmente, e, para não pôr muito nervosa a esquerda, o 1º de Maio. Cívica e espiritualmente passávamos muito bem com estes cinco.»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-: minor-latin"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vasco Pulido Valente, Público.»&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 06 de Novembro de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-632844366285026842?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/632844366285026842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=632844366285026842' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/632844366285026842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/632844366285026842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/11/desacertos-publicos-de-vasco-pulido.html' title='Desacertos Públicos de Vasco Pulido Valente'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-6931841520920648225</id><published>2011-10-17T00:01:00.003+01:00</published><updated>2011-10-17T00:17:36.249+01:00</updated><title type='text'>Mundo Perigoso</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Induzido pela leitura de um artigo de Jaime Nogueira Pinto intitulado Crise Europeia publicado no Sol, mo passado dia 3 do corrente, fui levado a escrever a pequena reflexão que se segue, na tentativa, porventura vã, mas ainda assim esforçada, em vista da permanente busca da compreensão da enorme trapalhada em que o Planeta todo se meteu, com esta coisa da Globalização dos Mercados, que tornou a nossa vida numa imensa e perigosa confusão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Pelo visto, o Mundo está mesmo a ficar perigoso, depois de várias pulverizações políticas ocorridas após o fim da Guerra de 1914-18.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Primeiro, desfizeram-se os Impérios na Europa, depois as extensões africanas e asiáticas das potências europeias, com o caso exótico português a prolongar a sua duração, para lá do compreensível e, por último, ao findar do século XX, desmoronou-se o bloco soviético, quando o império comunista já rompia pelas suas costuras da Europa Central e do Leste, na RDA, na Checoslováquia, na Hungria, na Polónia e na Roménia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Parecia o triunfo da Liberdade, do Capitalismo e da Democracia, com o fim da História à vista, como nos prometia o Fukuyama, esse fogoso arauto do optimismo histórico do final do século XX.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Eis senão quando, à entrada do novo Milénio, tudo começou a desandar, qual roda da História subitamente descomandada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;O Capitalismo, aparentemente sem inimigo, desorganizou-se, obnubilou-se, perdeu o tino,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;parecendo de momento conduzido por Deuses maléficos, subitamente enlouquecidos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Quem lhe poderá, entretanto, restituir o senso? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Quem o há-de trazer ao caminho da Ética, sem o trilho do qual, ele ameaça precipitar-nos a todos na miséria, na desordem e sabe-se lá onde mais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Da ascensão ao poder dos Sovietes, na Rússia de 1917, da recessão mundial dos anos 20, da queda da bolsa de 1929, do desemprego maciço subsequente, da insegurança generalizada emergiram os autoritarismos ibéricos, os fascismos italiano e alemão, os conflitos, as provocações, as ameaças e as lutas pela hegemonia política, na Europa e no Mundo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Tudo isto veio a desembocar numa brutal Guerra Mundial, com 6 anos de duração em luta assanhada, com um cortejo de violência extrema, que se saldou em dezenas de milhões de mortos e com a Europa quase toda destruída, economicamente arruinada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Daqui sairam duas super-potências que, em regime de condomínio, administraram a Paz Mundial durante décadas, com franco progresso económico, social, científico e cultural do lado ocidental, tão significativo ele foi que levou o Comunismo à exaustão e, por fim, à rendição, com o seu algo inesperado auto-desmantelamento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Aqui chegados, cabe perguntar: como sairemos nós da presente confusão, quando não achamos líderes em quem confiar, exemplos éticos a imitar, figuras de verdadeiros Estadistas e não meros «vencedores alternantes de eleições», onde pára hoje essa gente da categoria de um Churchill, de Roosevelt, de De Gaulle, de Willy Brandt, de Adenauer?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;E, entretanto, que pode fazer a comum Humanidade, para além de colocar votos nas urnas ou ocupar Praças e Ruas, com manifestações ruidosas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Imaginação, pois, é preciso… E navegar também, por certo…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 16 de Outubro de 2011 &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-6931841520920648225?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/6931841520920648225/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=6931841520920648225' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6931841520920648225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6931841520920648225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/10/mundo-perigoso.html' title='Mundo Perigoso'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-159079299753241383</id><published>2011-10-13T04:04:00.003+01:00</published><updated>2011-10-13T11:00:22.408+01:00</updated><title type='text'>Sobre certo Patriotismo que hoje falta em Portugal</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Anoto aqui uma breve reflexão sobre a necessidade, no presente imperiosa e finalmente, parece, percebida pelas elites nacionais, de os Portugueses se voltarem mais para a sua Cultura.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desejo fundamentalmente sublinhar que, para fazer alguma coisa de válido pelo nosso País, é mister acalentar no mais íntimo do nosso ser um certo sentimento de afeição pela nossa Terra, pela nossa História, pela nossa Cultura, tomando, i.e., aceitando todo o seu legado, o bom e o mau, porém, procurando sempre inspiração no que, como Comunidade, como Nação, ao longo dos tempos, de melhor fizemos, evitando repetir ou fixar atenção no que foi mau, naquilo que não nos deve orgulhar, para não voltarmos a cometer erros ou acções desonrosas do mesmo tipo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os outros Povos não são melhores do que nós ou são-no numas coisas e já não o são se considerarmos outras, consoante o grau diferenciado de desenvolvimento económico, científico, cultural e social, que apresentem em determinado período histórico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Rejeito exercícios de autoflagelação, férteis entre nós, e as autocríticas só as entendo num propósito redentor. Manter espírito aberto ao Mundo, sem renegar a nossa identidade, muito menos desenvolvendo descabidos complexos de inferioridade, eis a disposição que procuro seguir, com a coerência de que sou capaz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Devemos defender com humildade, mas sem inibições, a nossa especificidade cultural e não esperar que outros o façam por nós, coisa que, como temos comprovado, dificilmente tem acontecido e como decerto também dificilmente acontecerá no futuro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas, para isso, é preciso mais do que boa intenção; é preciso, da nossa parte, estudo, trabalho perseverante e respeitar, honrar o legado recebido dos nossos antepassados, que nos cumpre acrescentar, se para tanto nos favorecer o engenho e arte. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Todavia, se o não pudermos acrescentar, é nossa estrita obrigação, pelo menos, reconhecê-lo, estimá-lo e estudá-lo, para bem o conseguirmos divulgar entre gente estranha à nossa cultura, principalmente, mas, infelizmente também, para o levarmos ao conhecimento dos nossos próprios concidadãos, no presente, por acção de um degradado Sistema de Ensino, tão tristemente desligados da nossa matriz cultural.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Aqui deixo, por isso, um lema susceptível de nos orientar neste desejado propósito patriótico : humildade, no espírito com que abraçamos as tarefas, mas firmeza e orgulho nas acções a desenvolver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-language: PTcolor:black;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 13 de Outubro de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-159079299753241383?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/159079299753241383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=159079299753241383' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/159079299753241383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/159079299753241383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/10/sobre-certo-patriotismo-que-hoje-falta.html' title='Sobre certo Patriotismo que hoje falta em Portugal'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-4425785831302610349</id><published>2011-09-12T23:34:00.002+01:00</published><updated>2011-09-12T23:36:36.234+01:00</updated><title type='text'>Ainda os Tumultos de Inglaterra</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os acontecimentos de Inglaterra de Agosto pretérito certamente ainda não esgotaram a reflexão que a todos cumpre fazer, na busca da sua funda compreensão. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Num dos vários jornais ingleses que comprei e li, nos dias sequentes aos tumultos, o ex-conspícuo «Times», que hoje já se publica com profusas fotografias, no chamado formato popular ou tablóide, longe portanto do aspecto e das características que lhe mereceram o prestígio mundialmente outorgado, senti nele, apesar de tudo, nos seus múltiplos editoriais, um tom compungidamente envergonhado, pela situação caótica vivida na antiga capital do Império Britânico, mais parecida com a turbulenta anarquia de uma pobre república africana, do que com o ambiente próprio de uma das mais míticas metrópoles do Planeta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Numa das reportagens, o jornalista registara, com escândalo, que um Polícia se dirigira a um cidadão transeunte, aconselhando-o a abandonar o local, terminando a frase, com o termo «Mate», quando era tradicional o uso de «Sir», como pude comprovar, logo na minha primeira visita a Londres, ainda em adolescente, nos idos de 1970. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nesse tempo, todos os empregados das lojas, por regra, usavam esse termo, para com clientes masculinos, mesmo que estes fossem apenas rapazes, como então era o meu caso, tal como usavam o de Madam ou Miss, para interlocutores femininos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esse tratamento conferia dignidade às pessoas envolvidas e estava de acordo com o padrão de civilização que então britânicos e não britânicos defendiam e cultivavam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A forma actual, verberada pelo jornalista, reconheça-se, espelha a degradação geral, entretanto ocorrida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Podem alguns, sempre lestos em justificar ou desculpar as actuais grosserias, de que as malfeitorias são o grau sequente e inevitável daquela compassiva atitude, alegar a maior informalidade das relações e dos costumes contemporâneos, que não conseguem esconder a manifesta hodierna degenerescência social. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sem aparente oposição de quem, por imperativo ético, deveria oferecer resistência, tem-se assistido à progressiva predominância do reles, do grosseiro, dos mais prosaicos padrões, em quase todos as manifestações culturais britânicas, as mesmas que, em tempos, surgiam invariavelmente impregnadas do conceito de qualidade, categoria habitualmente garantida, quase só, pela sua proveniência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há uns anos, passei os olhos por um livro, com um título deveras elucidativo – A Decadência do Cavalheiro/Gentleman Inglês – e li também um outro, correlacionado no tema, mas de autor norte-americano, professor universitário, com largo convívio com gerações de jovens estudantes, intitulado «The Closing of The American Mind», que, na tradução portuguesa, surgiu com uma designação algo distante, «A Cultura Inculta», não traduzindo bem a ideia contida no original. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este último havia sido publicado nos EUA, no final da década de 60 do século passado, quando as Universidades americanas começaram a ser palco de forte agitação, desencadeada sob o pretexto da contestação à intervenção americana no Vietname. Rapidamente desta se passou a tudo o mais, desde a ordem curricular, à partilha por estudantes de ambos os sexos dos espaços residenciais das Universidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A droga propulsionada pelo ritmo frenético do Rock-and-Roll fazia então a sua entrada triunfal nos estabelecimentos de ensino americanos, não só dos universitários, como também dos do secundário, inebriando gerações sucessivas de jovens adultos e adolescentes irrequietos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Daí a pouco tempo, toda aquela agitação atingiria em cheio a Europa, culminando no imenso regabofe francês do Maio de 68, paralisando por completo o país, num mês de intensas manifestações e confrontos de rua de estudantes enfurecidos com a Polícia, surpresa e acabrunhada, ante a dimensão e a ousadia da contestação juvenil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se nos EUA o pretexto principal da revolta estudantil assentava na participação americana Guerra do Vietname, ao lado do Governo amigo de Saigão, para conter a expansão do comunismo sino-soviético, na altura perigo menor ou mesmo nenhum, senão um sumo bem, ao alcance da Humanidade desvalida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quase todos esses grupos estudantis americanos e europeus, ao mesmo tempo que odiavam o estilo de vida burguês ocidental, diziam, embora dele fizessem uso e proveito abundante, votavam os mesmos grupos autêntica veneração pelos líderes e regimes comunistas, sobretudo, da China, da Albânia e de Cuba, uma vez que a URSS, depois de Estaline, já entrara em franco declínio na simpatia dos adeptos da Revolução Proletária.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Isto, dito assim, até pode parecer anódina narrativa história. Na altura, porém, tudo isto era vivido em clima de exaltação nos meios universitários, em que jovens inteligentes e desembaraçados empenhavam todos os seus mais valiosos dotes intelectuais e toda a sua inesgotável facúndia, ao serviço de delirantes utopias políticas, internamente impiedosas na repressão dos seus dissidentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há épocas da História em que o intelecto humano parece querer eclipsar-se, de preferência a observar o princípio da realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para nosso espanto, alguns destes jovens arautos das utopias da desgraça dos anos 60 do século passado são hoje os líderes das doutrinas do mais desembestado liberalismo financeiro que tem espalhado o caos e a instabilidade económica e social, pelo mundo inteiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E, como se isto tudo não bastasse, outros factores explosivos, como as hostilidades e as desconfianças religiosas e étnicas vieram sobrepor-se à crise económica e dos mercados financeiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tantos e tão variados problemas requerem outro tipo de líderes políticos, que não os actuais grilos falantes que tudo pensam resolver com discursos fáceis, esganiçados, mas balofos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Seremos capazes de forjar novas elites, elites verdadeiras, no carácter e no saber, ou continuaremos a iludir-nos com momentâneas vitórias, em que apenas sacudimos da nossa frente, na circunstância, o diabo mais detestado?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Aqui deixo mais este arremedo de reflexão para a nossa tão necessária quanto premente regeneração nacional, que tarda em ganhar corpo e alma, na sempre recôndita esperança que habita em nossos corações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 12 de Setembro de 2011 &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-4425785831302610349?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/4425785831302610349/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=4425785831302610349' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4425785831302610349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4425785831302610349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/09/ainda-os-tumultos-de-inglaterra.html' title='Ainda os Tumultos de Inglaterra'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-2294777911077517632</id><published>2011-09-12T01:13:00.003+01:00</published><updated>2011-09-12T01:24:12.158+01:00</updated><title type='text'>Entrevista Decepcionante de Nuno Crato</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Embora com algum atraso, quero verberar aqui a posição pífia de Nuno Crato, por frouxa e pobre em demasia, relativamente ao dito Acordo Ortográfico da LP de 1990, expressa na entrevista que concedeu à Revista Única do Expresso do anterior fim-de-semana, dia 3 de Setembro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tal como VGMoura assinalou, no DN de 4.ª feira passada, NC parece demasiado desconhecedor do assunto, provavelmente não o terá sequer estudado, não lhe atribuindo a importância que ele merece. Foi, na entrevista, surpreendentemente lacónico e até displicente, com tão melindroso tema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sendo pessoa inteligente e com méritos firmados na área intelectual, esperava-se dele atitude completamente diversa, mais informada e mais séria como compete a um Ministro da Educação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se, no resto dos assuntos da sua responsabilidade, que são imensos, assumir postura idêntica, prosseguirá a Educação dos Portugueses, principalmente dos mais jovens, a sua marcha fatídica a caminho da degradação e da ineficiência, para toda ela vir a terminar no poço da incompetência e da ignorância, onde maioritariamente já se encontra, ao fim de quase 40 anos de experiências curriculares e programáticas fúteis e demagógicas, já com resultados desastrosos, bem visíveis na impreparação científica, técnica e cultural da maioria dos jovens entretanto formados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lamenta-se tão decepcionante entrevista, neste ponto específico da pretendida reforma ortográfica da Língua Portuguesa, a qual não representa outra coisa senão a tola e apressada adesão dos Portugueses à grafia da LP vigente no Brasil desde 1943, depois de este ter assinado e posteriormente rejeitado o Acordo Ortográfico de 1945.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A decepção como os melhores é sempre de lastimar, do pior que nos pode acontecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esperemos que NC ainda venha a rectificar a sua desleixada atitude a propósito do dito AO.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Atente-se, a este propósito, na prudência dos dirigentes de Angola e de Moçambique, que ainda não esboçaram nenhuma intenção de aprovação do dito Acordo, em &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;notório contraste com a atitude precipitada, leviana, desinformada e algo servil revelada pelos governantes e responsáveis de Portugal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 11 de Setembro de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-2294777911077517632?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/2294777911077517632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=2294777911077517632' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2294777911077517632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2294777911077517632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/09/entrevista-decepcionante-de-nuno-crato.html' title='Entrevista Decepcionante de Nuno Crato'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-7526655965392533726</id><published>2011-08-12T16:37:00.010+01:00</published><updated>2011-08-24T23:07:42.162+01:00</updated><title type='text'>Os Tumultos de Inglaterra e o Futuro das Sociedades Ocidentais</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Atónito, como muita gente por esse mundo fora, com mais uma «jacquerie» tipicamente moderna que as nossas maiores urbes europeias, agora as de Inglaterra, elogiadamente das mais multi-culturais do planeta, deram em produzir, para nossa geral reflexão e, mais uma vez, oportuna edificação.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Depois de 4 noites tumultuosas os cidadãos britânicos podem finalmente respirar de alívio. Alguns, entrementes, elucidados pela actuação demasiado circunspecta da sua veneranda Polícia, haviam já começado a tomar as tarefas de defesa da vida e da propriedade em suas próprias democráticas mãos, não fossem os jovens de ânimos exaltados perder de vez a tramontana, reduzindo tudo à purificação final do fogo inclemente e inapelável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se a inoperância policial inicial a todos surpreendeu, é bom não colocar o ónus exclusivamente na Polícia, porque esta é uma força disciplinada, habituada a respeitar normas e padrões superiormente definidos e, com frequência, vê-se desapoiada judicial e politicamente, pelos que deveriam ser os seus primeiros defensores, os responsáveis políticos, acaso percebessem regularmente a sua missão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao quinto dia, porém, o Primeiro-Ministro inglês David Cameron, regressado das suas interrompidas férias, prometeu «uma resposta firme» aos distúrbios dos últimos dias, em várias cidades britânicas, assegurando que a tão invocada dita já estaria em marcha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Todavia, teria sido mais convincente se a apregoada firmeza logo tivesse começado pela substituição da sua Ministra do Interior, Theresa May, em paga das inanidades proferidas, nos primeiros momentos da deflagração dos motins, a respeito da sua imaginada «actuação da Polícia por consentimento», declaração que teve por efeito a imediata desautorização da utilização de meios mais vigorosos na repressão dos desmandos, como a situação exigia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Concomitantemente, deveria também o PM britânico ter-se lembrado de, por uma vez, proibir que um Super-Intendente da Polícia comparecesse fardado, com turbante de Sikh na cabeça, a falar à Comunicação Social, como ainda há poucos dias todos tivemos oportunidade de ver, estupefactos, na Televisão, às desgraçadas horas dos telejornais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por aqui certamente se deveria principiar por buscar a verdadeira raiz de grande parte dos problemas que está a viver este País, outrora próspero e, em muitas coisas, exemplar, mas hoje profundamente decadente, largamente deseducado, degradado e caótico, principalmente nas suas maiores cidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na verdade, a Grã-Bretanha iniciou há décadas um processo de notória decadência económica, civilizacional, cultural, social e comportamental, patente em praticamente todos os sectores da sua vida nacional. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Basta, para o efeito, comparar as suas actuais produções culturais, como, por exemplo, as séries televisivas, as de humor e outras, com as apresentadas em décadas anteriores, para se comprovar, com toda a evidência, a diminuição dos padrões intelectuais, estéticos, artísticos e comportamentais que presidem à sua elaboração, os quais, por regra, roçam a mais abjecta vulgaridade, ante a passividade geral das suas elites, outrora exigentes, capazes de impor, nesses programas, graus mínimos de decência, mesmo se não logravam impedir o aparecimento e a publicidade de produções de inferior qualidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sem aparente reclamação, tem-se assistido à progressiva predominância do reles, do grosseiro, em quase todos as manifestações culturais britânicas, as mesmas que, em tempos, surgiam invariavelmente impregnadas do conceito de qualidade, categoria habitualmente garantida, quase só, pela sua proveniência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Custa, naturalmente, a qualquer um verificar este processo de corrupção dos melhores, dos que estariam em condições de promover os mais elevados padrões de qualidade civilizacional, mas que, por falta de clarividência, por confusão de critérios, por inibições de toda a espécie, cedem e sucumbem ante o mais fácil, o mais elementar, o mais degradado, porventura convencidos que estão agindo em cumprimento de critérios mais democráticos, mais populares, em contraponto com os supostos de carácter elitista, só acessíveis a pequenas minorias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Deixa assim de haver verdadeiras referências, caindo tudo num relativismo trivial, inconsequente e finalmente nivelador da mais acabada mediocridade, desígnio, quiçá escondido, mas desejado, dos equivocados dirigentes políticos das nossas hodiernas sociedades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoSalutation" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A entronização do dinheiro, do lucro a todo o preço, da preponderância dos critérios de medição monetária na valorização de todos os bens, materiais e espirituais, que uma sociedade pode produzir, tudo isto tem levado inexoravelmente à dissolução dos vínculos que conferiam coesão às comunidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A glorificação do Mercado, como entidade superior a tudo o mais, acima do conceito de Estado e de Nação, conduz as populações à prática do mais desenfreado egoísmo, à busca de riqueza por todos os meios, legais ou ilegais, uma vez que o resultado é que importa, só por ele cada um sendo valorizado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não deixa de ser estranho que o Mundo Ocidental, capitalista, democrático, próspero e razoavelmente tolerante, moral e culturalmente liberal, com um grau de coesão social muito significativo, sobretudo na Europa Central e do Norte, traduzido na aplicação do conceito de Estado de Bem-Estar Social, o tão justamente apreciado Welfare State, vigente até ao final dos anos 70 do século passado, que produziu as sociedades mais avançadas de toda a História, depois de vencer o seu arqui-inimigo, o socialismo comunista de Soviéticos, Chineses, Albaneses, Norte-Coreanos e Cubanos, tenha entrado numa aparente loucura comportamental, baseada na euforia consumista, instigada pela doutrina economicamente ultra-liberal, mas, do ponto de vista social, comprovadamente auto-destruidora das suas sociedades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Dir-se-ia ter-se tratado de uma vitória inútil, de efeitos perversos, uma vez que, enquanto o modelo rival de sociedade existiu, foi possível ao Mundo Capitalista criar sociedades de Bem-Estar prósperas, tolerantes e conviventes, mas que, agora, por pura desorientação ideológica dos seus dirigentes, estas sociedades se acham em estado de progressiva desagregação, com a sua ruína económica à vista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Parece paradoxal, mas é o que tem vindo a acontecer e se estes mesmos dirigentes não recobrarem algum senso comum, tão cedo o espectro da desgraça não nos abandonará.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Veremos, outra vez e sempre, com a esperança remanescente, se se aprenderá alguma coisa com mais esta explosão de desordem nas cidades tão levianamente tornadas multi-culturais, no decurso dos últimos decénios em que o fenómeno se acelerou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quase toda a Europa vive hoje este problema da difícil convivência inter-cultural entre comunidades de acolhimento e as que aqui chegam em busca do seu imaginado eldorado económico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Infelizmente, muitas destas populações migrantes não revelam grande empenho em adaptar-se aos usos e costumes europeus, exacerbando as suas diferenças culturais e religiosas, por vezes de forma claramente agressiva, insensata, que acaba por gerar apreensão e, por fim, a sua inevitável rejeição da parte dos autóctones.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Acresce que a falta de cooperação entre os membros da União Europeia tem dificultado o desmantelamento de múltiplas redes criminosas que circulam com grande à-vontade no seu interior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lembre-se a propósito que, em 1995, a polícia francesa havia solicitado do Reino Unido a extradição de um dos chefes do bando de extremistas islamitas que havia cometido vários atentados terroristas em território francês, de que resultaram diversos mortos e feridos, simples cidadãos transeuntes, note-se, tendo-se as autoridades inglesas recusado a atender esse pedido durante 10 anos, só vindo finalmente a satisfazê-lo, depois de elas próprias terem sido vítimas das mesmas acções, perpetradas por seitas idênticas, no ano de 2005, por ocasião dos atentados no Metro de Londres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Analogamente, convém não ignorar que estes fenómenos de migração maciça foram inicialmente bastante incentivados por muitos Empresários ocidentais ávidos de mão-de-obra barata e sem direitos, de começo, dócil, não reivindicativa, duplamente aproveitada, já que assim conseguiam, por acréscimo, limitar os anseios e a capacidade negocial por melhores salários e condições sociais mais confortáveis por parte das massas laborais dos países acolhedores destas facilitadas vagas migratórias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na altura, não houve visão de problemas futuros ou prevaleceu a perspectiva mais optimista quanto à integração das novas comunidades. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ter-se-á pensado que a rapidez na concessão da nacionalidade facilitaria a integração dessas massas de imigrantes, sem cuidar de bem avaliar se a atribuição de nacionalidade seria por elas genuinamente desejada e justificadamente merecida, duas condições absolutamente essenciais, para qualquer acção política em tão crítico domínio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para procurar debelar estes problemas sociais, tão complexos quanto delicados, pelo seu enorme potencial de conflito, provavelmente, toda a presente política de integração teria de ser revista, harmonizada e uniformizada, no espaço da União Europeia, começando, desde logo, pela introdução de maior rigor nos critérios da atribuição de nacionalidade, separando claramente este processo do da concessão de autorização de residência, para fins laborais, a cidadãos oriundos do exterior da UE.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas naturalmente que tão melindrosos processos teriam de ser politicamente muito bem conduzidos, por gente de fibra, que, desafortunadamente, hoje parece ter desaparecido ou deixado de ser forjada pelas nossas sociedades contemporâneas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Até que tal suceda, continuaremos na senda tortuosa e conturbada em que nos encontramos. Resta-nos, entretanto, acreditar na extraordinária capacidade regeneradora da espécie humana, fixando-nos para tal nos luminosos exemplos do passado, sem que, cada um de nós, individualmente, deixe de ir fazendo alguma coisa de útil nesse sentido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Calibri', 'sans-serif'; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;AB_Óbidos, 12 de Agosto de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="font-family:'Bookman Old Style', 'serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-7526655965392533726?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/7526655965392533726/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=7526655965392533726' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7526655965392533726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7526655965392533726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/08/os-tumultos-de-inglaterra-e-o-futuro.html' title='Os Tumultos de Inglaterra e o Futuro das Sociedades Ocidentais'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-4281347011861765014</id><published>2011-08-08T18:14:00.020+01:00</published><updated>2011-08-24T23:13:47.062+01:00</updated><title type='text'>Evocação de Maria Lúcia Lepecki</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; LINE-HEIGHT: normal; MARGIN: 0cm 0cm 10pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-fareast-: PT;font-family:'Times New Roman';" &gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há cerca de duas semanas desapareceu do nosso convívio, com 71 anos de idade, a popular mulher de letras, Maria Lúcia Lepecki, brasileira de nascimento, portuguesa de adopção e de coração, desde 1981 Professora Catedrática de Literatura Portuguesa Contemporânea da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cidade em que se radicara, logo no início dos anos 70 do século passado. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por ter com ela mantido, numa ocasião, animada troca de opiniões, como adiante relatarei, a sua morte chocou-me particularmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por feliz acaso, na última 6.ª Feira, 05 de Agosto de 2011, entre as 13h00 e as 14h00, tive o grato prazer de ouvir, na Rádio, num programa da Antena 2, uma sua longa entrevista, dada, creio, em 2007, a João Almeida, em que ela, com a exuberância discursiva que lhe era habitual, falou diversamente da sua vida, no Brasil, em Portugal e em França, em Paris, na Sorbonne, onde terá começado a preparar a sua Tese de Doutoramento, em Literatura Portuguesa, incidindo particularmente na obra literária de Camilo Castelo Branco, um dos escritores mais genuinamente portugueses, característica que afinal não afasta brasileiros, como algumas vezes se ouve por aí dizer, com piedade, até a gente tida por responsável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Era Maria Lúcia Lepecki uma figura bastante popular entre nós, tendo participado várias vezes em Programas de Rádio e de TV, em que chegou mesmo a apresentar um espaço de tertúlia, com conversas muito interessantes sobre temas da actualidade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na entrevista a que me refiro, ela traçou uma breve retrospectiva da sua vida, pela qual se fica a perceber a origem do seu interesse por Portugal e pela sua literatura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pelos Pais e sobretudo motivada pela afeição de seu Pai pela História e pela Literatura do nosso país foi de onde ela herdou esse seu profundo interesse pela cultura portuguesa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lepecki referiu mesmo que seu Pai, leitor assíduo de autores lusitanos, conhecia com pormenor a vida dos Reis portugueses, conhecimento haurido em imensos livros de que dispunha, entre os quais avultavam três exemplares de Os Lusíadas estrategicamente distribuídos pela casa, a denotar leitura frequente e continuada do nosso conspícuo Vate quinhentista. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Terá certamente sido por aqui que Lepecki começou a prender-se sentimentalmente a Portugal, afeição depois aprofundada pelo casamento com cidadão português. O ambiente de amor das coisas portuguesas em que foi criada, na infância e adolescência, explicará com certeza a sua opção de vida adulta e profissional. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A citação completa da 1.ª estrofe – Meu Portugal, meu berço de inocente… - do Prólogo do Poema D. Jaime, de Tomás Ribeiro, escritor e obra hoje quase desconhecidos dos nossos compatriotas, apesar de o seu nome ter sido dado a elegante artéria da cidade de Lisboa, ali às Picoas, perpendicularmente à Avenida Fontes Pereira de Melo, serviu, na entrevista, para bem ilustrar o conhecimento e o carinho que atribuia a tais matérias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A arquitectura portuguesa, urbanística, sobretudo, por se considerar fundamentalmente bicho urbano, também a cativou imenso, apontando com agudeza, a sua particular percepção da essência do Largo português, distinto do espaço público designado de Praça, diferença que Lepecki aqui notava com grande relevo e especial ternura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Disse ter sido seu sonho adquirir uma casa térrea num bairro tradicional de Lisboa, desiderato, todavia, que nunca pudera realizar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como seria quase inevitável, o entrevistador perguntou-lhe como via ela a situação da Língua Portuguesa, ao fim de tantos anos a leccionar jovens universitários na sua Faculdade de Letras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Apontou Lepecki dois problemas especialmente graves, em Portugal, sobretudo, realidade que naturalmente conhecia melhor, por aqui ter trabalhado quase 40 anos, relacionados com o uso do idioma, na sua forma oral ou coloquial, que são a sua falta de clareza, pela articulação deficiente, incompleta das sílabas das palavras, na boca dos portugueses, em que sofrem amputações várias, que corrompem e dificultam a sua percepção. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Citou, por exemplo, «O Secretário», que nos chega aos ouvidos quase como «o cretário», por via de uma perigosa tendência para o ensurdecimento do idioma, fenómeno típico da oralidade portuguesa, que a Escola não tem conseguido contrariar, pelo contrário, antes aparece ter agravado, pelo descaso em que os assuntos da Língua caíram, relegados para o esquecimento, na degradação geral do Ensino registada nos últimos decénios, particularmente sentida no domínio do Idioma, mesmo entre pessoas saídas de Universidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sobre a questão ortográfica também se pronunciou, desvalorizando as diferenças entre as grafias do Português no Brasil e em Portugal, não sentindo necessidade da sua uniformização. Disse sempre ter lido obras literárias nas duas formas, desde muito cedo, na sua vida, separando-as intelectualmente, sem qualquer confusão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A propósito deste tipo de questões, relembro uma animada conversa que com ela mantive, na sequência de um colóquio ocorrido haverá cerca de 15 anos, numa Feira do Livro de Lisboa, em que a confrontei com alguns típicos solecismos da fala brasileira, em expressões como : «Você já falou com teu Pai» ? ou «Você quer entrar, então entra» ou «Tu vai ver o que eu vou falar…» etc., etc., em que é evidente a corrupção da sintaxe própria da Língua Portuguesa, como de qualquer outra língua de origem latina, línguas que jamais admitiram tais aleijões, nem nunca o poderão consentir, sob pena de deformação irreparável do seu paradigma sintáctico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ela aqui concedeu que havia erros crassos naquelas frases, mas sem lhes atribuir demasiada importância, radicando o problema, a seu ver, na influência ali sofrida pelo Português a partir das línguas nativas dos índios do Brasil, bem como dos diversos falares dos povos africanos para lá levados durante o tempo da Colonização portuguesa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Todas estas línguas, dialectos e crioulos, em contacto com o Português, acabaram por influenciar a sua forma de o falar no território por imensas populações, só muito tardiamente alfabetizadas, praticamente só no século XX se registando um esforço sério e continuado nesse propósito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em consequência, certos erros de linguagem têm persistido e até ganho difusão inesperada, como citou o seu próprio caso de Professora Universitária de Literatura Portuguesa radicada longos anos em Portugal e dando por si, por vezes, a dizer «os livro» em conversa com seu filho, que logo a censurava e ela se penalizava, por tamanha incongruência em figura de Professora, de Faculdade de Letras, ainda por cima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em contraste, os erros de linguagem que mais a incomodavam em Portugal, indicou-mos, eram os das expressões : «coloquem os vossos livros em cima das mesas», em lugar de «colocai os vossos…» ou de «coloquem os seus… de vocês, dos senhores,…», como de facto deveríamos dizer, mas não o fazemos e já nem sequer do erro nos apercebemos de tanto o praticarmos e de o vermos praticado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alguns até já deixaram de o reconhecer, como erro, julgando que assim o eliminam de vez. Os próprios Professores, de todos os graus de Ensino, o adoptaram e já nem o assinalam, muito menos o condenam e assim ele se vai eternizando no nosso modo de falar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Também na pronúncia portuguesa Lepecki verberava deficiências óbvias, que tornam a Língua quase imperceptível para estrangeiros, quando falamos coloquialmente, de forma atabalhoada, pretensamente rápida, mas sem clareza na sua elocução. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para reforçar este ponto de vista, Lepecki foi ao ponto de me recitar a estrofe inicial de Os Lusíadas, nas duas diferenciadas pronúncias, a portuguesa e a brasileira, levando-me a concordar que esta última era, na realidade, muito mais perceptível para qualquer ouvinte, nacional ou estrangeiro, com algum conhecimento do idioma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No decurso da nossa interessantíssima cavaqueira, Lepecki foi citando várias obras e autores onde eu, na sua opinião, poderia ver assuntos correlatos bem tratados, dando-se o caso, para sua surpresa, de eu invariavelmente lhe ter declarado que os havia lido, tendo-os todos em casa e frequentemente também os consultando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;À medida que o tempo passava e o marido, já algo enfadado com o prolongado colóquio, insistia com ela para que terminasse a conversa e retomasse o caminho de regresso a casa, Lepecki teve este desabafo tipicamente brasileiro, até na expressão : «Deixa eu falar com este «cara», que ele me parece uma pessoa muito bem informada», passe o generoso elogio, naturalmente agradável de escutar, em especial, da parte de quem dele faz uso moderado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No final, ainda me convidou a prosseguir o diálogo, escrevendo-lhe para a Faculdade, coisa que já não fiz, mas de que certamente tiraria benefício garantido, pela sua condição de intelectual bem formada e de cultura bastante ampliada, pela sua longa experiência de docência e de vida, dividida entre o Brasil e Portugal, mas já com maior duração entre nós, por sua opção duplamente amorosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Certamente por isso Portugal lhe concedeu merecida condecoração, salvo erro no ano 2000, por ocasião do Dia Mundial da Mulher, ainda bem a tempo de lhe pagar tanto amor e simpatia que soube difundir nesta velha Pátria europeia, que levou a sua Língua a tanto lugar inóspito e distante, como lá no seu Araxá, no interior do Estado de Minas Gerais, no Brasil, de onde Maria Lúcia Lepecki era natural.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em sua memória e porque ela a recitou tão bem, na entrevista, agora histórica, aqui várias vezes mencionada, transcrevo a bela estrofe do Prólogo do Poema D. Jaime, do injustamente esquecido poeta romântico, de forte sentimento patriótico, Tomás Ribeiro ( 1831 – 1901 ) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Prólogo de D. Jaime &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu Portugal, meu berço de inocente&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lisa estrada que andei débil infante,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Variado jardim de adolescente,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu laranjal em flor sempre odorante, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Minha tarde de amor, meu dia ardente,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Minha noite de estrelas rutilante,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu vergado pomar de um rico Outono,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sê meu berço final no último sono ! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 5pt 0cm" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AB_Óbidos, 08 de Agosto de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-4281347011861765014?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/4281347011861765014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=4281347011861765014' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4281347011861765014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4281347011861765014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/08/evocacao-de-maria-lucia-lepecki_08.html' title='Evocação de Maria Lúcia Lepecki'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-6608006006422944576</id><published>2011-07-22T05:30:00.001+01:00</published><updated>2011-07-22T05:32:45.484+01:00</updated><title type='text'>Referências Espinhosas</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Algumas referências do artigo de JNogueira Pinto publicado no Semanário Sol de 15 de Julho de 2011 remetem-nos para os tristes casos de abandono a que Portugal sujeitou os africanos que honradamente se bateram ao lado das NT, na nossa derradeira guerra africana.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Se não fosse possível obter garantias de respeito da sua integridade física da parte dos antigos movimentos de guerrilha, seria imperioso dar-lhes a cidadania portuguesa e a garantia do seu recolhimento à velha Metrópole.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Menos do que isto seria - como foi - indignidade que ainda hoje não encontrou remissão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Entretanto o tempo vai passando, escavando o remorso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Quem pede a outrem o risco da própria vida para defender aquilo que entende serem os seus direitos deve assumir integralmente as consequências do sacrifício pedido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Quem poderá ainda agir em nome de Portugal para tentar reparar este compromisso incumprido ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 22 de Julho de 2011&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-6608006006422944576?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/6608006006422944576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=6608006006422944576' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6608006006422944576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6608006006422944576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/07/referencias-espinhosas.html' title='Referências Espinhosas'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-4864924218274375991</id><published>2011-07-08T00:24:00.007+01:00</published><updated>2011-07-08T00:52:59.880+01:00</updated><title type='text'>Maria José Nogueira Pinto : «Nada me faltará»</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Com a devida vénia, transcrevo a seguir a última crónica de MJNogueira Pinto publicada no Diário de Notícias de 07 de Julho de 2011.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;«&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati-me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.»&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;-------------------------------------------------------------------------&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText" align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Trata-se, sem dúvida, de um belo depoimento, compreensivelmente superior à concretização pessoal do seu conteúdo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas isso é tão-só uma contingência do ser humano: raramente conseguir erguer-se à altura dos seus ideais, dos seus valores mais queridos e exaltados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De qualquer forma, perdeu-se uma mulher decidida, denodada na luta por aquilo em que acreditava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desafortunadamente, no nosso hodierno acabrunhado Portugal, poucas restam de igual calibre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Paz à sua alma e condolências à família enlutada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 07 de Julho de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-4864924218274375991?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/4864924218274375991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=4864924218274375991' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4864924218274375991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4864924218274375991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/07/maria-jose-nogueira-pinto-nada-me.html' title='Maria José Nogueira Pinto : «Nada me faltará»'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-3544216243388685260</id><published>2011-06-01T23:21:00.001+01:00</published><updated>2011-06-01T23:24:00.084+01:00</updated><title type='text'>À Vista o Desejado Fim do Reinado Político de Sócrates</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Aproximando-se o dia da possibilidade de despedir Sócrates e a sua corte de incompetentes e trafulhas, não quereria deixar de lavrar aqui uma declaração antecipada de voto. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mesmo sem grande convicção ou sequer confiança suficiente em Pedro Passos Coelho, estou disposto a votar nele, como forma de pôr um ponto final no pesadelo da suposta governação socialista. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É imperioso afastar estes presunçosos, hipócritas, falsos socialistas, por demais incompetentes e abusadores da credulidade do Povo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Trata-se de uma condição sine qua non da hipótese de mudança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sem ela nada é possível, ainda que, por si só, não se constitua em condição suficiente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas é um princípio de esperança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cumpre desanuviar o horizonte político. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O voto no PSD pode representar este longamente ansiado momento de mudança de ambiente político, terminando com o já longo reinado da família falsamente socialista iniciado com o palavroso Guterres, em 1995. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Depois, veremos como se haverá a mudança política. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dê por onde der, agora, o prioritário é arredar Sócrates e a sua numerosa e incompetente corte política.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E respirar fundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 6pt" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 01 de Junho de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-3544216243388685260?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/3544216243388685260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=3544216243388685260' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3544216243388685260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3544216243388685260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/06/vista-o-desejado-fim-do-reinado.html' title='À Vista o Desejado Fim do Reinado Político de Sócrates'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-2671991520523615673</id><published>2011-05-08T20:30:00.003+01:00</published><updated>2011-05-08T20:38:33.900+01:00</updated><title type='text'>Eleições à Vista e A Racionalidade das Sondagens de Opinião Política</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As sondagens que têm sido divulgadas nos últimos dias, a merecerem credibilidade, traduzirão uma profunda desorientação do eleitorado português.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Muito vulnerável a uma acção de constante propaganda, exercida pelo partido de Sócrates, acolitado nesta missão pela surpreendente colaboração da maioria dos meios de comunicação social, com particular destaque para a RTP, principalmente o canal 1 e, na Rádio, a TSF, ainda mais colaborante com a propaganda «socrática» do que a Rádio do Estado, compreende-se, ainda que não se aceite, que o Povo dê estas provas de enorme confusão mental.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;Tudo isto, conjugado com a fraca prestação política do Chefe da Oposição, representa um perigo iminente para o actual Regime, que corre o risco de se revelar irreformável, se Sócrates continuar a receber a confiança eleitoral de parte significativa do eleitorado português.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;Se, por absurdo, o PS viesse a ganhar as próximas eleições de 05 de Junho ou, mesmo não as ganhando, viesse a receber uma votação bastante expressiva, o sofrimento do Povo conheceria ainda maior amplitude, coisa absolutamente indesejável e, moralmente, até injusta, porque a maioria dele não merece tamanha provação, não podendo ser responsabilizada pelo descalabro em que o País se acha.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As responsabilidades da presente desgraça caem prioritariamente sobre quem tem governado o País nos últimos decénios e, neste lapso de tempo, em particular ao PS, que governou sozinho quase ininterruptamente nos últimos 15 anos, em que até dispôs de uma maioria absoluta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;Daqui, por conseguinte, não se pode fugir, devendo tirar-se todas as consequências. As alternativas são fracas, é certo, mas o infractor tem de ser punido, não devendo nunca ser beneficiado, sob pena de completa subversão de qualquer raciocínio lógico, que logo seria entendido como assentimento do Povo para com a desgovernação de Sócrates.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quero crer que reside no Povo uma réstia de senso político, ético e cultural, que não o levará a reincidir no erro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nesta crença cumpre ficar, para preservação da nossa própria sanidade mental&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 07 de Maio de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-2671991520523615673?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/2671991520523615673/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=2671991520523615673' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2671991520523615673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2671991520523615673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/05/eleicoes-vista-e-racionalidade-das.html' title='Eleições à Vista e A Racionalidade das Sondagens de Opinião Política'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-2754455363630915037</id><published>2011-04-14T02:12:00.011+01:00</published><updated>2011-04-27T22:20:26.492+01:00</updated><title type='text'>A Controversa Escolha</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Todas as escolhas podem ser discutidas e a de Nobre também, naturalmente, ainda mais para a posição de cabeça de Lista de candidatos a Deputados por Lisboa, com a possibilidade de ser proposto para o cargo de Presidente da Assembleia da República, no caso de o PSD vir a ser o partido mais votado nas próximas eleições legislativas, único recurso de que este regime dispõe para animar ou entreter civicamente os seus cada vez mais penalizados cidadãos.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Acresce que a real valia política de Nobre na condução dos trabalhos parlamentares está por demonstrar. Uma campanha eleitoral como candidato a Presidente da República, sem apoios partidários, ainda que revele coragem cívica, não prova só por si capacidade política.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tudo isto pode ser aduzido para questionar a escolha de Nobre, por Passos Coelho, como parece estar a verificar-se no seio das estruturas do PSD, escolha ainda mais controversa pelo lugar cimeiro que lhe foi oferecido. Outra coisa muito diversa é a histeria levantada pelos simpatizantes socialistas de Nobre contra a sua atitude de homem livre, que decide colaborar politicamente com um partido do chamado arco constitucional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se a sua inclinação tivesse pendido para o lado socialista acaso se levantaria tanta aparente crispação dos seus antigos apoiantes ?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não creio que tal viesse a acontecer, a julgar pela frequente duplicidade de critérios que este sector de opinião tem demonstrado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mais humildade democrática e maior respeito pelas opções políticas de cada um, eis o que deve recomendar-se a estas almas exaltadas, supostamente socialistas, que melhor fariam em dirigir a sua animosidade para o deprimente espectáculo da repetida entronização do seu querido líder, o improvável socialista José Sócrates, de seu mal honrado, mal empregado nome, que sempre nos leva a hesitar a sua simples menção, pelo respeito que nos merece a memória do digno filósofo grego, imagem revertida de tudo quanto este sócrates indígena representa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 13 de Abril de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-2754455363630915037?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/2754455363630915037/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=2754455363630915037' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2754455363630915037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2754455363630915037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/04/controversa-escolha.html' title='A Controversa Escolha'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-2686565177365453103</id><published>2011-04-05T00:06:00.003+01:00</published><updated>2011-04-29T23:15:13.288+01:00</updated><title type='text'>A Negação da Política e a Obsessão de Sócrates</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;A partidarite é uma espécie de doença degenerativa da vida política, talvez a coisa mais parecida com o fenómeno da clubite, no mundo do Desporto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Tal como os fanáticos do Futebol, na realidade, não gostam especialmente deste desporto, mas apenas de um facto puro e duro, i.e., querem sempre que o seu clube ganhe, com mérito ou sem ele, com penalties inventados ou forçados, com lisura ou sem ela, também os fanáticos dos Partidos, os seus caciques, os seus dirigentes, maiores e menores, sobretudo, estes, que, na sua grande maioria, por mérito próprio dificilmente ascenderiam a lugares cimeiros da vida política, social ou empresarial. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Também esses deletérios agentes são o veneno da actividade política, nobre em si mesma, saliente-se, porque visa servir a Comunidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Até que isto seja comummente entendido, não haverá na Comunidade real possibilidade de regeneração, seja ela económica, política, social ou outra, pelo que, sob tão sinistro influxo, tal Comunidade continuará a degradar-se, a afundar-se, com mais ou menos produção de vozearia e chuva de acusações recíprocas, como ainda há pouco tivemos oacsião de ver exemplo elucidativo, na entrevista falhada do Primeiro-Ministro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Saliento nela a sua obsessão em atacar todo o tempo o PSD e só este Partido, apesar de os demais partidos terem rejeitado o PEC IV, por ele erigido em derradeiro instrumento de salvação do País, como o haviam sido o III, o II e o I. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Pouco respondeu às perguntas dos jornalistas, que me pareceram apostados em fazer o seu trabalho, denotando preparação prévia para o que julgavam dever tratar-se : uma entrevista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Em vez disso, porém, foram contemplados com extensos monólogos do PM, quase sempre desligados das perguntas formuladas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;José Sócrates esteve sempre em Propaganda frenética, debitando a sua cassete predilecta : o País ia bem, mas o PSD destruiu esse caminho de recuperação em curso; toda a crise nacional resulta da internacional, agravada pela oposição anti-patriótica do PSD. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;E daqui não sai. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Quanto tempo teremos ainda de aturar esta demência governativa ? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Quosque tandem... ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-PT" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 04 de Abril de 2011&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-2686565177365453103?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/2686565177365453103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=2686565177365453103' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2686565177365453103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2686565177365453103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/04/negacao-da-politica-e-obsessao-de.html' title='A Negação da Política e a Obsessão de Sócrates'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-8620978399098812069</id><published>2011-03-23T22:09:00.002Z</published><updated>2011-04-29T23:14:19.302+01:00</updated><title type='text'>O Trigo e o Joio, a propósito do Desacordo Ortográfico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Assiste-se, no presente, a uma profusa circulação mediática de textos, uns humorísticos outros mais sérios, sobre as alterações ou inovações do controverso Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, mais se diria um inoportuno desacordo sobre a grafia do idioma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Alguns destes textos surgem-nos escritos em português pouco menos que sofrível, outros veiculando notórios equívocos, como o da presunção de que escrever bem consiste em escrever sem erros ortográficos, esquecendo ou ignorando que a ortografia assenta essencialmente em convenção partilhada por certa comunidade, não evidentemente uma convenção qualquer, porque, no domínio linguístico, ela tem de incorporar vários compromissos entre a etimologia e a evolução fonética da língua falada por essa comunidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Esta língua comum, primitivamente de mera relação, para fins práticos, vai sendo alterada, adaptada pela comunidade que a fala ao seu modo específico de pensar e de sentir, sob a influência de um largo conjunto de factores desde os geográficos, aos históricos, políticos e culturais que hão-de torná-la, de simples meio de comunicação, em veículo preferido de expressão estético-literária. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;A polémica do Acordo Ortográfico, todavia, para além de motivar a produção de textos humorísticos, com frequência falhados, broncos no seu aspecto final, pela falta de inteligência ou de sensibilidade artística dos seus autores, pode e deve também servir para analisar alguns problemas relacionados com o uso e com a aprendizagem do chamado idioma pátrio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Poderemos começar por dizer que para nós, portugueses e africanos, o Acordo de 1990 tem poucas vantagens, sendo a principal a adopção de uma Ortografia única, i.e., comummente válida em Portugal, no Brasil e, por extensão, em todo o sítio do planeta em que se ensine o Português, acabando com o dilema da escolha de uma das suas duas ortografias oficiais, por parte dos estrangeiros que desejem aprender o nosso idioma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Mas, juntamente com essa vantagem, traz também o Acordo, no seu bojo, variados e alguns graves inconvenientes, que reduzem ou mesmo anulam aquela aludida vantagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Custa a crer que tal Acordo tenha sido patrocinado, entre nós, pelo Prof. Malaca Casteleiro, cuja competência em matéria linguística quase todos lhe reconhecem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;É, na sua essência, por muito que a crítica desagrade ao Prof. Malaca, uma vincada aproximação da ortografia portuguesa à versão que vigora no Brasil desde 1943, no que não pode deixar de considerar-se uma clara cedência política e cultural de Portugal em relação ao Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Convém, a propósito, recordar que Portugal se tem regido pela Ortografia aprovada conjuntamente com o Brasil em 1945, segundo o Acordo então firmado, que o Brasil inicialmente homologou e depois revogou, na sequência de enorme celeuma levantada, no seu Senado, em que, à mistura com o Acordo, segundo consta o anedotário, os distintos Senadores brasileiros consumiram largo tempo a discutir os malefícios da colonização lusitana e o ouro levado do Brasil, no tempo de D. João V, etc e tal, como invariavelmente acontece nas acesas discussões linguísticas entre os nossos putativos irmãos de fala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;A maior justificação que os brasileiros então apresentaram para a rejeição do Acordo de 1945 foi que ele, apesar de conjuntamente elaborado e formalmente assinado pelos membros da sua Comissão Técnica, enfermava de doutrina linguística claramente pró-portuguesa, tendo-se os membros brasileiros da Comissão Técnica deixado levar pelos argumentos da outra parte, talvez por serem dotados de espírito ou sentimentos demasiado lusófilos, coisa, por alegre tradição, sempre vista com reserva ou suspeição, em terras de Vera Cruz. Daí que tivessem dado o dito por não dito e voltado com a palavra atrás. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Ficaram apegados, entre outras preciosidades, ao seu querido trema, grafando, p. ex., tranquilo, com os dois pontinhos em cima do u, para assinalar a pronunciação daquela vogal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;No mais, trocaram os acentos agudos, por «chapéus» (económico por econômico, por ex.), em obediência à pronúncia deles, argumento que desvalorizo em extremo, e eliminaram as chamadas consoantes mudas, o que para eles não traria consequências na forma de falar, já que, por regra, abrem todas as vogais e distinguem todas as sílabas, tónicas e átonas, na sua peculiar forma de falar, na verdade, mais clara que a nossa, reconheça-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Para nós, haverá o perigo de ainda maior fechamento da nossa oralidade, visto que, na maioria dos casos, o c e o p escritos, mas não pronunciados, lembram a necessidade de abrir as respectivas vogais que os antecedem, como em projecto, que, em Portugal, adoptando-se a nova ortografia, facilmente passará a ser pronunciado projêto e optimismo, que tenderá a ôtimismo, na fala, tornando o português europeu e africano, mas sobretudo o europeu, cada vez menos perceptível ao ouvido estrangeiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Há ainda outras incongruências, como, por ex., o que acontecerá com o vocábulo recepção, que em Portugal, uma vez que o p não se pronuncia, passará a ser escrito receção, com risco visível de passar a ser pronunciado de forma igual a recessão, embora no Brasil, que pronuncia o p, ele continue a escrever-se recepção, veja-se o absurdo, que se repete noutras situações, como no caso do Egipto/Egito, que, não obstante, conserva o p no gentílico, egípcio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Enfim, a pretensão de subordinar a escrita à oralidade, alegadamente para facilitar a aprendizagem da Língua, sempre me pareceu fraco argumento, porque, a ser seguido com rigor, conduziria a adoptar tantas ortografias quantas as particulares pronúncias de cada região : uma minhota, outra transmontana, outra beirã, outra alentejana, outra algarvia, outra madeirense, outra açoriana, etc., etc., etc., para só mencionar a variação existente no pequeno espaço geográfico em que Portugal se formou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Para a coesão do idioma, mais importante do que a ortografia é a sintaxe, em que a divergência luso-brasileira não pára de se alargar, principalmente por violação sistemática das regras gramaticais do Português, na boca da população brasileira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Tenha-se em atenção que a nomenclatura gramatical brasileira regista diferenças insignificantes da nossa, obrigando, por isso, os brasileiros a ensinarem e a aprenderem bem o idioma, sem admissão de erros sintácticos clamorosos, como os ouvidos nas Telenovelas : « Você já falou com teu Pai ? » ou « Eu vou lhe ver no cinema e depois te explico » e outras lindezas do género.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Poderia continuar, mas tornar-se-ia demorada a dissertação, bastando para o efeito, julgo, os exemplos apontados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Em suma, a sua aplicação em Portugal, não será certamente o fim do Mundo, mas poderíamos ter alcançado um Acordo melhor ou um Acordo autêntico, em lugar deste demasiado incongruente Acordo, que mais parece promover um abrasileiramento da ortografia usada por Portugueses e Africanos, sendo de realçar que estes últimos têm seguido a Norma Portuguesa e não mostram nenhum entusiasmo com a pretendida mudança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Cumpre ainda relembrar que o próprio Acordo de 1990 impunha, para a sua entrada em vigor, a elaboração de um Vocabulário Ordinário comum, bem como outro de termos técnicos especializados, onomásticos, topónimos, etc., coisas que não existem ainda, nem sequer em preparação, continuando cada país a forjar os seus vocabulários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Por tudo isto, mereceria a pena tentar fazer um verdadeiro Acordo Linguístico, sem manias de autoridades prevalecentes, escudadas na História ou no número de falantes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Parece faltar ousadia para tanto, por rarearem figuras de sólido prestígio nesta área, não só pelo conhecimento, como pela obra produzida, em geral escassa, mesmo quando valiosa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Em 1945, do lado português, pelo menos, estávamos muito mais fortes, em nomes e em obras, a começar pela figura do coordenador da nossa representação, o Prof. Francisco Rebelo Gonçalves, Catedrático de alto prestígio em Portugal e no Brasil, onde também leccionara, senhor de vasta obra no campo da Filologia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Cabe ainda dizer que, se os Portugueses não aderirem ao presente Acordo, não farão nada diverso do que fizeram os Brasileiros em relação ao de 1945.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 20 de Março de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-8620978399098812069?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/8620978399098812069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=8620978399098812069' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gostaria de chamar a atenção para o Programa «Câmara Clara» que Paula Moura Pinheiro apresenta aos Domingos à noite na RTP2.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vejo este interessante programa com regularidade, por considerá-lo boa oportunidade de distensão espiritual, combinando diversão, conhecimento e divulgação de acontecimentos e iniciativas artísticas e culturais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em particular, gostaria de enaltecer a sessão do passado Domingo, dia 06-03-2011, dedicado à evocação de Serge Gainsbourg e da música ligeira francesa, em geral.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como sabemos, a música ligeira francesa, como de resto a italiana e a espanhola, foram, desde há décadas, quase inteiramente arredadas da nossa Rádio e TV, que, por regra, privilegiam a passagem de música anglo-americana, raramente de qualidade aceitável, sobretudo a de produção mais recente, sob o pretexto de assim corresponderem ao gosto dos ouvintes e dos telespectadores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como resultado, estes restringem cada vez mais o seu universo de preferências e acabam por ficar embotados no gosto, fechados à variedade musical e cultural.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É de esperar que Paula Moura Pinheiro venha a dedicar idêntico programa à música italiana e espanhola dos anos 50, 60 e 70 do século passado, igualmente ricas em qualidade lírica e melódica, pela natureza poética das letras que sustentavam e ajudavam a memorizar as agradáveis canções dessa época.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Programa ganha também realce pela categoria intelectual, criativa e empreendedora dos entrevistados, normalmente de plano elevado, que, todavia, convém deixar falar prioritariamente, justamente pelo seu conhecimento dos assuntos tratados, como pelo seu especial empenho na divulgação dos mesmos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ressalto, por conseguinte, a necessidade de alguma contenção verbal por parte de quem entrevista, evitando esmagar os entrevistados, com as suas longas introduções e frequentes interrupções dos discursos dos convidados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Daqui remeto viva saudação à autora do Programa, bem como ao discernimento de quem o aprovou e lançou no ar, para fruição de um público porventura minoritário, mas por certo mais exigente, que busca na RTP2 raro refúgio da excessiva produção de divertimentos pueris e falatórios sortidos, geralmente idiotas, quando não mesmo alienantes, com que as TV costumam brindar os seus sofridos telespectadores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ante o desalentador panorama das programações televisivas, por certo em grande parte responsáveis pelo hodierno embrutecimento das massas, oxalá reversível num futuro não demasiado distante, cumpre distinguir e saudar a existência na TV deste trabalho de Paula Moura Pinheiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 13 de Março de 2011&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-6873930123875630540?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/6873930123875630540/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=6873930123875630540' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6873930123875630540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6873930123875630540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/03/camara-clara-quase-um-oasis-na-tv.html' title='«Câmara Clara» – Quase um Oásis na TV'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-5661461750053254543</id><published>2011-03-08T18:01:00.006Z</published><updated>2011-05-03T23:25:58.725+01:00</updated><title type='text'>Os Jovens e o Momento Presente</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Interrompo hoje demorada ausência neste fórum, para me referir à anunciada manifestação de jovens no próximo Sábado, dia 12 de Março de 2011, praticamente 37 anos depois da sempre invocada Revolução de 25 de Abril do já longínquo ano de 1974, quando tudo nos parecia risonho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Pouco a pouco temos perdido todas as ilusões de então e já quase só retemos a pretensão de um regime democrático, na sua essência política, porque, na vertente económica, se instalou uma situação muito mais perversa que a conhecida de antes daquela data revolucionária.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Como muitas vezes aqui repeti, desde 2004, quando comecei a exprimir opiniões políticas neste espaço, existem no presente iguais ou eventualmente até maiores motivos de indignação dos cidadãos, que os tão repisados queixumes e diatribes da velha guarda «anti-fascista» contra o regime derrubado em 1974.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Do ponto de vista económico, creio já não restar dúvida a ninguém, pelo menos a quem não se mova politicamente por mera inclinação ideológica, com a agravante de hoje se reclamar contra um Poder que se proclama democrático, quando já nem formalmente assim se nos afigura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Tomado por castas sucessivas de mandantes de coloridos políticos supostamente diversos, mas, no essencial, semelhantes, i.e., no açambarcamento da representação política e na distribuição de benesses, a coberto da legitimidade eleitoral, o presente regime cavou o seu indesfarçável descrédito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Acresce que, neste ponto do domínio da representação política, o Partido dito Socialista excede tudo o que outros antes praticaram e, com a ascensão de Sócrates, o despudor da ocupação do Estado, por nomeação política, tornou-se desmedido, na exacta dimensão da falta de ética do actual Secretário-Geral do dito Partido Socialista, que tem sido levado às costas por enorme compadrio dos agentes da Comunicação Social, os mesmos que, nos anos finais do Cavaquismo, arrepelavam cabelo e carnes contra os abusos da governamentalização da sociedade portuguesa por parte do PSD. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Logo que se deu a entrada em cena governativa do «Socialismo», pela mão do facundo Guterres, tão eloquente quanto demagogo, inconsistente e tíbio na acção, houve como que uma anestesia geral da Comunicação que levou anos a ganhar alguma objectividade analítica e, só muito recentemente, depois do descalabro socretino, parece finalmente desperta para tanta vigarice política, de funestas consequências económicas e sociais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Depois de se terem instalado maciçamente no aparelho de Estado, nos organismos públicos, nas Fundações, nos Gabinetes Sociais, nas Universidades Públicas e Particulares, em Bancos públicos e privados e até, pasme-se, em Empresas criadas e conduzidas por iniciativa de particulares, os vastos tentáculos socretinos, ei-los que gritam agora aos quatro ventos a proximidade da falência do Estado e a responsabilidade dos seus adversários na iminente desgraça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Custa a crer que a sem-vergonha haja subido tão alto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Como corolário da delapidação dos magros recursos do Estado, incapaz de sustentar tão larga família parasitária, surge uma geração desesperada pela falta de perspectivas da sua vida presente e futura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Confiados nos seus diplomas universitários, muitos deles, reconheça-se, da maior fragilidade, pela fraca credibilidade das instituições em que foram obtidos, também aqui, em grande parte, por incúria do Poder Político, que autorizou prodigamente a abertura de Universidades privadas, sem se preocupar com a qualidade do Ensino aí praticado, sem ter fiscalizado, como lhe competia, o seu funcionamento pedagógico e administrativo, sentem-se agora estes jovens profundamente ludibriados, atirados para ocupações de recurso, mal pagas e sem contratos que lhes assegurem um mínimo de conforto e dignidade nas suas vidas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Como alternativa, resta-lhes o voto com os pés, expressão que os velhos «anti-fascistas» gostavam de utilizar para caracterizar a forte corrente migratória dos anos 60 do século passado, já prestes a ser igualada, se não superada, não fora o menor crescimento económico dos países tradicionalmente elegidos pelos portugueses para emigrarem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Se por um lado devemos saudar a afirmação de consciência cívica por parte destes jovens, por outro, deveremos lembrar-lhes que todas as gerações tiverem de enfrentar as suas dificuldades típicas do momento em que entraram no Mercado de Trabalho. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Pode discutir-se a questão da maior ou menor dificuldade das situações que cada geração houve de arrostar, sendo certo que, para quem se encontra à beira do desespero actual, o consolo de ouvir os mais velhos falarem dos maiores obstáculos que, no seu caso, acharam pela frente, será sempre de escasso ou de nulo efeito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Ainda assim, convém lembrar que os jovens do início dos anos 70 tinham diante dos olhos o espectro de uma Guerra em África, lá longe, sem empregos antes de cumprirem o serviço militar, então obrigatório e de, em regra, 48 meses, de onde se regressava, os que regressavam, sem garantias nenhumas de emprego, sem nenhuma solidariedade manifestada pelo Estado ou pelos particulares, sem qualquer recompensa por terem participado num esforço combatente imposto pelo Estado como indiscutível, tudo isso configurando uma realidade bem dura, que nada perde em crueldade comparada com a que hoje as novas gerações estão vivendo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Só o idealismo então prevalecente contribuia para suavizar a dureza da situação e aqui reside, a meu ver, a diferença capital : havia nesse tempo clara esperança em dias melhores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Para uns seria o Socialismo, sistema político-económico que superaria as deficiências do Capitalismo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Para outros, ela estaria no próprio Capitalismo, suavizado, na sua natureza amoral, pela Social-Democracia actuante, que havia criado sociedades de abundância económica, de conforto social, de dinamismo científico, tecnológico e cultural, em ambiente de plena tolerância política, religiosa e moral, como nunca se havia conhecido na Europa ou em qualquer outra parte do Mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Por se ter perdido esta perspectiva de reforma progressiva, de sentido melhorista, é que nos achamos hoje em piores circunstâncias e daí que se seja nosso dever compreender, animar e ajudar as novas gerações, incentivá-las a encontrar o seu caminho, acreditando nas suas capacidades, no seu senso ético, na sua responsabilidade em modificar o que está mal edificado, mal concebido e mal orientado, para servir a Humanidade, que, na sua aventura terrena, não o esqueçamos, deve lutar para ser feliz, para alcançar o seu quinhão de felicidade compatível com as limitações do planeta e com o dever de solidariedade geral para com o seu semelhante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Aqueles que não se revêem nos actuais Partidos Políticos, se não estão dispostos a lutar dentro deles para a sua transformação em organizações mais sãs e socialmente mais eficazes, devem ousar criar novas estruturas de intervenção política e social, abandonando pretensões quiméricas a esquemas e manhas de salvação egoístas, que não resolvem nada de fundo, nem de duradouro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Cumpre no entanto que estejam vigilantes para não embarcarem em utopias historicamente falhadas, amplamente demonstrado o seu embuste, pelo sacrifício de milhões de seres humanos, muitos deles sinceramente crentes nesses supostos ideais salvíficos, na verdade, perversamente iludidos, de que a custo se livraram, no final do século XX. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Refiro-me evidentemente à utopia socialista-comunista de inspiração marxista-leninista, que teve na antiga URSS a sua máxima expressão de esperança defraudada, ao fim de 74 anos de enorme restrição de liberdade individual, de pobreza generalizada, a troco de uma suposta fortaleza militar, no final, improdutiva, corrupta e que se revelou incapaz de assegurar a própria coesão do Estado que a ergueu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Tudo isto é História do século XX, que, no entanto, cumpre conhecer, ter sempre presente, para evitar novas desilusões, novos desastres, tanto quanto a Humanidade pode precaver-se no seu incerto devir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p lang="pt-PT" class="linha-de-referência" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;AV_Lisboa, 08 de Março de 2011&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-5661461750053254543?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/5661461750053254543/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=5661461750053254543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/5661461750053254543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/5661461750053254543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/03/os-jovens-e-o-momento-presente.html' title='Os Jovens e o Momento Presente'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-6701012267128355424</id><published>2011-01-27T21:42:00.005Z</published><updated>2011-01-28T12:37:54.079Z</updated><title type='text'>Perspectiva Pós-Eleitoral</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Terminou a tagarelice eleitoral, com o desfecho previsível : vitória folgada de Cavaco Silva à primeira volta, apesar de ter baixado a votação alcançada há 5 anos, quase menos 500 000 votos, mesmo assim, com mais do dobro dos votos do segundo classificado, Manuel Alegre, que perdeu cerca de 300 000 votos, em relação ao número atingido em 2006.&lt;/div&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;A abstenção dominou o panorama, traduzindo o alheamento ou o desinteresse da população com a Política, maioritariamente servida por maus intérpretes, desgastados, desacreditados e inevitavelmente desdenhados pela maioria do eleitorado.&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Alegre iludiu-se com a aliança firmada com Sócrates, que, no final da noite, o abandonou à sua sorte de perdedor. &lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Sairam-lhe furadas as perspectivas de vitória, sustentadas por apoios tão díspares e contraditórios, como os representados pelo radical Louçã e pelo «socialista moderno», neoliberal, José Sócrates, que continua a destruir o Estado de Bem-Estar Social, agora com o rebaixamento das indemnizações aos trabalhadores despedidos, que, no futuro, ainda terão de contribuir para o fundo colectivo das suas próprias indemnizações, aliviando significativamente os encargos das Entidades Patronais. Mais uma maravilha da «governação socialista» socrática.&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Entretanto, Sócrates prepara-se para se ver reeleito líder do PS, não se vislumbrando ninguém que lhe dispute o lugar. &lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Carrilho talvez se afoite, para salvar a honra daquele destroçado convento «socialista», já que Alegre abandonou levianamente essa luta, única coisa politicamente válida que ainda poderia fazer e pela qual muitos, mesmo seus adversários ideológicos lhe ficariam gratos. &lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Ajudar a arredar alguém tão desacreditado como Sócrates seria um trabalho largamente meritório, para a sua família política e, por extensão, para os demais portugueses. &lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;O destino da Social-Democracia, em Portugal, com um PSD permanentemente subjugado ao ideário neoliberal e um PS entregue ao oportunismo e à incompetência socrática, parece assim obscurecer-se de vez, com o confirmado desvirtuamento dos dois grandes partidos moderados, centrais no espectro político, tradicionalmente vocacionados para encarnar, entre nós, a solução social-democrática.&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Resta a esperança de que, ao menos, surja gente tecnicamente mais competente e eticamente mais válida, para orientar estes claudicantes partidos, os chamados Partidos de Poder, por excelência.&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Fora desta hipótese, só a fundação de novas organizações políticas, sob a forma partidária ou na de qualquer plataforma frentista, pode permitir ensaiar tal esperança.&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Mas para tal acontecer, é necessário que se descubram figuras carismáticas, libertas de passado comprometedor, dispostas a arrostar com as presentes dificuldades.&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Se nada disto ocorrer, preparemo-nos para um lento, mas contínuo empobrecimento colectivo, sem garantias democráticas, ao cabo da geral penúria : material, espiritual, ética, cívica e cultural.&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;Quem me dera que tudo isto fosse só pessimismo...&lt;/p&gt;&lt;p lang="pt-PT" style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"&gt;AV_Lisboa, 27-01-2011&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-6701012267128355424?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/6701012267128355424/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=6701012267128355424' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6701012267128355424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6701012267128355424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2011/01/perspectiva-pos-eleitoral.html' title='Perspectiva Pós-Eleitoral'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-256505884276997781</id><published>2010-11-07T22:25:00.002Z</published><updated>2010-11-08T19:45:34.527Z</updated><title type='text'>Interlúdio Crepuscular da Nação Soberana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há cerca de três meses deixei aqui uma memória africana que deverá ter, em breve, a sua continuação, em particular, para tratar do caso ignominioso de Omar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenciono, como disse anteriormente, contestar a versão apresentada por Almeida Santos, nas suas «Quase Memórias», para pôr de manifesto as suas debilidades, a meu ver, filhas do seu antigo e sempre reafirmado filo-frelimismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, neste lúgubre trimestre, Portugal prosseguiu a sua marcha descendente para o abismo, sob a forma de uma situação de pré-bancarrota económico-financeira, suprema glória da desastrada governação de José Sócrates e da sua inqualificável corte de apaniguados, festivamente designada de socialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repetidas vezes, desde 2005, aqui mesmo, a esta tragédia me referi, sobretudo depois da inenarrável entrevista de Sócrates na RTP, em 2007, em que pretendeu desagravar-se de supostas calúnias, postas a circular na comunicação social e na internet, sobre a sua rocambolesca passagem pela Universidade dita Independente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa estrepitosa entrevista televisiva, não logrou Sócrates esclarecer as manhosas circunstâncias em que teria obtido a sua fantástica licenciatura em Engenharia Civil, na tal Universidade, entretanto encerrada, por múltiplas falcatruas e completa falta de idoneidade no campo educativo ou noutro qualquer, a que se presume que uma Universidade deva dedicar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem com o auxílio de uma extensa rede de agentes comunicativos estipendiados para promoverem a sua incompetente e nociva acção governativa, foi possível a tantos destes alquimistas políticos transformar o seu pechisbeque de feira, no almejado ouro de lei governativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nosso possível refrigério, parece já não poder durar muito o presente pesadelo. Todavia, os danos entretanto produzidos foram enormes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa a acreditar como pudemos cair tão baixo, em todos os planos da nossa vida colectiva, a começar no da honra, como se sabe, trincheira a partir da qual, quando se vacila, tudo o mais se desmorona e irremediavelmente se perde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, com tudo aquilo de errado que fizemos nos últimos quinze anos, principalmente, já nem merecíamos viver em Democracia. Nela ainda vivemos, apenas por condescendência ou inércia de outros Poderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só por obra de uma profunda regeneração colectiva, nacional, voltaremos a ganhar a dignidade de nação soberana, porventura ainda mais empobrecida, mas capaz de se fazer respeitar, no conceito das demais nações, as da união política a que pertencemos e as do mais vasto mundo, que noutro tempo, hoje mais do que nunca saudoso, desbravámos e até conquistámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste ocaso para tão alto esforço de distantes gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando iniciaremos, nós outros, Portugueses envergonhados, a imperiosa Regeneração da nossa martirizada Pátria, que já foi mãe de tanta gente ilustre, nobre e honrada ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como pode uma Nação de dez milhões de almas, com quase 900 anos de existência, com alguns incontestados períodos de brilho e de glória, consentir em ser representada por gente técnica, cultural e eticamente tão mal apetrechada ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meditai, Portugueses, neste insuportável vexame !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 07 de Novembro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-256505884276997781?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/256505884276997781/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=256505884276997781' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/256505884276997781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/256505884276997781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/11/interludio-crepuscular-da-nacao.html' title='Interlúdio Crepuscular da Nação Soberana'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-4582437343127942861</id><published>2010-08-04T12:19:00.006+01:00</published><updated>2010-08-27T11:54:38.956+01:00</updated><title type='text'>Memória Africana I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos os anos, quando chega o período maior de férias, no Verão, a memória de África regressa-me em força. O lazer, o calor, as noites estreladas e silenciosas avivam-me as lembranças da vida algo aventurosa que levei em Moçambique, nos anos de brasa de 1973-74.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que começa a ser tempo de fixar no papel algumas impressões e pontos de vista pessoais, aqueles que só o próprio os pode dar. Não lhes chamo Memórias, porque serão apenas episódios, apontamentos, pequenas reflexões daquele memorável tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distância dos acontecimentos já admite alguma serenidade reflexiva e, entretanto, a experiência acumulada confere maior objectividade aos nossos juízos comparativos de acções e atitudes então experimentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo que é, inquestionavelmente, inexorável escultor vai modelando, apurando, o sentido crítico dos factos memorados, ganhando-se em perspectiva o que, inevitavelmente, se perderá em pormenor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita coisa sobre a experiência africana, da guerra que Portugal aí sustentou, em três teatros distintos, separados por milhares de quilómetros, num esforço surpreendente para a sua dimensão e para os seus recursos, tem nos últimos anos vindo a lume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a forma de Memórias ou em versão ficcionada muita matéria tem sido publicada. Pode dizer-se que os historiadores do futuro ficarão com o trabalho facilitado perante tanta matéria-prima já produzida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o conflito e nos primeiros anos após o seu termo, pouca coisa apareceu sobre o assunto. Antes de Abril de 1974, era difícil que os relatos dessa experiência vissem a luz do dia, excepto se fossem inteiramente concordantes com a Política de então, não democrática, como sabemos, mas tão-pouco tenebrosa, sobretudo na sua fase derradeira, com Marcello Caetano, em que alguma contestação já era ousadamente praticada, sem a correspondente severa repressão do tempo de Salazar, mesmo se as principais estruturas e instrumentos dela, contraditoriamente com a descompressão política anunciada pelo próprio Caetano, permaneciam em vigor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém dizer, todavia, que mesmo com Salazar, a censura prévia não se aplicava à publicação de livros, mas apenas à Imprensa, embora, após a sua edição, os livros pudessem vir a ser apreendidos, resultando daí prejuízo directo para o Editor, bem como para o autor, na forma de processo judicial ou policial, eventualmente incluindo processo na PIDE/DGS, a Polícia política do Regime, com prisão, muitas vezes com sujeição a maus tratos e tortura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste enquadramento, era natural que os possíveis autores das memórias africanas não afectos ao Regime refreassem a sua vontade de as pôr por escrito. Além disso, o conflito decorria ainda e a sua perspectiva histórica também ainda se achava em formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo a seguir ao 25 de Abril, essa perspectiva tornou-se mais rapidamente perceptiva. Apesar de se viver em Liberdade, algo condicionada, no entanto, para os desafectos ou descrentes das risonhas visões socialistas do futuro, vivia-se sob o influxo de certo constrangimento cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ele, ficava, na sociedade portuguesa, forçosamente diminuída a expressão de visões discordantes das revolucionárias dominantes, que, retenha-se, exaltavam tudo o que denegrisse o anterior regime, mesmo se partindo de confessados inimigos dos interesses de Portugal, mesmo se com isso se agredisse o próprio amor pátrio, então visto permanente e obsessivamente como suspeição de pró-salazarismo, quando não mesmo como manifestação de simpatia por qualquer regime de tipo fascista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse clima de euforia revolucionária permitia absurdos como a glorificação de regimes altamente repressivos, desde que se denominassem «socialistas» ou «democracias populares», que de democracia nada tinham e, quanto a populares, estes regimes primavam pela mais fria repressão de qualquer tipo de contestação, cívica que fosse, porque sempre seria apodada de «subversiva», «a soldo do imperialismo» e outras amenidades do estilo corrente na época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-nos hoje inacreditável, como tanta gente, alguma com altas responsabilidades políticas e culturais, pessoas de indubitável valor intelectual, com méritos firmados em vários domínios da arte e da ciência, agiram com inteira cegueira política, subvertendo os ideais que eles próprios haviam invocado na luta que haviam travado contra um regime político que reputavam ditatorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, como depois se tornou evidente para muitos, aqueles outros regimes que esta gente apoiava pelo mundo fora, os ditos socialistas ou os designados de democracias populares, revelavam-se incomparavelmente mais repressivos, muito mais cerceadores das liberdades individuais, com economias igualmente muito mais depauperadas, do que o regime que vigorava em Portugal, no tempo de Salazar e Caetano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jovens dos anos 70 levaram algum tempo a perceber estas verdades comezinhas, enquanto durou aquela espécie de embriaguez revolucionária saída do 25 de Abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só depois de Novembro de 1975, com a vitória dos militares moderados sobre os revolucionários, na tentativa de golpe por estes ensaiada, a normalização democrática permitiu a serena confrontação de ideias e o juízo equilibrado das alternativas políticas em disputa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que concerne à questão africana, base da principal contestação política final ao regime de Salazar-Caetano, tem de reconhecer-se a falta de visão política dos dirigentes ante-abrilinos, apesar de toda a experiência e maturidade supostamente neles presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo desfrutado de longa tranquilidade política nos nossos territórios do ultramar, enquanto iam assistindo às independências das colónias africanas e asiáticas da Inglaterra, da França e da Holanda, na sequência do fim da 2.ª Guerra Mundial, concedidas de boa ou de forçada vontade, os governantes portugueses não aproveitaram, todavia, esse precioso período de tempo para preparar uma adequada e exequível alternativa política, que acautelasse os interesses de Portugal e de todos os cidadãos que lá viviam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo acreditando no sentimento de particular afeição dos portugueses pelas terras africanas e asiáticas, era estrita obrigação dos governos de Salazar e Caetano acompanharem a alteração política que se ia desenhando no Mundo, relatiavamente aos domínios coloniais europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recusa em encarar qualquer solução política para os territórios coloniais que saísse fora do quadro da Constituição de 1933, deixou Portugal irremediavelmente amarrado a uma posição de rigidez insustentável no plano internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que as pressões que Portugal ia sofrer para conceder a independência a esses territórios, principalmente por parte de Americanos e Soviéticos, não eram inocentes, antes resultariam dos interesses que essas mesmas potências sobre eles nutriam, accionando para tanto os seus respectivos peões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, sempre os territórios portugueses de além-mar foram cobiçados. O episódio do mapa cor-de-rosa, que culminaria no Ultimato inglês de 1890, com efeitos acentuadamente traumáticos na consciência popular, habilmente explorados pelos republicanos para desacreditar o regime monárquico, foi mais uma demonstração dessa velha cobiça internacional, que nem a aliança mais antiga da Europa conseguiria esconjurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, caberia a Portugal compreender as circunstâncias políticas sob as quais os territórios poderiam ser mantidos, competindo-lhe estudar a melhor maneira de defender os seus interesses e os dos seus cidadãos, nas diferentes conjunturas políticas que começavam a tomar corpo no mundo saído da Guerra de 1939-45.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura, os Movimentos de Guerrilha, também chamados de Libertação, eram incipientes ou nem sequer existiam ainda. Poderia ter havido alguma abertura política, no sentido de os fazer participar na administração dos territórios, permitindo a sua formação à luz do dia, em pé de igualdade com os demais cidadãos que aí viviam, brancos, pretos e mestiços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa convivência política poderia servir para fomentar uma ulterior independência, com outra estruturação económica dos territórios e com plena manutenção da população europeia neles residente, factor fundamental para o desenvolvimento económico-cultural dos futuros estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se porventura viesse a haver rejeição destes propósitos integracionistas, por parte dos referidos Movimentos, eles próprios se achariam depois em maus lençóis, desacreditados, e facilmente poderiam ser denunciados como agentes de interesses políticos alheios, como, na realidade, já se revelavam, pela inclinação ideológica perfilhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que, para que tivesse havido essa iniciativa política na questão africana, da parte de Portugal, era preciso que também aqui, na Metróplole, se desse a desejada abertura democrática. Neste ponto, porém, Salazar permaneceria inflexível, desperdiçando oportunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Marcello Caetano, tal abertura afigurou-se possível, embora para a resolução do problema africano ela surgisse já um tanto atrasada no tempo, com a situação militar bastante degradada, sobretudo na Guiné e nalguns distritos de Moçambique, principamente nos de Cabo Delgado e Tete. Todavia, nada que não pudesse ser revertido, tivesse havido política inteligente e determinada para a enfrentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imobilismo político de Salazar e Caetano teimava em ignorar a falta de adesão dos portugueses a uma Guerra que ameaçava prolongar-se indefinidamente, convivendo bem o regime com essa falta de convicção guerreira, conquanto as defecções das gerações em idade militar se mantivessem em níveis baixos ou moderados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a corrupção da máquina militar avançava perigosamente, pagando-se para se obter especialidades não combatentes, pagando-se para fugir à mobilização para o Ultramar, metendo-se cunhas para, uma vez mobilizado, não se ir para o mato, etc., etc. Tudo isto era do conhecimento geral, incluindo, obviamente, das chefias militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de 1968-69, sobretudo, com a entrada de Marcello Caetano, em Setembro de 1968, na Presidência do Conselho de Ministros, surgia um forte desejo de abertura e de reformismo, ao mesmo tempo acompanhado de uma onda de contestação juvenil internacional, muito acirrada, sobretudo, nos EUA e em França, tudo redundando numa insofismável quebra de espírito combativo, cada vez mais acentuada, só contrariado nas Tropas Especiais : Comandos, Pára-Quedistas e Fuzileiros Navais, que manteriam, até ao súbito desfecho de Abril de 1974, notável grau de aptidão para combate, de resto, reconhecido pelo próprio inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forte mística destas Forças, sustentada no exemplo, no empenhamento, directo e destemido dos seus comandantes, criava nelas um ambiente de alta coesão e operacionalidade, muito distante daquilo a que se assistia na chamada tropa normal, de quadrícula, crescentemente desmotivada, mal instruída, mal preparada e mal enquadrada, mas, em todo o caso, fundamental como objecto de ocupação efectiva do território e como elemento de contacto directo da Administração com as populações indígenas, cuja cooperação e simpatia se procurava atrair e conservar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso específico de Moçambique, nos anos que precederam o golpe revolucionário de Abril de 1974, apenas num breve período final de esforço militar, entre 1970 e 1972, com a passagem de Kaúlza de Arriaga pela Chefia suprema das Forças Armadas, em Moçambique, esse esforço combativo se manifestou em pleno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, só com o lançamento por parte de Kaúlza de Arriaga da célebre Operação Nó Górdio, com envolvimento de poderosos e numerosos meios de combate, foi possível infligir danos significativos nas forças e nas infra-estruturas da Frelimo em Cabo Delgado. No campo estritamente militar, nada de semelhante, todavia, teve sequência, voltando-se depressa à anterior rotina da apatia militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que a avaliação isenta da actuação deste General está por fazer, tendo a sua inclinação política algo extremista e de pendor racista prejudicado o seu nada despiciendo prestígio de estratego militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas das suas análises políticas do conflito africano, nomeadamente a questão da sua integração no xadrez político internacional, no quadro da longamente prometida expansão mundial do Comunismo, então ainda em curso, em especial, na América Latina, África e continente asiático, aproximavam-se mais da realidade do que certas presunções, ingénuas, umas, coniventes, outras, dos grupos oposicionistas em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, quando uma Nação, mergulhada num duradouro conflito militar, perde o entusiasmo de lutar, por falta de convicção política nos fundamentos desse combate, como sucedia no caso português, após um período inicial de inequívoca demonstração de bravura e de firmeza, na condução da contra-guerrilha, começa inevitavelmente a criar-se um sentimento de dúvida e de crescente apatia, entre os seus filhos, o qual, mais cedo ou mais tarde, acaba por revelar-se fatal para o desfecho desse conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste estado de espírito dominante, o Exército, no final da décda de 60, já se arrastava com nítida quebra de agressividade, quase se limitando a ocupar território, dissuadindo, quase só pela mera presença, um inimigo, felizmente para nós, pouco numeroso e tecnicamente pouco evoluído, ao contrário do que o ultra-nacionalismo da Frelimo fazia crer e os oposicionistas portugueses inconsciente ou malevolamente depois repetiam sem cessar, em todos os comícios e em todos os órgãos de Comunicação Social, moldando a consciência cívica dos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nosso maior espanto, ainda hoje o fazem alguns auto-proclamados anti-fascistas portugueses, apesar dos anos passados e da evidência do fraco poder militar da Frelimo, logo posto de manifesto, após a independência, com o aparecimento da guerrilha da Renamo que rapidamente conseguiu, então sim, paralisar Moçambique, destruindo as principais vias de comunicação, isolando províncias, espalhando o pânico e o caos entre as populações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, uma coisa é industriar gente para colocar minas nas picadas, disseminar pelo interior da savana grupos de guerrilheiros para fustigar colunas e aquartelamentos militares, fugindo rapidamente logo a seguir, outra, muito diversa, é assegurar a lei, a ordem e o funcionamento da actividade económica normal num País inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso foi o que aconteceu durante o tempo em que a Frelimo nos guerreou, em que, pese o escasso empenho militar dos portugueses, principalmente depois de 1969, nunca a acção guerreira daquela logrou afectar o desenvovimento económico normal do território, muito menos paralisar as suas actividades regulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, à medida que a guerra se prolongava, sem iniciativa política que lhe vislumbrasse saída, com a absurda equiparação da valia dos territórios na estratégia nacional, crescia o desânimo entre os portugueses e, em particular, entre a sua juventude, sobre quem caía, sublinhemo-lo, o peso efectivo do esforço militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso da Guiné, por exemplo, deveria ter sido desde muito cedo dissociado dos de Angola e Moçambique. Nada justificava um índice tão alto de baixas militares na Guiné, território comprovadamente desprovido de recursos económicos ou de importância estratégica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que, se Portugal assim procedesse, poderia ser e seria, imediatamente, acusado de conduzir uma política de calculismo, de cinismo e de incoerência, mas toda a política se pratica num contexto real, marcado de contradições, de imprevistos e não asséptico, idealizado ou académico, obrigando a sua concretização à constante aferição das circunstâncias que a condicionam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando hoje vemos a desgraça em que se transformou a Guné, dói-nos lembrar que tantos dos nossos compatriotas por lá deixaram a vida, na força da juventude, generosa de esforço e de idealismo, ali ceifados por algo que não deu em nada, nem o sangue vertido dessas sacrificadas gerações haveria de despertar sequer um laivo de dor no coração dos demais portugueses, alheios a tal esforço, quando não dele mesmo recriminadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim aprendemos o que custou a política errada ante-abrilina e a visão egoísta ou leviana dos dirigentes revolucionários que se lhe seguiu, que nem aos mortos prestou homenagem, ignorando-os ou até, com total inconsciência histórica e política, inculpando-os do seu próprio infortúnio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que virá um tempo em que outros juízos avaliarão melhor tanto sacríficio ingloriamente despendido em África, por centenas de milhares de jovens portugueses, que acabaram por ali sofrer duplo opróbrio, vítimas de uma política errada, inflexível e desajustada das circunstâncias e depois esquecidos, depreciados, como esqueletos incómodos de família decaída guardados em velhos armários esconsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estas atitudes desonrosas muitas figuras históricas ante e pós-abrilinas um dia pagarão o seu quinhão de responsabilidade, se não política, pelo menos moral, se não em vida, certamente a sua memória, porque os juízos mais ponderados de certos acontecimentos históricos só sobrevêm ao fim de longos anos, quando da cena política e social tiverem já desaparecido os seus protagonistas dominantes e os seus inevitáveis acólitos favorecidos, pinguemente premiados, dando lugar a outros intervenientes, de critério mais são, mais justo, libertos de subserviências e vassalagens, então descabidas e sem préstimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestas coisas, deve haver clara separação de responsabilidades. O regime político de Salazar-Caetano responderá, no juízo da História, pelos seus erros e desacertos, mas já não é admissível que lhe sejam assacados os demais erros que foram cometidos pelo regime que veio depois, revolucionário, primeiro, a seguir tornado democrático. Não é sequer digno que assim se proceda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que há erros políticos, cometidos num dado período histórico, por certa geração de dirigentes políticos, que causam condicionamentos ulteriores díficeis ou impossíveis de alterar para os que, à cabeça do Estado, têm de continuar a sua acção politíca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acham-se estes depois fortementos limitados na sua capacidade de mudar o rumo tomado dos acontecimentos. Todavia, esta comprovada situação não elimina a responsabilidade dos novos agentes políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada geração, cada indivíduo, respondem, ante os seus semelhantes, pelas acções que praticam, nas circunstâncias em que são chamados a intervir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salazar e Caetano respondem pelo que fizeram ou deixaram de fazer, quando dirigiram a Nação. Os dirigentes políticos que depois deles vieram, uns revolucionários exaltados, outros moderados democratas, terão de assumir a sua quota de responsabilidade pelos acontecimentos políticos que a sua acção desencadeou, na Metrópole e, sobretudo, no Ultramar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é aceitável que se diga desprendidamente que tudo o que foi feito no Ultramar, no capítulo da Descolonização dos territórios, foi o possível, pelo condicionamento político legado do anterior regime, agravado pela falta de combatividade das tropas na altura estacionadas nos territórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta atitude, traduzindo já certa evolução política da que antes designava aquela Descolonização simplesmente como exemplar, continua a ser insatisfatória, por pretender desresponsabilizar os agentes políticos dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem os próprios a deveriam perfilhar, porque lhes retira mérito interventivo, figurando-os como meros autómatos consumadores de decisões alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preferível confessarem o seu fracasso em sustentar posições políticas próprias, correspondentes aos interesses do seu País, a atribuirem as suas falhas aos políticos anteriores ou aos militares que cumpriam comissões em África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta posição, contudo, é a que se colhe de algumas memórias de responsáveis políticos da Descolonização, em particular, dos livros, sobre este tema, para nós eternamente polémico, já escritos por Almeida Santos, os seus dois grossos volumes, intitulados «Quase Memórias», vindos a público, em 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São mais de mil páginas escritas em bom português, releve-se, que tratam da questão das colónias portuguesas, nos períodos de antes e depois de Abril de 1974. No primeiro volume, Almeida Santos aborda fase, ou melhor, os malefícios do Colonialismo e, no segundo, os processos de descolonização, colónia por colónia, com bastante pormenor informativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela iniciativa de nos apresentar a sua versão dos acontecimentos, teremos de louvar Almeida Santos, embora todos sentíssemos que tal tarefa nos era devida, pelas altas funções que ele desempenhou directamente ligadas com os processos de descolonização, nos vários governos em que participou como responsável da pasta da Administração e Coordenação Inter-territorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isto cumpre reconhecer &lt;em&gt;ab initio&lt;/em&gt;, deveremos também acrescentar que se encontram na referida obra de Almeida Santos algumas passagens fortemente polémicas, que motivarão a discordância de muitos entre os quais me incluo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenciono por isso dedicar-lhe algumas notas em artigos próximos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Óbidos_04 de Agosto de 2010&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( Continua )&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-4582437343127942861?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/4582437343127942861/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=4582437343127942861' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4582437343127942861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4582437343127942861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/08/memoria-africana-i.html' title='Memória Africana I'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-6739500773293128208</id><published>2010-07-29T23:50:00.000+01:00</published><updated>2010-07-29T23:51:41.414+01:00</updated><title type='text'>Memórias Amargas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Indico abaixo o endereço de uma peça formidável da saga dos Portugueses, no final da sua Epopeia Ultramarina, iniciada com a conquista de Ceuta, em 1415, no longínquo século XV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo endereço indicado, podem ver um episódio dramático da Guerra de África dos Portugueses, no Teatro de Operações ( TO ) da Guiné.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considero este pequeno filme um documento notável, pelo realismo, pela seriedade, pelo drama, pelo esforço ali vivido, ali despendido, infelizmente, em vão, por inépcia política de uns, que prolongaram a Guerra para lá do admissível, sem iniciativa política apropriada, e pela inconsciência de outros, que rapidamente alijaram encargos, sem cuidar de responsabilidades mais vastas para com Povos que confiavam na Administração Portuguesa, que se bateram integrados na Nossas Tropas, contra a Guerrilha independentista, alguns deles com bravura e eficácia combativa surpreendentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos em relação a estes, Portugal deveria ter dado cobertura plena, diplomática, incluída, oferecendo-lhes a nacionalidade, se assim o desejassem ou obtendo garantias de não retaliação, de ausência de vinganças ou de discriminações, da parte das Novas Autoridades, saídas da Independência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se sabe, nada disto foi feito, mas aqui a História já começou a preencher o absurdo vazio, com julgamentos mais serenos, separando o trigo do joio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, grande parte da Nação Portuguesa, especialmente a mais moça, ignora, quando não despreza, o sacrifício das gerações passadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vespeiro da Guiné em que Portugal se manteve durante onze penosos anos foram de facto uma prova do anacronismo político que dominava o País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aconselharia a uma atitude diferente relativamente à situação dos outros territórios, desde logo pela irrelevância económica da Guiné. O apego aqui era absolutamente de ordem ideológica, desenquadrada do tempo que se vivia, que exigia visão muito mais pragmática. Mas talvez fosse impossível esperá-la de um político como Salazar firmado na mentalidade de Cruzado na sua luta inquebrantável contra o Comunismo Internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As oportunidades foram-se perdendo e, sobretudo na Guiné, o esforço tornar-se-ia absolutamente inglório. Nem a saída se processou com honra, abandonando Portugal centenas de militares indígenas, que se bateram denodadamente ao seu lado, contra a guerrilha do PAIGC, ao longo dos onze anos do conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes e os mais dos infelizes dos guineenses das várias etnias, lá ficaram, então, entregues à sua propagandeada "República Popular", ao seu atraso, à sua miséria, à prepotência de uns quantos enriquecidos no narco-tráfico, numa desgraça sem nome, sem horizonte de esperança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque uma coisa é andar a correr pela mata africana, manejando armas, espalhando metralha, montando emboscadas, colocando minas e, depois, fugir rapidamente, até para abrigo estrangeiro, dada a particular exiguidade do território, na Guiné; outra, muito diversa, é ter de administrar um território de parcos recursos, habitado por múltiplas etnias, de variados credos e obediências, em estado de quase absoluta carência, marcado por crendices, sem sentido de pertença a entidade superior à da sua etnia, com analfabetismo generalizado e, de tudo isso, erguer uma Nação, organizar um Estado, com as suas funções típicas de soberania, na Defesa, na Educação, na Saúde, na Economia, etc., etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui o falhanço foi imenso, tanto que, 36 anos depois, o retrocesso é evidente, não havendo já praticamente Estado, mas um arremedo de exercício de autoridade, por parte de grupos armados, que, rotativamente, ocupam o Poder, matando os líderes rivais, também em regime de rotatividade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver este pequeno filme, quase me custou a engolir, tal o nó sentido na garganta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota-se, no entanto, que a tropa portuguesa aqui presente teve bom comportamento militar, reagindo ao ataque com determinação, com serenidade, repelindo o inimigo, ao mesmo tempo que tratava dos seus mortos e feridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se também que os militares portugueses aqui envolvidos já tinham experiência deste tipo de confrontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há ali lugar a histerias, nem a pavores paralisantes. Há consciência do perigo, mas determinação em o vencer, respondendo ao fogo inimigo, pondo-o em fuga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, o Comandante-Chefe - Gen. Spínola - visita o local da emboscada, arriscando também a sua figura, conforta os homens e dá-lhes alento para continuar. Esta atitude do Gen. Spínola, segundo dizem todos quantos com ele conviveram, em ambiente de Guerra, era frequente, pelo seu timbre de militar, garboso, no porte, mas também nas acções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí o respeito que lhe tinham todos, ou seja, reconheciam que ele agia como um verdadeiro Comandante, um Líder, que não baseia a sua autoridade apenas na sua superior posição hierárquica, mas está presente, nos bons e nos maus momentos, dando exemplos verdadeiros de coragem, arrostando perigos, ajudando a vencer obstáculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui reside toda a diferença entre ter ou não ter Carisma de Líder. Spínola tinha esse raro Carisma. Por isso, lhe deram o Comando da Situação, em 25 de Abril de 1974, apesar de não ter preparado o Golpe. Por isso, foi o Presidente da Junta de Salvação Nacional, saída da Revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a sua preparação política para o exercício do cargo de PR não era semelhante à sua valia militar, como depois se veio a comprovar. Porém, como militar, não devemos poupar-lhe elogios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta matéria, como de resto em tudo o mais, na vida :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada um a sua culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa_29-07-2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESTE DOCUMENTO HISTÓRICO FEITO POR UMA EQUIPA DE TELEVISÃO FRANCESA, EM PLENOS ANOS SETENTA DO SÉCULO PASSADO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ina.fr/playlist/sport/ma-premiere-selection.248492.fr.html"&gt;http://www.ina.fr/playlist/sport/ma-premiere-selection.248492.fr.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerra Na Guiné Poruguesa - anos 60/70) ...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-6739500773293128208?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/6739500773293128208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=6739500773293128208' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6739500773293128208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6739500773293128208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/07/memorias-amargas.html' title='Memórias Amargas'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-4103927394425249840</id><published>2010-07-22T00:06:00.004+01:00</published><updated>2010-07-22T00:17:18.263+01:00</updated><title type='text'>Completando a Notícia do Público de Hoje, 21-07-2010, sobre o Iminente Encerramento da Escola Secundária Afonso Domingues</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Público trazia hoje a notícia do iminente encerramento da Escola Secundária Afonso Domingues, estabelecimento centenário, que formou gerações de Técnicos, Profissionais de excelente formação, muitos dos quais fizeram carreiras de sucesso nas Empresas, na Administração Pública e Privada, como Investigadores, Engenheiros, Professores Universitários, etc., em variadíssimas funções úteis para o País, que, sem esta Escola, ficará certamente mais pobre, mais carecido de instrumentos de Formação Técnica e Profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se conhece o panorama geral dos estabelecimentos de ensino actuais, em que predominam pavilhões de pré-fabricados, edificações precárias, que ao cabo de poucos anos se acham degradados e com aspecto de velhos barracos, dói saber que a inconsciência governamental se apresta a destruir algo de sólido, digno e com provas dados ao longo de muitas décadas, atravessando regimes, modas e caprichos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste País que tais responsáveis alberga, fazendo a qualquer um descrer do seu futuro, não já a longo prazo, mas mesmo para os tempos mais próximos que se podem sombriamente entrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a infeliz decisão não puder ser travada, sofreremos todos as suas nefastas consequências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para compensar a escassa informação do jornal Público, vou transcrever aqui a Exposição que a Associação dos Antigos Alunos da Escola Industrial Afonso Domingues, nome anterior da actual Escola Secundária Afonso Domingues, tem remetido a alguns órgãos da Comunicação Social, depois de o ter feito junto de órgãos de soberania do Estado Português, até ao presente sem resultado, na esperança de que o assunto seja conhecido, averiguado, esclarecido e, finalmente, que tal possa levar a uma derradeira tomada de consciência que permita a anulação da tão despropositada decisão da extinção da Escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta convicção, aqui publicito a digna diligência da meritória Associação Cívica :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;EXPOSIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DA ESCOLA INDUSTRIAL AFONSO DOMINGUES ( AAAEIAD )&lt;/strong&gt; :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Direcção da Associação dos Antigos Alunos da Escola Industrial Afonso Domingues (AAAEIAD), consciente da sua missão, defensora do valioso património histórico-cultural da velha e reputada Instituição a que deve a sua origem, vem junto de V. Exas., expor uma situação que gravemente a preocupa, relacionada com o futuro da Escola Secundária Afonso Domingues, nome actual da Escola legítima sucessora daquela Instituição, para o que solicita de V. Exas., como dignos representantes da opinião pública esclarecida do País, a devida atenção e o correspondente auxílio na divulgação da causa adiante explicitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Direcção da Escola Secundária Afonso Domingues informou-nos recentemente ter recebido uma notificação do Director Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT), segundo a qual, o Projecto de Construção da futura Ponte sobre o Tejo, a sua denominada 3.ª travessia, irá interferir com a área de implantação da Escola, dado esta se situar dentro do perímetro das obras deste empreendimento, circunstância que alegadamente colocaria em causa a sobrevivência da Escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Despacho de 23 de Março do Sr. Secretário de Estado da Educação, recebido na Escola, em 28 de Abril, com a notificação, pretende apresentar como facto consumado a decisão de extinguir a Escola, achando-se esta assim perigosamente ameaçada na sua existência, apesar de ser uma das mais antigas e prestigiadas escolas do Ensino Técnico e Profissional do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre a sombria ameaça justamente no ano em que a Escola completa os seus mui respeitáveis 126 anos de idade, contados desde a sua primitiva localização, na Calçada do Grilo, para mais tarde se radicar, em edifício próprio, na Quinta das Veigas, em Marvila, no ano de 1956, onde ainda hoje se mantém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo deste dilatado período de tempo, prestou a Escola relevantes serviços ao País, traduzidos na formação de profissionais qualificados, nomeadamente, de Técnicos Especializados em múltiplas áreas profissionais, de Engenheiros de diversas especialidades, ligados a funções produtivas, laboratoriais, de projecto e de administração de empresas, incluindo, por ulteriores descobertas de vocação, membros de outras profissões de equivalente relevância social, como as de Juristas, Médicos, Professores dos vários graus de Ensino, incluindo o universitário, Investigadores e até de Escritores, em que avulta o excepcional caso do único prémio Nobel da Literatura, em Língua Portuguesa, atribuído pela Academia Sueca, em 1998, a José Saramago, igualmente seu ex-aluno, factos que não podem os seus antigos alunos deixar omissos, nem, por isso mesmo, permanecer indiferentes ou resignados ante tão inquietante intenção oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste contexto, cumpre-nos até assinalar a aparente contradição de tal intenção com as repetidas afirmações do Sr. Primeiro-Ministro José Sócrates que, em várias ocasiões, se tem referido à importância das Escolas deste tipo, bem como à necessidade de revalorizar o Ensino Técnico e Profissional, em geral, numa era de acentuada evolução tecnológica, contexto em que estas Escolas poderão dar forte contributo, desempenhando papel de relevo no objectivo oficialmente fixado que é o do aumento da qualificação técnico-científica dos Portugueses, tão decisiva no futuro, quanto esta qualificação se revela notoriamente insuficiente na actualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve relembrar-se que a Escola Secundária Afonso Domingues é portadora de um longo e rico historial, para o qual trabalharam gerações sucessivas de Docentes, Discentes e funcionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o seu Corpo Docente histórico, contam-se nomes ilustres, de que se destaca, naturalmente, o de José Pedro Machado, seu Professor insigne, temporariamente Director em Exercício, acumulando funções, Académico de Mérito da Academia Portuguesa da História, Lexicógrafo e Filólogo de prestígio nacional e internacional, membro de diversas Instituições Científicas e Culturais, em Portugal e no Estrangeiro, distinguido com vários títulos e condecorações, entre as quais avultam a de Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública, em 1996, a da Medalha de Mérito Cultural, outorgada pelo Ministério da Cultura Português, em 1999 e a última, atribuída em 2007, pelo actual Sr. Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, a título póstumo, por iniciativa da nossa Associação que submeteu a respectiva proposição à Chancelaria das Ordens Honoríficas, a de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, prémio cimeiro de reconhecimento por tanto labor cumulativamente despendido em favor desta Escola, de milhares de estudantes que profissional e civicamente nela se formaram e da Língua e Cultura Portuguesas, cujo património significativamente engrandeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros nomes conceituados de Professores aqui leccionaram como Poole da Costa, Sousa Monteiro, Roseira Abrunhosa, Matias Filipe, Carmen Falcão, Mesquita Spranger, Belarmino Barata, Almeida e Brito, entre muitos mais que igualmente contribuíram para elevar a reputação da Escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além de todos os seus valores patrimoniais culturais, conserva a Escola em si um apreciável património de bens e de infra-estruturas, dispondo de valências importantes em quase todas as áreas úteis para o Ensino, particularmente o do ramo Técnico-Profissional, bem como para actividades circum-escolares, nomeadamente as de educação física, desportivas e de recreio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Escola actual construída, como referido, em 1956, possui no seu activo um conjunto sólido de edifícios, concebidos de raiz, em que se distingue o seu edifício principal, de três andares, contendo largo e nobre átrio de entrada, dotado de amplas Salas de Aula, Secretaria e Sala de Docentes espaçosas, com Laboratórios apetrechados para as aulas práticas das disciplinas de Ciências Naturais e Físico-Químicas, Salas de Informática, Gabinete de Associação de Pais, Salas de Directores de Turma e de Recepção de Encarregados de Educação, a que segue a Reprografia/Papelaria e o Bar/Café para toda a comunidade escolar, a que se liga extensa ala com o seu Parque Oficinal, onde funcionaram os antigos cursos de Formação de Carpintaria, Serralharia Mecânica e de Montadores Electricistas e onde, hoje, com adaptações, funcionam duas Oficinas de Electrónica, duas de Electrotecnia, um Laboratório de Metrologia, outro de Mecânica Teórica, outro de Máquinas Eléctricas e mais três Laboratórios de Electrotecnia/Electrónica e vários armazéns, além de Salas de Aula, de Informática e de Convívio de Alunos e outras dependências em que se ministram hoje os novos Cursos Profissionais de Electricidade, Electrónica, Informática e de Computadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dispõe ainda a Escola de outro edifício sólido e amplo onde funcionam, no rés-do-chão, um desafogado Refeitório para alunos e funcionários, Sala de Convívio de Alunos, Instalações Sanitárias, Sala de Ténis de Mesa e Musculação, balneários de apoio ao Campo de Ténis e, no primeiro andar, um Ginásio de adequadas dimensões para a prática de disciplinas de Educação Física e Desportivas, balneários adstritos, bem como Gabinetes de Educação Física e de Orientação Escolar e Profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em áreas circundantes a este último edifício, estão localizados campos de jogos, igualmente bem adequados à prática desportiva ou da ginástica ao ar livre e um amplo parque de estacionamento automóvel. A tudo isto, acresce a existência de uma significativa área arborizada e ajardinada envolvente, o que torna esta Escola, em si mesma, um conjunto de apreciável valor arquitectónico e funcional, cujo património cumpre valorizar e preservar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No âmbito sócio-cultural, deve ainda ter-se em consideração que a Escola, inserida no seu meio actual, funciona com uma espécie de âncora social de relevante efeito coesivo, dado situar-se numa área envolvente bastante deprimida, de profundas carências sócio-económico-culturais, como decerto o reconhecerão os executivos autárquicos das freguesias vizinhas, condições que inevitavelmente se agravariam, acaso a Escola dali desaparecesse. Sabe-se também que o Projecto da 3.ª travessia do Tejo se encontra temporariamente suspenso e, nas presentes condições financeiras do País, de imperiosa contenção orçamental, poderá sofrer sucessivos adiamentos, quiçá vir a ser abandonado. Na última reunião geral da Associação de Antigos Alunos da Escola Industrial Afonso Domingues, realizada, nas instalações da ESAD, em 22 de Maio pp, foi também aprovada uma Moção que manifesta o desejo da continuação da Escola, bem como sublinha a sua alta relevância no debilitado contexto do Ensino Técnico e Profissional nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os argumentos que oficialmente têm sido invocados para justificar o encerramento da Escola nos parecem frágeis, i.e., pouco convincentes e naturalmente susceptíveis de contestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumimos, por isso, em seguida, os argumentos já esboçados que directa ou indirectamente chegaram ao nosso conhecimento e acrescentamos outros, em reforço dos já antes expressos, como destacado testemunho do nosso empenho na luta pela sobrevivência da Escola :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – &lt;strong&gt;Número escasso de Alunos&lt;/strong&gt; : a Escola Afonso Domingues tem tido nos últimos anos um número de alunos semelhante e até superior ao das suas congéneres : Marquês de Pombal e Fonseca Benevides;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – &lt;strong&gt;Eventual obstrução à construção da nova ponte sobre o Tejo&lt;/strong&gt; : como já referido, o Projecto da nova travessia encontra-se suspenso e, na presente conjuntura de dificuldades financeiras, tal projecto não se vislumbra exequível nos anos mais próximos, nem de resto, cremos que a Escola oferecesse real obstrução ao mesmo, sendo sempre tecnicamente possível contornar a área adstrita à Escola, no seu todo ou pelo menos em parte;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – &lt;strong&gt;Reorganização da Rede Escolar&lt;/strong&gt; : depois da suspensão oficial do Projecto da nova ponte sobre o Tejo, a Escola Secundária Afonso Domingues viu-se confrontada com novo motivo para a sua iminente extinção, que, desta feita, resultaria da necessidade de levar a cabo mais uma reorganização da rede escolar, argumento mais que frágil, por vago, indefinido, que poderia também ser invocado para eliminar qualquer outra escola ou sustentar qualquer outra medida administrativa do Ministério da Educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 – &lt;strong&gt;A distribuição dos seus actuais alunos por Escolas situadas na sua vizinhança&lt;/strong&gt; não nos parece possível, dada a especificidade dos Cursos ministrados na Afonso Domingues, havendo até um dos Cursos que só nesta Escola existe;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 – &lt;strong&gt;Preservação de Património&lt;/strong&gt; : tal como já previsto para os edifícios de interesse histórico situados nas proximidades da Escola, a seguir enumerados :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Convento da Madre de Deus&lt;br /&gt;2- Palácio dos Marqueses de Nisa / Paço de Xabregas&lt;br /&gt;3- Convento de S. Francisco de Xabregas&lt;br /&gt;4- Palácio dos Melo da Cunha / Palácio de Xabregas&lt;br /&gt;5- Quinta do Grilo / Quinta Leite de Sousa&lt;br /&gt;6- Igreja e Convento do Grilo&lt;br /&gt;7- Palácio dos Duques de Lafões&lt;br /&gt;8- Igreja e Convento do Beato&lt;br /&gt;9- Companhia de Moagem Portugal e Colónias&lt;br /&gt;10- Palácio da Mitra&lt;br /&gt;11- Palácio dos Senhores das Ilhas Desertas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;deverá também o edifício da Escola Secundária Afonso Domingues ser incluído no conjunto do Património local : histórico, arquitectural e cultural a preservar.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cabe aqui mesmo perguntar : &lt;strong&gt;se todos estes edifícios foram poupados, por que razão a Escola Secundária Afonso Domingues terá de ser destruída ?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;6 – &lt;strong&gt;A Escola Afonso Domingues não deve ser utilizada para quaisquer outros fins que não aqueles para os quais ela foi criada, ou seja, para o Ensino Público Técnico e Profissional&lt;/strong&gt;, de que o País tanto carece, como, de resto, por diversas vezes, o actual Primeiro-Ministro tem publicamente reconhecido e afirmado;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 – A Escola, para além de todo o seu digno historial, em parte já brevemente aludido neste documento, ostenta um nome ilustre da nossa memória colectiva, Afonso Domingues, Mestre incontestável da obra que celebrou a vitória dos Portugueses sobre os Castelhanos nos campos de Aljubarrota em 1385 e que veio a ser o Mosteiro da Batalha, jóia rara da nossa arquitectura, património inestimável do País, orgulho de todos os Portugueses, factos que devem continuar a ser rememorados, nomeadamente, pela preservação da presente Escola, aqui alvo privilegiado da nossa atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que possamos ainda vir a dizer, tal como o nosso mui competente e denodado Mestre Afonso Domingues o garantiu, sentado, sozinho, durante três dias, como reza a História, sob a magnífica abóbada do belo e imponente Mosteiro : A Escola não caiu, a Escola não cairá !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reiteramos, por conseguinte, o nosso apelo para que a presente exposição obtenha a maior divulgação possível junto da opinião pública, ampliando, desta forma, os esforços de todos os Professores, Empregados, Alunos, Encarregados de Educação e demais amigos da actual Escola Secundária Afonso Domingues em luta pela sua sobrevivência, no quadro do nosso já depauperado universo de estabelecimentos do Ensino Técnico e Profissional, de que a ESAD é importantíssimo instrumento de afirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 15 de Julho de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Direcção da Associação dos Antigos Alunos da Escola Industrial Afonso Domingues, com sítio na Internet em www.aaaeiad.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim da Exposição da AAAEIAD&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dê-se, então, a maior divulgação possível à presente Exposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 21 de Julho de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-4103927394425249840?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/4103927394425249840/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=4103927394425249840' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4103927394425249840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4103927394425249840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/07/completando-noticia-do-publico-de-hoje.html' title='Completando a Notícia do Público de Hoje, 21-07-2010, sobre o Iminente Encerramento da Escola Secundária Afonso Domingues'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-7713424958148301793</id><published>2010-07-19T00:52:00.002+01:00</published><updated>2010-07-19T01:04:55.388+01:00</updated><title type='text'>Meditando a Crise</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continuando a reflexão e respondendo aos meus preclaros leitores-comentadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em complemento do que aqui afirmei nos dois anteriores escritos direi :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das maiores preocupações dos cidadãos portugueses deveria ser a degradação das suas elites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto de as nossas elites estarem a evidenciar cada vez mais sinais de debilidade, sobretudo cívica, com notória ausência de sentimento patriótico, não pode deixar de causar consternação, porque serão elas, tal como forem, que orientarão o País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ideias, sem orgulho próprio, sem sentido de pertença, ou com afinidades equívocas, que o mercenarismo em que vivem, oportunamente vai fomentando, desligadas do sofrimento do Povo a que julgam já não pertencer, como podem estas elites fazer progredir o País ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acresce que elas, na verdade, têm francamente progredido, como em nenhum outro período da nossa História, excluindo os momentos faustosos de parte dos séculos XV e XVI, com os Descobrimentos, as conquistas e o comércio das Especiarias e, também no século XVIII, com o ouro do Brasil, sobretudo, nunca as elites nacionais beneficiaram de estatuto tão elevado, de tanto desafogo económico, de tanta mordomia, como as presentes, desde a adesão do País à União Europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas elites salientam-se principalmente no mundo da Gestão das grandes Empresas, dos Negócios, das Empresas de Consultoria, de Marquetingue e de Imagem, sendo raras as que fundaram o manancial da sua respectiva fonte de bem-estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito mais corrente a entrada no eldorado da dita Alta Gestão, por amiga mão política ou por outras afinidades de interesses, às vezes ridículas e sem qualquer relação com os cargos para que os felizardos destas ditas elites são nomeados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esta gente lucra pletoricamente, apesar da pauperização progressiva do País, não será expectável que da sua iniciativa venha alguma acção reformadora, menos ainda se esta comportar algum risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que o motivo de preocupação seja absolutamente sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um Sistema de Ensino grandemente destruído, incapaz de bem formar cidadãos no plano técnico das profissões, incapaz de forjar cidadãos conscientes dos seus deveres, da sua missão no seio da Comunidade em que nasceram, das suas obrigações para com as gerações que os antecederam, o País vê-se abandonado a si mesmo e presa fácil da voracidade das suas falsas elites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anulados os que se mostrem mais rebeldes a esta realidade, ao mesmo tempo que se intensifica a alienação da grande massa do Povo, o caminho para o definhamento colectivo parece garantido e é isto o que temos comprovado nos últimos decénios, com a complacência, se não com a incentivação, das nossas supostas elites, espantosamente predadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esperança em que as instituições estrangeiras, nomeadamente, a União Europeia, a que politicamente pertencemos, nos conduzam ao bom caminho, às escolhas de vida acertadas, tem-se revelado também ilusória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há pouco, o nosso magnífico Durão Barroso, lider máximo desta UE, nos admoestou secamente, por termos feito aquilo que vários outros países-membros da União têm feito para defender interesses próprios ou que reputam estratégicos para as suas Economias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta atitude de Barroso ficou bem patente a quem ele deve a sua preeminência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a nossa regeneração, deveremos contar sobretudo connosco, com as nossas forças, como diziam os exaltados maoístas do meu tempo, certamente com Barroso à cabeça, embora deste desvario eu já não o queira responsabilizar, por o atribuir àquela onda de loucura que nos varreu a todos, principalmente os mais moços de então, que naturalmente se deixaram fascinar por ideologias que prometiam o Paraíso na Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já com outros, bem mais maduros, que tinham visto Mundo e nada disseram, nem fizeram para estancar aquela loucura política, não sou tão complacente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando à crise actual, sem uma verdadeira tomada de consciência individual, sem o esforço efectivo de cada um, não vejo possível a redenção colectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pouco creio na salvação adventícia, porventura promanada de Bruxelas, sem aquela prévia disposição individual, a gerar a recuperação colectiva...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, às vezes, a necessidade aguça o engenho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 18 de Julho de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-7713424958148301793?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/7713424958148301793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=7713424958148301793' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7713424958148301793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7713424958148301793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/07/meditando-crise.html' title='Meditando a Crise'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-7465426062308750003</id><published>2010-07-15T00:19:00.000+01:00</published><updated>2010-07-15T00:20:35.338+01:00</updated><title type='text'>Sobre as Novas Comparações Odiosas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Respondo aqui ao leitor Jorge Oliveira :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Leitor Jorge Oliveira,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a visita e os comentários, que, em grande parte, acolho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apenas acrescentarei o seguinte :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As famílias ou as ditas elites que hoje dominam o País só diferem das do tempo da Ditadura em que são mais predadoras, cínicas, egoístas, mais mal preparadas tecnicamente e eticamente mais deformadas, intitulem-se elas democráticas, social-democráticas, centristas ou socialistas, estas últimas ainda piores, por mais hipócritas. Isto para só falar das do arco dito democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Partidos, todos eles, falharam rotundamente, repetindo os erros da Primeira República, pelos quais haveríamos de sofrer a inexorável Ditadura. Tornaram-se novamente agências de emprego, instrumentos de assalto ao Poder, jogando a farsa democrática, com o que delapidaram o País, destruindo a confiança dos cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes encaram agora um futuro sombrio e deixaram de acreditar nos líderes políticos, nos Partidos e nas instituições, em geral, apenas se motivando, melhor diria, excitando com o dinheiro e com o sexo, rapidamente consumidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todo o problema está em como iremos sair desta degradação nacional, sem ninguém em quem confiar verdadeiramente. As escolhas do mal menor têm-nos conduzido à mediocridade reinante, impante de vaidade e de dinheiro, mas vazia de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o velho António José Saraiva para isto nos alertava, no fim dos anos 70 do século passado. Levámos tempo a ver o que ele anteviu e agora não atinamos com o remédio adequado para o presente descalabro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez tenho mais dificuldade em descortinar saída para isto. Só um grande esforço de redenção, encabeçado por gente de alta credibilidade, técnica e eticamente bem formada, com provas dadas e apertadamente controlada, por organismos a criar, com essa função atribuída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem desencadeará tal movimento de Regeneração tão pouco visível, quanto desejável e mesmo imprescindível ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui fica a permanente questão : que fazer para reerguer este acabrunhado e descrente País ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;AV_Lisboa, 14 de Julho de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-7465426062308750003?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/7465426062308750003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=7465426062308750003' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7465426062308750003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7465426062308750003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/07/sobre-as-novas-comparacoes-odiosas.html' title='Sobre as Novas Comparações Odiosas'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-9221946897673834699</id><published>2010-07-13T00:43:00.003+01:00</published><updated>2010-07-13T01:11:49.207+01:00</updated><title type='text'>Novas Comparações Odiosas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estive este último fim-de-semana mergulhado na leitura de um livro interessante, que, por comparação, mais me firmou na convicção da falta de categoria da actual classe política.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tratou-se de ler a biografia em forma de entrevista de Rui Patrício, último Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, antes do golpe revolucionário de 25 de Abril de 1974, que pôs cobro ao regime que vigorou no País, desde 28 de Maio de 1926 até àquela data.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O regime que se iniciara por Revolução Militar terminaria da mesma maneira, quase meio século depois.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O livro em causa, com o sub-título «A Vida Conta-se Inteira» da Temas e Debates-Círculo de Leitores, foi elaborado pela jornalista Leonor Xavier, que, ao longo de meses, entrevistou Rui Patrício, em sessões repartidas entre o Rio de Janeiro, no Brasil e Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A figura de Rui Patrício havia sido alvo de forte chacota nos dias primeiros da Revolução, em que se fazia constar o seu comportamento indigno, amedrontado, dizia-se mesmo que se havia  borrado, quando submetido às pressões e ameaças dos militares revolucionários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se como os vencidos são facilmente vilipendiados, sobretudo por aqueles que só assumem atitudes heróicas a coberto do anonimato e com as costas quentes das multidões embravecidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois da leitura, no entanto, o que sobressai é antes o perfil de um homem digno, inteligente, culto e lutador, que soube vencer as adversidades da vida, a ponto de se apresentar hoje como Administrador e Consultor de Empresas, incluindo de algumas das maiores Empresas portuguesas, nomeadamente nos negócios que estas têm criado em terras brasileiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje, com 78 anos, Rui Patrício está de bem com a vida, nota-se, já algo tocado pelo espírito descontraído e folgazão dos brasileiros, orgulhoso do seu triunfo profissional e social, assente na aquisição da dupla nacionalidade, desde 1986, com 6 filhos adultos realizados, com larga diferença etária, provocada pelas vicissitudes da vida, plenamente assumidas e resolvidas com o sopro da fortuna.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em toda a entrevista, defende sempre com firmeza a política dos Governos em que tomou parte, desde 1965, ainda como Subsecretário de Estado do Ultramar, com Salazar, até aos derradeiros elencos de Marcello Caetano, terminados em 25 de Abril de 1974.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apenas lhe assinalei uma pequena contradição nas suas declarações em confronto com as de Marcello Caetano, exaradas no seu veemente Depoimento, escrito a quente no Brasil, logo nos primeiros meses do seu forçado exílio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caetano, parece-me, terá insinuado a Spínola que preferiria uma derrota militar na Guiné a um acordo de paz, negociado formalmente com o PAIGC, com vista à independência dos territórios da Guiné, quebrando aqui a coerência inicialmente adoptada e repetidamente afirmada relativamente aos restantes territórios africanos, nomeadamente com os de Angola e de Moçambique, de resto, os únicos que, pela sua riqueza, justificariam o esforço militar de Portugal, se assim ele tivesse sido entendido no conflito que Portugal sustentou por treze penosos anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As tentativas de negociações, por interpostas pessoas, com os dirigentes do PAIGC, nos primeiros meses do ano de 1974, acabaram por ensombrar essa pretensa coerência política ultramarina conduzida por Portugal desde sempre, primeiro por Salazar e Franco Nogueira e depois continuada pelo governo de Marcello Caetano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No resto, a fluência e consistência das posições é de regra, constante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ressalta como evidência que Rui Patrício, primeiro classificado do seu curso de Direito (1951-1956), na Universidade de Lisboa, tirou bom proveito da sua excelente preparação escolar, já assinalada na fase do Ensino Secundário, no Colégio Moderno, propriedade do pai de Mário Soares, em que fora também o melhor aluno, situação igualmente confirmada na Universidade, onde, depois de formado, seria também Assistente, por convite.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez que por esta excelente reputação escolar tivesse tão cedo sido escolhido para integrar o elenco governativo de um Governo de António de Oliveira Salazar, em 1965, ainda com 33 anos incompletos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À medida que vamos conhecendo melhor a vida e as personalidades do Antigo Regime, mais nos espantamos com a falta de preparação técnica, cultural e ética do pessoal político da democrática era abrilina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Patrício e outros apeados do Poder em 1974 puderam refazer as suas vidas profissionais ou académicas, essencialmente porque tinham valor profissional, fundado na boa formação escolar recebida, nos diversos graus de ensino que haviam frequentado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contavam por isso com um precioso capital próprio que lhes haveria de valer ao longo da vida, mais do que quaisquer outros activos : dinheiro ou conhecimentos pessoais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estes, que hoje nos governam, se acaso perderem as teias de interesses que os mantêm ligados entre si, rapidamente desaparecem na maior obscuridade, por nada de substantivo os aconselhar a alguém ou a alguma instituição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parece hoje incontestável que, em Portugal, o pessoal político se tem degradado continuamente, como consequência natural da desarticulação geral do nosso Sistema de Ensino, esvaziado de conteúdo formativo, nas matérias de estudo, como aleijado, na construção do carácter cívico dos Estudantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estes são, no presente, moldados na indisciplina, na promiscuidade e na consequente irresponsabilidade geral, condições que farão deles e delas fracos cidadãos, incapazes ou dificilmente capazes de corresponder à herança dos seus antepassados e às tarefas que terão pela frente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Podemos certamente assumir que a degradação é manifesta e comprometedora do nosso futuro como Nação, a médio, se não mesmo já a curto prazo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ensaiamos, sem o conseguir, imaginar uma figura como José Sócrates membro de um Governo de António Salazar ou de Marcelo Caetano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito menos nos seria possível imaginá-lo como Chefe de qualquer Executivo desse tempo, factos que por si sós nos atestam a decadência entretanto ocorrida nas elites políticas do País.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma demagogia logrará, no presente, iludir esta convicção : o pessoal político da Democracia é claramente inferior, sobretudo no plano técnico e no plano ético, ao da Ditadura, como em relação ao que substituiu este último, nos anos imediatamente após o regresso ao Sistema Democrático.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de desarticulado o Sistema de Ensino, com reformas mal pensadas e pior executadas, com mentiras estatísticas instituídas como verdades irrefutáveis, estaremos cada vez mais incapacitados para operar a urgente regeneração do País.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais cedo estas verdades entrarem nas nossas cabeças, mais perto estaremos do início da Regeneração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A opção parece clara, mas a acção tarda em aparecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 12 de Julho de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-9221946897673834699?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/9221946897673834699/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' 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type='text'>O Jacobinismo Recuperado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já muito se disse de José Saramago, mas é sempre possível acrescentar alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a passada 6ª feira, dia 18 de Junho de 2010, até ontem, domingo, quando o corpo de Saramago entrou no crematório do Cemitério do Alto de S. João, assistimos a uma verdadeira orgia de jacobinismo, em que a aliança esquerdista-trotsquista-estalinista-socratista funcionou em pleno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o primeiro minuto da notícia da morte de Saramago que começou a desenhar-se esta espúria coligação, norteada pelo cerco político ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um poderia ter lembrado a esta gente assanhada que por várias ocasiões Saramago havia proclamado, com desbragada altivez, que onde ele, Cavaco Silva, estivesse, não estaria ele, Saramago, fosse aquele Presidente da República, como de facto veio a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago foi repetidamente grosseiro e afrontoso com Cavaco Silva, Primeiro-Ministro e depois Presidente da República, digo-o assim, com alguma mágoa sentida, porque não gosto de falar mal dos mortos, seguindo aqui uma velha máxima latina que manda que destes não se fale senão bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, não preciso de pertencer àquela coligação espúria para reconhecer a importância literária e cultural de Saramago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficará certamente como um dos grandes escritores de língua portuguesa do século XX, que continuou a escrever ao entrar no século XXI, já com oitenta anos e a publicar com regularidade espantosa de quase um livro por ano, até 2009, quando cumpriu o seu octogésimo sétimo aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosador de largo fôlego, senhor de uma técnica narrativa invulgar, sustentada por fértil imaginação, que, com mais de oitenta anos, fazia inveja a muitos jovens escritores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se isto parece consensual, convém que se vejam também as outras faces do poliedro Saramago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atribuição do Prémio Nobel, em 1998, pela Academia Sueca, ter-lhe-á dado a sensação de que não só lhe reconheciam a arte literária, como lhe legitimavam igualmente a ideologia funesta, derrotada pela História, sem honra nem glória, no final dos anos 80 do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De então para cá, vimos um José Saramago cada vez mais empertigado, azedo com todos os que não o reverenciavam, mas teimavam em recordar-lhe o passado jacobino, cúmplice de regimes que amordaçaram a liberdade, ao mesmo tempo que negavam à população os níveis de desafogo e de conforto típicos das democracias capitalistas ocidentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago exerceu com devotado sectarismo o cargo de Director-Adjunto do Diário da Notícias, no período revolucionário de 1974-75, de onde só saiu, quando a aventura esquerdista-comunista finalmente terminou no inevitável 25 de Novembro, sem o qual o país continuaria a sua marcha para o caos, que o teria arrastado para uma mais que provável guerra civil, não fosse a virtuosa estratégia de contenção dos militares moderados, com Eanes à cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de anos de ressaca, Saramago regressou à vida, com o seu «Levantado do Chão» com que, em 1980, ganhou o Prémio Cidade de Lisboa, seguido do «Memorial do Convento», em 1982, e de «O Ano da Morte de Ricardo Reis», em 1984, abrindo caminho a uma década de franco sucesso literário, já depois dos 60 anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o episódio infeliz da desqualificação do seu «Evangelho» da lista de livros candidatos a um Prémio europeu, viria a tirar proveitosos trunfos, pela rábula que habilmente soube montar de escritor maldito, perseguido pelo Poder cavaquista, que muitos ingénuos e outros matreiros ajudaram também a encenar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, após a queda estrondosa do Comunismo, lhe esperávamos uma meditação redentora do grande embuste intelectual do século XX, eis que nos surge armado de inusitada virulência, a explorar contradições do Cristianismo e da Bíblia, procurando retomar uma típica questão dos finais do século XIX, quando alguns intelectuais, sobretudo em França, como E. Renan, empreendiam a sua investigação racionalista dos fundamentos históricos e doutrinais do Cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca lhe ocorreu reflectir sobre as causas do fracasso do Comunismo, que, para lograr algumas realizações no campo sócio-cultural, houve de engendrar um regime sumamente burocrático e repressivo, que esmagava qualquer veleidade de exercício de cidadania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, inventou uma perseguição da parte da Igreja e dos Governos de Cavaco Silva, que, na verdade, nunca existiu, apesar da desastrada actuação de um seu Sub-Secretário de Estado da Cultura, de nome Sousa Lara, que dela se deve ter mil vezes arrependido, quanto mais não seja, pelas consequências políticas calamitosas que se lhe seguiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi que, progressivamente, todo o jacobinismo se lhe colou, como lapa em rocha propícia, como vimos com manifesta exuberância no último fim-de-semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ódio exacerbado a tudo o que pareça contradizer-lhe a cartilha, este moderno jacobinismo está hoje bem entrincheirado nos chamados órgãos da Comunicação Social, de onde pretende controlar mentalidades e opiniões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreende, de facto, este recrudescimento de sectarismo político-cultural, num tempo que supúnhamos de maior tolerância e abertura de espírito, demonstrando, a quem tivesse dúvidas, que a Política continua a ser necessária para orientar opções fundamentais, não bastando para tal o mero manuseio de palavreado pseudo-científico de cariz económico-financeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tempos próximos certamente o confirmarão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;AV_Lisboa, 21 de Junho de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-3795242826001503357?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/3795242826001503357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=3795242826001503357' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3795242826001503357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3795242826001503357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/06/o-jacobinismo-recuperado.html' title='O Jacobinismo Recuperado'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-8475585306462050658</id><published>2010-06-06T12:01:00.002+01:00</published><updated>2010-06-06T12:11:28.403+01:00</updated><title type='text'>Retorno para Breve</title><content type='html'>Aos leitores deste espaço reflexivo autónomo e solidário, informo que estarei de regresso, em breve, para contribuir para a nossa comum libertação intelectual dos modernos mas formidavelmente nocivos preconceitos ideológicos que nos tolhem e obscurecem a consciência, libertação sem a qual nenhuma atitude ou acção resultarão válidas, no futuro incerto e duro que nos espera e, hoje mais do que nunca, nos ameaça drasticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 06 de Junho de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-8475585306462050658?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/8475585306462050658/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=8475585306462050658' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8475585306462050658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8475585306462050658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/06/retorno-para-breve.html' title='Retorno para Breve'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-4838656322150834611</id><published>2010-04-26T00:36:00.004+01:00</published><updated>2010-04-26T01:53:09.156+01:00</updated><title type='text'>O 25 de Abril em Descrença</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Deixo para outra altura a sequência do artigo sobre Rohmer e Pascal, para lavrar aqui uma breve declaração sobre o grave desencanto com a retórica oficial e oficiosa dos laureados do Abril revolucionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já aqui há poucos anos tive a ideia de transcrever dois violentos artigos do saudoso António José Saraiva, talvez a nossa maior figura de intelectual, de pensador, de filósofo da cultura, do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inexplicavelmente, AJSaraiva aguarda ainda o reconhecimento da maioria da população portuguesa, que, sem consciência do mal que a corrói, caiu num estado de preocupante degradação cultural e cívica, que, no fundo, provoca nela uma contundente desqualificação moral, condição de tal forma acabrunhante que a incapacita de lutar para melhorar o seu futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta atentar na categoria ética das elites presentes. Indivíduos sem preparação ascendem aos mais altos cargos da representação do Estado ou das Empresas, por meio de golpes baixos, compromissos venais e toda a sorte de aldrabices avulsas, sem encontrarem repúdio e, por vezes, nem sequer reprovação da parte dos seus concidadãos, que chegam a afirmar que fariam o mesmo em igualdade de circunstâncias, desde que tal lhes garantisse o que designam por sucesso ou êxito social. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tamanha degradação ética e política causa enorme apreensão pelo futuro que aí vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quando topamos com casos de boa formação técnica, com pessoas que desempenham com competência as suas profissões, salvo raras excepções, cada vez mais raras, o seu cinismo social, ético e cívico, a sua ausência de preocupações morais, a sua falta de solidariedade, etc., confrangem e abatem mesmo os que de entre nós se consideram mais idealistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estado a que Portugal chegou 36 anos depois de uma Revolução que tudo prometeu no futuro, ao mesmo tempo que tudo diabolizava no passado, deprime qualquer um, por mais força anímica que julgue poder convocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir hoje de manhã na Rádio os discursos dos Deputados, do Presidente da Assembleia da República e o do próprio Presidente Cavaco Silva, sinto-me possuído de sentimento estranho, entre agradado e revoltado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só um grande esforço de rendenção colectiva poderá fazer-nos sair da descrença em que caímos e que continuamente nos tem puxado para o fundo do abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse momento de redenção ainda não chegou e não parece poder vislumbrar-se enquanto se olhar para aqueles que do alto dos seus cargos falam sem competência e sem autoridade pedindo aos cidadãos esse esforço de recuperação do País, que todavia todos reconhecem necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem arredar a corrupção e a incomptência instaladas em todos os escalões do Poder, não parece possível a redenção do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas só pode lançar esse justo apelo de redenção colectiva quem reunir as qualidades necessárias de probidade, competência profissional, sentido ético e cívico claramente evidenciados nas suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só a partir de bons paradigmas, geralmente reconhecidos como tais, se conseguirá despertar a energia colectiva da Nação descrente e abatida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que eles surjam, da inspiração individual ou em resultado da persistente movimentação e empenho dos cidadãos, a Nação continuará a arrastar-se penosamente em direcção a um futuro tão duro quanto incerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 25 de Abril de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-4838656322150834611?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/4838656322150834611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=4838656322150834611' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4838656322150834611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4838656322150834611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/04/o-25-de-abril-em-descrenca.html' title='O 25 de Abril em Descrença'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-8008861498153882067</id><published>2010-04-11T12:45:00.002+01:00</published><updated>2010-04-11T12:49:38.621+01:00</updated><title type='text'>Dupla Evocação : Rohmer e Pascal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do ano, a 11 de Janeiro, faleceu com 89 anos, o realizador de cinema Eric Rohmer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha memória cinéfila registava, sobretudo, aquele seu filme que fundamente me motivou : A Minha Noite em Casa de Maud/Ma Nuit Chez Maud, de 1969, a preto e branco, rodado em pleno inverno rigoroso, em época natalícia, com neve abundante, no interior de França, na cidade de Clermond Ferrand.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade havia sido escolhida certamente por ter sido a terra de nascimento do filósofo e cientista Blaise Pascal (1623–1662), figura que será no filme largamente evocada, pela discussão que se abre, ao jantar, na casa de Maud, na noite do dia de Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo do filme é tipicamente rohmeriano. Baseia-se fielmente no conto que o autor escrevera antes de o transpor em filme e constitui um dos seis contos morais da obra que Rohmer publicou, todos eles depois vertidos para o cinema, com geral sucesso, em particular, este, da Minha Noite em Casa de Maud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os quatro actores principais são sóbrios, mas de grande domínio técnico na arte de representar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papel de maior destaque cabe a Jean-Louis Tringtignant, Jean-Louis, no filme, na pele de um Engenheiro da empresa Michelin, de 34 anos, celibatário, regressado a França, após alguns anos de trabalho no estrangeiro, em Vancouver e Valparaíso, ao serviço de uma filial da Standard Oil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este personagem, católico, com um interesse paraticular pela Matemática, pelo Cálculo das Probabilidades e pelas suas transposições reflexivas, designdamente nos campos da filosofia e da religião, à semelhança do que acontecera com Pascal, pioneiro deste ramo das Matemáticas e autor da famosa aposta – Le Pari de Pascal – com a qual procurara incitar o Homem a jogar uma espécie de jogo, sobre a existência de Deus, em que, surpreendentemente, ele teria tudo a ganhar e nada a perder, revelando-se, por conseguinte, néscio se recusasse o desafio proposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Pascal, o Homem, se aceitasse entrar neste jogo, e vencesse, i.e., se Deus existisse, o ganho para si obtido seria de natureza infinita, dado que alcançaria a salvação eterna da sua alma, a troco de nenhuma prejuízo, caso  viesse a perder a aposta, ou seja, se Deus não existisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ideia de Pascal, de propor ao Homem um jogo, aparentemente de grande bondade, visto que oferece tudo, o máximo, o infinito, a sua salvação eterna, sem nenhum dano para o próprio, em caso de perda, seria, posteriormente criticada por muitos pensadores, desde logo por permitir ao Homem uma atitude do mais descarado oportunismo, pela facilidade da aceitação dos termos da proposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem poderia atingir a salvação a troco de nada, i. e., apenas lhe seria exigido que enunciasse a sua fé na existência de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convenhamos que a crítica também é fácil. Naturalmente, que um espírito elevado, exigente, com fundo estóico, como Pascal profundamente era, não admitiria premiar superlativamente semelhante possibilidade de oportunismo do candidato à salvação eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para reflexão geral, transcrevo a seguir parte substancial da célebre passagem da obra que viria a ser publicada com o título « Pensées/Pensamentos» de Pascal :&lt;br /&gt;.................&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;« &lt;strong&gt;Qu'il est plus avantageux de croire que de ne pas croire ce qu'enseigne la Religion Chrétienne&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Oui ; mais il faut parier ; cela n'est pas volontaire ; vous êtes embarqué ; et ne parier point que Dieu est, c'est parier qu'il n'est pas. Lequel prendrez vous donc ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Pesons le gain et la perte en prenant le parti de croire que Dieu est. Si vous gagnez, vous gagnez tout ; si vous perdez, vous ne perdez rien. Pariez donc qu'il est sans hésiter. Oui il faut gager.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais je gage peut-être trop. Voyons : puis qu'il y a pareil hasard de gain et de perte, quand vous n'auriez que deux vies à gagner pour une, vous pourriez encore gager. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Et s'il y en avait dix à gagner, vous seriez bien imprudent de ne pas hasarder votre vie pour en gagner dix à un jeu où il y a pareil hasard de perte et de gain. Mais il y [55] a ici une infinité de vies infiniment heureuses à gagner avec pareil hasard de perte et de gain ; et ce que vous jouez est si peu de chose, et de si peu de durée, qu'il y a de la folie à le ménager en cette occasion. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Car il ne sert de rien de dire qu'il est incertain si on gagnera, et qu'il est certain qu'on hasarde ; et que l'infinie distance qui est entre la certitude de ce qu'on expose et l'incertitude de ce que l'on gagnera égale le bien fini qu'on expose certainement à l'infini qui est incertain. Cela n'est pas ainsi : tout joueur hasarde avec certitude pour gagner avec incertitude ; et néanmoins il hasarde certainement le fini pour gagner incertainement le fini, sans pécher contre la raison. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Il n'y a pas infinité de distance entre cette certitude de ce qu'on expose, et l'incertitude du gain ; cela est faux. Il y a à la vérité infinité entre la certitude de gagner et la certitude de perdre. Mais l'incertitude de gagner est proportionnée à la certitude de ce qu'on hasarde selon la proportion des hasards de gain et de perte : et [56] de là vient que s'il y a autant de hasards d'un côté que de l'autre, le parti est à jouer égal contre égal ; et alors la certitude de ce qu'on expose est égale à l'incertitude de ce qu'on expose est égale à l'incertitude du gain, tant s'en faut qu'elle en soit infiniment distante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Et ainsi notre proposition est dans une force infinie, quand il n'y a que le fini à hasarder à un jeu où il y a pareils hasards de gain que de perte, et l'infini à gagner. Cela est démonstratif, et si les hommes sont capables de quelques vérités ils le doivent être de celle là. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Je le confesse, je l'avoue. mais encore n'y aurait-il point de moyen de vois un peu plus clair ? Oui, par le moyen de l'Écriture, et par toutes les autres preuves de la Religion qui sont infinies. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ceux qui espèrent leur salut, direz vous, sont heureux en cela. Mais ils ont pour contrepoids la crainte de l'enfer. Mais qui a plus sujet de craindre l'enfer, ou celui qui est dans l'ignorance s'il y a un enfer, et dans la certitude la damnation s'il y en a ; ou [57] celui qui est dans une certaine persuasion qu'il y a un enfer, et dans l'espérance d'être sauvé s'il est ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quiconque n'ayant plus que huit jours à vivre ne jugerait pas que le parti de croire que tout cela n'est pas un coup de hasard, aurait entièrement perdu l'esprit. Or si les passions ne nous tenaient point, huit jours et cent ans sont une même chose. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quel mal vous arrivera-t-il en prenant ce parti ?&lt;/strong&gt; Vous serez fidèle, honnête, humble, reconnaissant, bienfaisant, sincère, véritable. A la vérité vous ne serez point dans les plaisirs empestés, dans la gloire, dans les délices. Mais n'en aurez vous point d'autre ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Je vous dis que vous y gagnerez en cette vie ; et qu'à chaque pas que vous ferez dans ce chemin, vous verrez tant de certitude du gain, et tant de néant dans ce que vous hasarderez, que vous connaîtrez à la fin que vous avez parié pour une chose certaine et infinie, et que vous n'avez rien donné pour l'obtenir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vous dites que vous êtes fait de telle sorte que vous ne sauriez [58] croire. Apprenez au moins votre impuissance à croire, puisque la raison vous y porte, et que néanmoins vous ne le pouvez. Travaillez donc à vous convaincre, non pas par l'augmentation des preuves de Dieu, mais par la diminution de vos passions. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vous voulez aller à la foi, et vous n'en savez pas le chemin : vous voulez guérir de l'infidélité, et vous en demandez les remèdes : apprenez de ceux qui ont été tels que vous, et qui n'ont présentement aucun doute. Ils savent ce chemin que vous voudriez suivre, et ils sont guéris d'un mal dont vous voulez guérir. Suivez la manière par où ils ont commencé ; imitez leurs actions extérieures, si vous ne pouvez encore entrer dans leurs dispositions intérieures ; quittez ces vains amusements qui vous occupent tout entier. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;J'aurais bientôt quitté ces plaisirs, dites vous, si j'avais la foi. Et moi je vous dis que vous auriez bientôt la foi si vous aviez quitté ces plaisirs. Or c'est à vous à commencer. Si je pouvais je vous donnerais [59] la foi : je ne le puis, ni par conséquent éprouver la vérité de ce que vous dites : mais vous pouvez bien quitter ces plaisirs, et éprouver si ce que je dis est vrai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;[§] Il ne faut pas se méconnaître ; nous sommes corps autant qu'esprit : et delà vient que l'instrument par lequel la persuasion se fait n'est pas la seule démonstration. Combien y a-t-il peu de choses démontrées ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Les preuves ne convainquent que l'esprit. La coutume fait nos preuves les plus fortes. Elle incline les sens qui entraînent l'esprit sans qu'il y pense. Qui a démontré qu'il sera demain jour, et que nous mourrons ; et qu'y a-t-il de plus universellement crû ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;C'est donc la coutume qui nous ne persuade ; c'est elle qui fait tant de Turcs, et de Païens ; c'est elle qui fait les métiers, les soldats, etc. Il est vrai qu'il ne faut pas commencer par elle pour trouver la vérité ; mais il faut avoir recours à elle, quand une fois l'esprit a vu où est la vérité ; afin de nous abreuver et de nous teindre de cette créance qui nous échappe à [60] toute heure ; car d'en avoir toujours les preuves présentes c'est trop d'affaire. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Il faut acquérir une créance plus facile qui est celle de l'habitude, qui sans violence, sans art, sans argument nous fait croire les choses, et incline toutes nos puissances à cette créance, en sorte que notre âme y tombe naturellement. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ce n'est pas assez de ne croire que par la force de la conviction, si les sens, nous portent à croire le contraire. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Il faut donc faire marcher nos deux pièces ensembles ; l'esprit, par les raisons qu'il suffit d'avoir vues unes fois en la vie ; et les sens, par la coutume, et en ne leur permettant pas de s'incliner au contraire»&lt;br /&gt;.................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 11 de Abril de 2010&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-8008861498153882067?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/8008861498153882067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=8008861498153882067' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8008861498153882067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8008861498153882067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/04/dupla-evocacao-rohmer-e-pascal.html' title='Dupla Evocação : Rohmer e Pascal'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-5792280563475463547</id><published>2010-03-07T17:30:00.002Z</published><updated>2010-03-08T01:17:13.039Z</updated><title type='text'>Continuação do Problema «Socrático»</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o dia em que escrevi o artigo intitulado «O Problema Socrático», muita prosa já correu pelos jornais e outros órgãos da Comunicação Social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um modo geral, todas as suspeições sobre o comportamento anti-ético do Primeiro-Ministro se adensaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as transcrições das conversas judicialmente escutadas que vieram a público reforçam nos cidadãos a ideia de uma conspiração urdida com o beneplácito do PM, com o fito de condicionar a Comunicação Social, dando-lhe uma orientação politicamente favorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, cumpria afastar os jornalistas ou directores de jornais que se mostrassem resistentes às manobras que teriam de ser executadas para cumprimento do indecoroso plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos nele se prestaram a colaborar ou permaneceram indeferentes, sem obstruir na sua execução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os restantes, relativamente poucos, acrescente-se, tiveram de ser expurgados, contando-se para isso com os fortes recursos governativos disponíveis, que incluiam a utilização de meios financeiros de Empresas de prestígio em que o Estado detém prerrogativas especiais de Gestão, mesmo se não dispõe da maioria do seu capital, fazendo uso das chamadas quotas douradas ou golden shares, maravilha da moderna gestão, que permite, para certos efeitos, tratar como nacionalizadas Empresas que já foram objecto de privatizações mais ou menos extensas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As manobras têm sido pormenorizadamente descritas, comentadas e enquadradas por vários jornais, de que se destacam, à cabeça, o Semanário Sol e o Correio da Manhã e, em menor grau, mas também com papel relevante, o Expresso, o Público e o jornal i.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto tem deixado o Poder socrático completamente desnorteado. Nem os maiores expoentes do «socialismo» nativo, como Mário Soares, Almeida Santos e António Vitorino têm logrado reverter a opinião pública, que, na sua maioria, já não se atreve a defender a inocência do PM e dos seus incondicionais apoiantes nas falcatruas conhecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sondagem do Público da passada 6.ª feira já dava a conhecer este facto, ainda que lhe juntasse a incongruência de que a maioria continuava a sustentar a mesma família corrupta à frente do Governo da Nação. Pobre Governo e triste Nação que maioritariamente assim se deixa conduzir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo caso, dado o analfabetismo político-cultural reinante, agravado pela corrupção moral entretanto disseminada no corpo da Nação e pela manipulação constantemente dimanada dos órgãos do Poder, já se deve considerar um marco assinalável que a figura do PM tenha perdido a sua anterior presunção de inocência aos olhos da opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os Tribunais, todavia, ela permanecerá, até que que se obtenha a sua cabal refutação, ou seja, até que se consiga demonstrar inequivocamente a sua participação nas múltiplas tramóias conspirativas contra o Estado de Direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a sua credibilidade política desvanece-se dia a dia, arrastando consigo a das Instituições que, por definição, representam o Regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra noção que ressalta, cada vez com maior clarividência, é a do papel desempenhado por altas estruturas do Poder Jurídico : a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal de Justiça, sobretudo o primeiro destes órgãos aparece, na opinião pública, como fortemente empenhado em dissipar as suspeições ou em encobrir judicialmente a figura do PM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pormenores surgem exuberantemente explanados no editorial que José António Saraiva escreveu esta semana no Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ler o editorial, com espírito aberto, mesmo se simpatizante da família política em causa, compreenderá certamente a razão da suspeição que acabou também por atingir a figura do Procurador Geral da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, neste imbróglio em que mergulhámos, lá se vai a nossa minguada confiança no regime político vigente, que não basta apelidar-se de democrático, para merecer a nossa aprovação. Cada vez mais, as práticas conhecidas o desmentem ou desacreditam a sua reputação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fenómenos certamente parecidos com estes terminou ingloriamente a aventura da chamada primeira república, também ela enredada em tramóias sucessivas, em escândalos e em buracos financeiros insuperáveis, para os quais se mostraram insuficientes os artifícios demagógicos permanentemente esgrimidos pelas suas mais gradas figuras políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se isto é fácil de dizer, não é agradável de verificar, por traduzir um espectáculo desolador que derrota os mais bem intencionados, não os apaniguados, decerto, porque esses encontram-se sustentados, no seu falso optimismo, pelas prebendas, sinecuras e demais mordomias com que actual regime os tem contemplado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mínimo, eles retribuem-lhe com algum apoio, se não vigoroso, pelo menos persistente no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi preciso chegarmos à presente situação de calamidade económica, financeira, social, educativa, ética e cultural para aferirmos verdadeiramente o carácter daqueles que uma retórica fantasiosa e duradoura nos quis apresentar como Senadores ou Pais Fundadores do Regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só nominalmente o serão, porém sem o suposto alto prestígio tradicionalmente associado à famosa designação, suponho que, também aqui, de proveniência americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos já citados ícones «socialistas», outros nomes, supostas bandeiras de reserva, têm igualmente decepcionado aqueles que ainda lhes davam um resquício de isenção, de imparcialidade judicativa, agora inteiramente apagada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde tem andado Manuel Alegre e o que de relevante se lhe tem ouvido, a respeito de todo este descalabro ético que acometeu o Governo e a Direcção do Partido de que é militante ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada se lhe tem ouvido de claro ou de objectivo sobre a condenação, pelo menos no plano ético-político, de tantas trapalhadas vindas a público, oriundas do Governo de Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se assim que Alegre não é capaz de distanciar-se suficientemente da família política a que pertence e que, em momentos de aperto ou de aflição, com ela permanecerá, contra o interesse geral do País, se preciso for, nisto se identificando com Soares, Almeida Santos, Vitorino e demais Mestres da Confraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também aqui se revela a degenerescência das Instituições do Regime : entre a verdade dos factos e a razão do Partido, a escolha recai sempre sobre esta última, ou seja, prevalece a visão estreita do interesse do grupo, da facção e nisto se consubstancia, para alguns, em todo o seu esplendor, o tão execrável espírito de seita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra isto, é absolutamente necessário lutar ou deixar-se alguém de vez de falar em princípios ou valores democráticos, porque não se estará a visar outra coisa que não seja o interesse próprio ou do grupo a que se pertence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos visto com frequência esta tendência malsã prevalecer na vida nacional, por obra de todos os Partidos nela existentes, mas é preciso reconhecer que, no tempo presente, mais do que qualquer outro, é o PS o grande artífice desta doutrina deletéria, que ameaça os alicerces da nossa vida comunitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que desalojá-lo do Poder se torne numa tarefa eminentemente patriótica, de absoluta profilaxia política, de preferência por meios inequivocamente democráticos, mas incluindo outros, se absolutamente necessários, quando esteja em causa a sobrevivência da soberania da Nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é que não pode cair refém da corrupção de um qualquer Regime que lhe tolha a própria capacidade regeneração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, meus caros concidadãos, os Regimes Políticos alteram-se, desfazem-se e passam, ao longo da História, mas a Nação, essa, deve subsistir, justamente para que, como dizia Pessoa, ela se possa cumprir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 07 de Março de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-5792280563475463547?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/5792280563475463547/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=5792280563475463547' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/5792280563475463547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/5792280563475463547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/03/desde-o-dia-em-que-escrevi-o-artigo.html' title='Continuação do Problema «Socrático»'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-3016731213259975840</id><published>2010-02-07T20:32:00.013Z</published><updated>2010-02-21T04:26:48.976Z</updated><title type='text'>O Problema «Socrático»</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Escrevo hoje, mais uma vez, sobre um tema desagradável, para mim especialmente irritante, por repetitivo e invariavelmente confirmativo da opinião sempre manifestada e agravadamente retomada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falo da pulsão de Sócrates em relação ao controlo do Poder, por todos os meios possíveis, legais ou ilegais e da doença que acometeu o Partido de que ele é dirigente, que tudo lhe permite, tudo lhe aceita e tudo encontra maneira de justificar, desonrando completamente, com tal atitude, a sua história e algum nobre currículo que, ao longo dela, reconhecidamente angariou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de ter lido, no fim da tarde de ontem, o excelente trabalho jornalístico do Semanário Sol, em que, a par da investigação desenvolvida sobre a obsessão controladora do actual Primeiro-Ministro relativamente à Comunicação Social, de que nasce a pretensão de fazer desaparecer do seu seio todos os que se revelam críticos das suas acções ou projectos políticos, surgem também transcritos, no Semanário, extensos despachos de Magistrados Jurídicos, sustentando a existência de uma conspiração urdida a partir dos círculos íntimos do PM, com o assentimento deste, para concretizar tão hediondo propósito; depois de ter lido toda a matéria publicada no jornal de José António Saraiva, que aqui, de novo, aparece a honrar a sua paternidade, sinto-me como que obrigado a lavrar o meu consequente repúdio cívico de mais um caso de escabroso comportamento político, oriundo justamente de quem se esperaria, não só que o não cometesse, como, pelo contrário, o evitasse e o combatesse, onde quer que ele despontasse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nunca, desde 1974, nem no tempo da maior convulsão política pós-revolucionária, houve um tal propósito tão atrevido e tão descarado de controlo da Informação, no País; nunca um PM se preocupou tanto com o controlo político da Informação e nunca se levou tão longe a ânsia de domínio partidário da Comunicação Social.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que isto dimane de um Partido que conquistou adeptos pela defesa da Liberdade de Imprensa, que denunciou nacional e internacionalmente o assalto ideológico e efectivo ao jornal República, nos idos de 1975, surpreende e enoja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como foi possível que um grupo de aventureiros, sem particular formação política, sem nenhuma história de apego a ideais cívicos, em poucos anos se tivesse apropriado do Poder, primeiro no âmbito partidário e depois, no nacional, ganhando eleições e alcançando maiorias, uma delas até absoluta ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se consegue explicar este fenómeno político ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora sinta dificuldade em responder, direi, em primeiro lugar, que isto só é possível numa sociedade já profundamente degradada, etica e civicamente, como aquela em que vivemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O favorecimento do chamado pragmatismo político, no rescaldo mundial das falências ideológicas, preparou certamente o caminho para o aparecimento destes bandos de cínicos, arrivistas esforçados, carreiristas sem pudor, nem escrúpulos, que, enganando massas entontecidas por horas intermináveis de programas televisivos imbecilizantes, encontraram a sua nociva tarefa grandemente facilitada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me, no entanto, como é possível que meros rapazolas de trinta e poucos anos, habilitados com diplomas de licenciaturas da banha da cobra, passados por Escolas, Institutos e Universidades de pura ficção, forjem, em poucos anos, carreiras ditas de sucesso, atingindo o topo de grandes Empresas, tidas por institucionais e de referência, ao mesmo tempo que nessas mesmas Empresas profissionais probos e competentes, dedicados às suas especialidades, com cursos exigentes tirados em instituições de alta credibilidade, aí se arrastem, progredindo lentamente, sem nunca lograrem alcançar lugares de topo, cumulados de mordomias e privilégios, concedidos num ápice a essas supostas vedetas de propulsão político-partidária ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como foi possível atingirmos esta autêntica perversão profissional, ética, cívica e social, sem o consequente repúdio e reacção adequada da restante parte sã da Comunidade ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lê-se e custa a acreditar, como esses jovens turcos, catapultados por nomeações políticas, assumem cargos de administração de Empresas, que eles profundamente desconhecem, mas onde vão arrecadar anualmente milhões de euros, quais vedetas do Futebol milionário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem ditou, aprovou e sancionou as enormes diferenças salariais existentes entre a média e o topo das remunerações dessas Empresas, onde partidos políticos, por intermédio das tutelas, exercem o seu critério privilegiado de escolha e nomeação para os cargos de mando, opiparamente premiados em espécie e em dinheiro ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se compreende que um Partido dito socialista tenha tanta apetência pela alta administração da Banca, das Empresas e dos Negócios, em geral, e dê tão pouca atenção aos problemas sociais das classes mais atingidas pelas restrições económicas e sociais, a ponto de ter patrocinado, com Sócrates, uma Lei Laboral ainda mais restritiva para os direitos dos trabalhadores que a anterior, do Governo de Barroso-Santana, na altura apelidada, pelo mesmo Partido dito Socialista, de iníqua, revanchista, obra de uma Direita política, cega e insensível para com os direitos dos mais desfavorecidos ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que respeito nos devem merecer figuras, geralmente consideradas como reserva da consciência moral da sociedade, pais putativos do actual regime político, que, ainda há poucos anos, violando o princípio da solidariedade institucional, clamavam contra os perigos do economicismo, da obsessão com o défice orçamental, da degradação do Sistema Democrático, etc., e hoje se calam perante toda a espécie de atropelos, só porque praticados por seus supostos correligionários ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que deveremos dizer aos que, por comodismo, se refugiam na indiferença, alegando falta de alternativa política válida ao presente elenco governativo ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estaremos realmente convencidos que não se consegue forjar alternativa política ao pesadelo de Sócrates ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estará a nossa Pátria já tão debilitada, desmoralizada e descrente que não seja capaz de produzir outro tipo de gente para as tarefas da Governação ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo mais o País aguentará este tipo de Governação medíocre, incompetente, trapalhão, permanentemente sob suspeita ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que pensarão os militantes, simpatizantes e votantes do PS, honestos, trabalhadores, patriotas, afastados das mordomias do Poder e que sofrem também as consequências nocivas das práticas políticas do círculo «socrático» ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sentir-se-ão obrigados a justificar todos os actos, todas as manobras, todas as manipulações do Poder «socrático», só porque um dia, animados de um propósito honesto, lhe deram o seu voto ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que ganharão eles com tão irracional solidariedade ? E o País, que tem este ganho com a permanência de Sócrates no Poder ? Que progressos têm sido obtidos ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando os militantes socialistas, após os actos eleitorais, gritam que ganharam, que é que, em verdade, eles ganharam, para além da efémera noite de exagerada agitação e euforia ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contentar-se-ão os portugueses em eleger sistematicamente a solução política menos má, sabendo implicitamente que não estão a escolher os melhores, mas apenas os menos maus ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Terão consciência de que assim nunca mais, ou só por acaso, terão alguém que preste à frente dos Partidos, das Instituições e dos Governos ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitas perguntas subsistem ainda da leitura do dossier Face Oculta :&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se entende que um caso classificado por dois Magistrados, sendo um Juiz, como configurando crimes contra o Estado de Direito, puníveis com penas de prisão, seja considerado como contendo matéria criminalmente irrelevante por duas das mais altas figuras deste mesmo Estado de Direito, o Procurador Geral da República e o Juiz Presidente do Supremo Tribunal de Justiça ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porque levou tanto tempo a agir no processo o PGR, uma vez que os despachos dos Magistrados de Aveiro são de antes do fim do Junho de 2009, entregues na Procuradoria por mão própria, logo de imediato ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recorde-se que o PGR só divulgou a existência do Processo a meio do mês de Outubro de 2009, ou seja, cerca de 3 meses depois da sua recepção, quando se lhe pedira celeridade no mesmo ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode também referir-se, para os mais renitentes, que tudo atribuem ao acaso, a sucessiva ocorrência dos seguintes factos, não suposições : afastamento de Eduardo Moniz da Direcção da TVI, fim do Jornal da 6ª à noite, com o consequente afastamento da sua responsável Manuela Moura Guedes, afastamento do Director do jornal Público, José Manuel Fernandes, ameaças frequentes de anulação do Programa de Marcelo Rebelo de Sousa, na RTP, recusa de publicação de um artigo do jornalista Mário Crespo, num jornal tido por favorável ao poder «socrático».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta sequência de factos tem como denominador comum a circunstância de as acções persecutórias recaírem sempre sobre intervenientes na Comunicação Social adversários de Sócrates ou simplesmente pessoas não domesticáveis pela influência «socrática», pessoas que, de resto, tinham sido várias vezes nomeadas em público por Sócrates como realizando um trabalho na Comunicação Social, que lhe merecia toda a sua reprovação ou até indignação, como era o caso de Manuela M. Guedes na TVI.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta verificação que faço não envolve sequer qualquer juízo de valor quanto ao mérito ou demérito das pessoas mencionadas. Trata-se tão-só da enunciação de factos de todos conhecidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só alguém verdadeiramente obcecado pelo controlo da Informação pode envolver Empresas, como a PT, que para isso se prestam os seus putativos administradores lá colocados pelo Poder «socrático», para promoverem jogos de compra e venda de outras Empresas, para dessa forma se efectuarem os requeridos saneamentos das figuras julgadas incómodas ao dito Poder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto evidentemente se passa mobilizando recursos públicos, como se fossem privados, para agradar a personalidades caprichosas, se não mesmo não malignas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, o Poder «socrático» conseguiu domesticar largos sectores da Comunicação Social pública ou com participação estatal e até órgãos de comunicação privados, aliciados por promessas de contratos de Publicidade, de outra forma negados, com o inevitável estrangulamento financeiro dos mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O caso do Sol foi, neste aspecto, absolutamente paradigmático, como revelou o seu Director, o denodado José António Saraiva, que tem conduzido uma luta áspera contra a nefasta influência «socrática», aparentemente, até ao momento, bem sucedida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se nada disto impressiona as pessoas, nomeadamente, os que pertencem ou são simpatizantes do PS, então como se podem estes sequer intitular democratas, já que de socialistas pouco neles restará ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aos que acham tudo igualmente perverso e se recusam a tomar posição, poderá apontar-se-lhes que, com tal atitude, demonstram não ser dignos de fruir um regime democrático, qualquer Ditadura lhes serviria, porque esta, ao contrário da Democracia, não lhes pede nenhum tipo de participação política, apenas lhes impondo obediência às suas normas e leis, por regra, indiscutíveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Perante o ambiente criado, compreende-se que Cavaco Silva se mostre cauteloso e até apreensivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tivesse ele mais confiança nos agentes políticos da Oposição e provavelmente já teria despedido este Governo, que frequentemente o provoca, procurando diminui-lo, desacreditá-lo, como árbitro político, parecendo apostar numa possível vitimização, imaginando que com isso lhe bastaria depois montar o seu habitual carrossel político, as suas orquestradas romarias, para iludir o manso e ceguinho povinho, capaz de lhe atribuir nova maioria absoluta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Julgo que muita gente da corte «socrática» acreditará já que tal urdidura política contará com forte probabilidade de êxito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, meus caros concidadãos, reconheça-se o perigo, no actual estado de alienação da população portuguesa, sujeita a intensa e permanente manipulação política, por parte do Poder «socrático», que conta com inúmeros serviçais, em muitos órgãos da Comunicação Social, tal cenário atrás aludido afigura-se, na realidade, como bem possível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para o evitar, para o esconjurar, torna-se mister que muitos para isso contribuam, desde logo, saindo da indiferença e denunciando as perversões políticas que vêem praticar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isto, naturalmente, se quiserem ou estimarem viver em regime democrático, se acalentarem algum sentimento patriótico ou de solidariedade, genérico que seja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caso contrário, não se lastimem depois da apagada e vil tristeza do meio em que caírem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 07 de Fevereiro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Adenda :&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tendo estado a ver, na RTP1, o programa «As Conversas de Marcelo», foi com espanto que notei a colocação deste assunto em quarto ou quinto lugar, na ordem de abordagem de Marcelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, este deixou que Maria Flor Pedroso, uma flor do viveiro esquerdista da TSF, esquerdistas grandemente sintonizados com Sócrates, como este gosta naturalmente que sejam todos, esquerdistas ou não, fosse elegendo para a sua apreciação temas absolutamente secundários, até que finalmente chegou ao que verdadeiramente interessava nesta sessão. Marcelo disse coisas acertadas, mas demasiado benevolentes, para a acção de Sócrates.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando perguntado sobre a razão de ser do pedido de demissão do PM, Marcelo classificou o pedido de absurdo, de tonteria, como disse, sem enquadrar devidamente a questão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só por haver fundado temor de, em face da fraca alternativa política visível na presente Oposição, em novas eleições, se repetir o resultado das últimas, é que o caso não seja de considerar de imediato. Já pelos motivos, ele os há mais do que suficientes para a dissolução da Assembleia e a consequente convocação de novas eleições.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vejamos a crueza dos factos : em que outro País da Europa um PM pode usar Empresas que se encontram sob tutela do Estado, para promover compras e vendas de outras Empresas, com o fito único de obter o afastamento de simples jornalistas, que lhe não são simpáticos ou que o criticam, aliás, com toda a razão e sentido de oportunidade, tão numerosos são os motivos de censura do comportamento pessoal e governativo de José Sócrates.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sintomaticamente, este nunca surge a negar a veracidade das transcrições das escutas, apenas contestando a sua validade jurídica. Esta, porém, não pode erguer-se sobre uma mentira colossal. E aqui é que reside o ponto crucial da questão. Creio que pouca gente, hoje, com um mínimo de percepção política, terá dúvidas sobre a participação de Sócrates neste plano maquiavélico de controlo da Comunicação Social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo fala na hipersensibilidade de Sócrates relativamente a problemas de imagem. Ora, o caso é diferente. Trata-se de algo muito mais grave, tal como escreveu o Magistrado de Aveiro, ou seja, a concepção, a planificação e a activação de um projecto sinistro de controlo da Comunicação Social, com a concertação de Empresas sob tutela do Estado, com vista ao afastamento de profissionais considerados contrários às suas opiniões e acções políticas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Note-se que os jornalistas sob perseguição apenas pretendem exercer um direito normal, em qualquer regime democrático, como o exercício da liberdade de opinião, sem constrangimentos, nem condicionamentos de nenhuma espécie.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Marcelo foi, assim, bastante brando com Sócrates. Por aqui, de resto, se percebe por que razão Sócrates tem tido tanto sucesso na sua carreira política. Na verdade, não tem tido adversários à sua altura. Talvez, o político da Oposição que mais se tenha aproximado do nível de combatividade desejável para desfeitear Sócrates tenha sido Paulo Rangel, politicamente muito mal empregado numa frente de combate demasiado distante do centro do Poder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até que surja alguém politicamente à altura da gravidade da situação, Portugal continuará a sofrer as consequências nocivas da governação «socrática», que se vai penosamente prolongando no tempo, sem crédito, sem autoridade, sem capacidade de concitar o respeito e o desejado empenho da maioria da população, nas tarefas ingentes da reanimação económica e social do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a crise vai-se agravando e Portugal vai-se afundando, inexoravelmente...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 07 de Fevereiro de 2010&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-3016731213259975840?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/3016731213259975840/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=3016731213259975840' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3016731213259975840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3016731213259975840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/02/o-problema-socratico.html' title='O Problema «Socrático»'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-6738029823605910446</id><published>2010-01-10T23:55:00.010Z</published><updated>2010-01-13T15:57:21.784Z</updated><title type='text'>Lei Contra-Natura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A presente maioria dita de Esquerda aprovou na passada sexta-feira, dia 8 de Janeiro de 2010, a Lei que permitirá o casamento entre pessoas do mesmo sexo, supostamente um velho e angustioso anseio dos homossexuais portugueses, sem querer saber do sentimento profundo da sociedade, a quem persiste em negar o direito de se pronunciar pela forma de um Referendo nacional, mais que justificado, na ocorrência de uma alteração, como esta, tão inusitada, das nossas normas e costumes ancestrais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma alteração que contende com hábitos e códigos de comportamento de praticamente todos os Povos, de todos os quadrantes civilizacionais, religiosos ou desprovidos de religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão fundamental alteração deveria, no mínimo, merecer o pronunciamento da comunidade em que ela vai operar consequências perigosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates e a sua corte pseudo-socialista, com o aplauso dos extremistas trotsquistas-estalinistas, promovem aqui mais uma ilusão de modernidade, para nosso espanto, com a complacência da esquerda comunista, habitualmente mais realista e comedida neste tipo de extravagâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma simples maioria de circunstância bastou para perpetrar o nefando acto desta aprovação legislativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se contássemos com gente mais firme, nas ideias e nos valores, poderíamos, entretanto, confortar-nos com a esperança de, num futuro próximo, uma outra maioria diversa da actual tomar a iniciativa parlamentar de revogação desta lei contra-natura, que pretende igualar o que não é susceptível de o ser. Assim, o caso configura-se de maior gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para garantir direitos sociais e patrimoniais, se isto estivesse em causa, haveria várias soluções legislativas possíveis, todas, porém, excluindo o casamento destes indivíduos, visto ser aquele uma instituição-base da sociedade, dotada de dignidade própria, que ultrapassa a mera relação de duas pessoas de sexo diferente, porque dela surge, por regra, outra realidade, uma nova família, unidade social fundamental, que nem os revolucionários bolcheviques ousaram ameaçar, apesar de algumas tentativas legislativas iniciais, no contrato de constituição e dissolução do casamento, que lhe criaram nociva instabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que não se entenda a posição dos comunistas portugueses, agregados a mais esta fantasia socretina da sua idolatrada modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem por ter sido aprovada idêntica lei noutros estados, sete, supõe-se, alguns dos quais, na verdade, bastante evoluídos do ponto de vista económico, social, científico e cultural, deveria ela tê-lo sido entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Povos têm culturas e sensibilidades diferentes, costumes e práticas sociais diversas, sedimentadas por evoluções contínuas, graduais, ao longo dos séculos, que cumpre respeitar, procurando evitar alterações contrárias à sua natureza, sob pena de neles se introduzirem factores nocivos, geradores de desagregação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranha-se até certa tibieza da Igreja Católica, que se opôs a esta iniciativa de forma um tanto acanhada, dir-se-ia com vergonha de vincar a sua efectiva desaprovação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poderia e deveria ter sido muito mais enérgica e interventiva, afirmando princípios e valores provados de que é velha depositária. Se nem sempre ao longo da História os soube respeitar, na sua prática, se nem sempre lhes foi fiel, transviando-se da sua missão e do seu compromisso, nem por isso se deve hoje inibir de os retomar, proclamando-os, sem qualquer hesitação, denunciando, ao mesmo tempo, as acções que atentem, dentro ou fora da Instituição, contra a sua subsistência no seio das sociedades, que esses princípios e valores justamente permitiram desenvolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi sobre eles que as sociedades ocidentais se edificaram, mesmo quando a Igreja deles se desviou, porque, então, como sempre sucedeu, no devir das comunidades humanas, outros os empunharam e os promoveram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa civilização, a chamada civilização ocidental de base judaico-cristã, que, no caso português, incorpora também alguns valores, não religiosos, mas civilizacionais, do mundo muçulmano, acumula sinais de degradação e de decadência, há muito visíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A onda esquerdista, em grande parte fantasiosa, dos anos 60 do século passado, começou por contestar e depois confundir quase tudo aquilo em que assentava a estabilidade cultural das sociedades ocidentais, as mais avançadas do mundo, sob todos os aspectos considerados, sejam eles de natureza sócio-económica, cultural ou científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sendo estas sociedades naturalmente perfeitas, longe disso, nelas existia e continua a existir espaço para a sua própria contestação, capaz de inspirar e desencadear a sua reforma, sempre que tal se mostre necessário ou conveniente ao funcionamento das suas instituições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu lugar, os contestatários mais activistas defendiam rematadas fantasias e elegiam como seus modelos sociedades organizadas em torno de ditaduras de partido único, vulgarmente sob o domínio de figuras de carismáticos Ditadores, apresentados como seres iluminados, animados dos mais generosos sentimentos, apostados em levar as suas sociedades a fins idílicos de bem-estar e de felicidade, sempre distantes, sempre adiados, terminando, invariavelmente, por se revelarem, enormes pesadelos, autênticos logros políticos, em que, sistematicamente, campeavam a pobreza, a mentira ideológica e uma repressão impiedosa, como nunca antes se conhecera no mundo, só comparável, aqui na Europa, com as experiências fascistas da Itália e da Alemanha, felizmente de muito mais breve duração e que nunca haviam despertado, nem para os seus mais ardentes prosélitos, idêntica expectativa redentora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminada a mentira ideológica, derrotadas as experiências do socialismo dito científico, ei-los que regressam ao seu labor antigo de corrosão dos fundamentos das sociedades ocidentais, por vezes, incompreensivelmente ajudados por aqueles – neoliberais – que, tomados de egoísmo exacerbado, tripudiando sobre todos os valores cuja existência lhes permitiu o seu próprio conforto e a sua própria ascensão a posições de mando e de prestígio, afinal, todos juntos parecem apostados em minar a racionalidade do nosso sistema sócio-económico e o seu travejamento ético, base inequívoca da nossa civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esta tendência nociva não encontrar a sua réplica contrária, se não for possível encontrar gente disposta a encarnar a luta contra a degenerescência das sociedades ocidentais, não se vê, na verdade, futuro decente para elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a presente alteração no conceito de casamento, ainda há escassas décadas, lembre-se, considerado pelas multifacetadas facções esquerdistas, anarquistas, trotsquistas e maoístas, como instituição retrógrada, reaccionária, ostensivamente por elas desprezada, atinge-se uma situação completamente absurda, visto que estas mesmas facções aparecem, agora, a reivindicar a possibilidade de integrar a Instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderemos mesmo questionar-nos do seu verdadeiro intuito: requerem-no, porque passaram a acreditar na instituição casamento ou, com tal pretensão, apenas desejam desacreditá-la, primeiro descaracterizando-a, atribuindo-lhe efeitos a tipos de uniões sexuais diversas, contrárias ao seu fim último, como seja a constituição de novas famílias, objectivo que, podendo não ser primordial, permanece sempre expectável, como consequência natural das características dessa mesma união?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação criada, por acumulação contínua de erros, com a queda progressiva das taxas de natalidade, por falta de visão dos dirigentes das nossas sociedades, por inibição esquerdista, recalcada, em muitos deles, que os impede de traçar políticas concertadas de apoio e fomento da Família, com o favorecimento dos casamentos de homossexuais, etc., tudo isto torna dolorosamente sombrio o futuro destas mesmas sociedades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se começou a perceber que estaríamos a caminho de uma queda de crescimento da população, nomeadamente nas sociedades ocidentais, os nossos dirigentes, em lugar de conceberem políticas adequadas à inversão dessa tendência, não acharam nada melhor que facilitar as migrações de populações miseráveis, que, em desespero de luta pela sua sobrevivência, se oferecem dóceis, submissas, aceitando condições de trabalho e de vida consideravelmente inferiores às existentes nas sociedades ocidentais, em declínio populacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isto, especuladores sem escrúpulos, negociadores de tráfegos humanos, conseguem explorar uma mão-de-obra abundante e barata, geradora de lucros imediatos, ao mesmo tempo que usam este expediente para suster reivindicações salariais e sociais da parte dos trabalhadores dos países acolhedores de trabalhadores migrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este processo não é novo, mas voltou a ganhar relevância acrescida, nas últimas décadas, nomeadamente na Europa. Como consequência, os padrões de vida regrediram, como o atestam quase todos os indicadores de conforto social, sob o pretexto de que assim é preciso, para manter as Empresas europeias competitivas com as do resto do mundo globalizado, em especial com as que utilizam mão-de-obra quase escrava, no Oriente e, sobretudo, na China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta argumentação, verosímil, na sua inicial formulação, contende com a verificação de que a maximização de lucros gerados por essas mesmas Empresas, cujos gestores, a seu belo talante, reservam para si opíparas condições de remuneração e privilégios de toda a ordem, atribuindo-se discricionariamente estatutos de verdadeiros nababos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais fenómenos têm-se multiplicado recentemente e contêm em si mesmos enorme potencial de conflito, incompatível com a manutenção de sistemas políticos democráticos, economicamente prósperos e socialmente equilibrados, antes acabam por gerar, mais tarde ou mais cedo, turbulências sociais, que, depois, justificam medidas de repressão, cada vez mais fortes, pondo mesmo em perigo a existência do próprio sistema democrático ou, a coberto do maior cinismo, provocam a sua profunda descaracterização, esvaziando-o do seu típico conteúdo económico e social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais cenários são de forte probabilidade e não meros exercícios ficcionais. Em parte, já neles nos encontramos, com crescimentos insignificantes da Economia, em grande parte desindustrializada, assente num sector de serviços desproporcionado, fomentador de precariedade e salários de miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A clique socretina, que não gosta de ouvir argumentação pessimista, ainda que verdadeira, ilude a realidade, resguardando-se a si mesma, aos seus familiares e apaniguados, promovendo o povoamento do Estado e das Empresas em que mantém influência, com redes de protegidos, que propagam o fenómeno até à sua possível saturação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, os excessos de pessoal das Instituições e das Empresas darão origem a despedimentos, reformas antecipadas ou rescisões de contratos de todos, excepto daqueles que nelas entraram por protectora mão política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto aconteceu já e continua a acontecer. E, para travar esta ominosa degradação social, de nada servem as causas fracturantes dos casamentos de homossexuais, artificiosamente agitadas por demagogos e inconscientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iremos, por isso, assistir a algum movimento de resistência a semelhante situação de desgoverno nacional?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o que nos cumpre verificar, sendo certo que, se não houver empenhamento de consciências e de vontades, a degradação tão cedo não conhecerá limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos no início de um novo ano, que se prevê de intensa perturbação política, no seio de uma Economia com graves sinais de paralisia, combinação perigosa de factores, ela mesma dilatada pela fraca categoria dos principais responsáveis políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É caso para proferir um voto pio: que os Fados protejam Portugal…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 10 de Janeiro de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-6738029823605910446?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/6738029823605910446/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=6738029823605910446' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6738029823605910446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6738029823605910446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/01/lei-contra-natura.html' title='Lei Contra-Natura'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-2210188524603126514</id><published>2010-01-03T20:53:00.010Z</published><updated>2010-01-07T22:32:37.026Z</updated><title type='text'>Uma Evocação de Fernando Pessoa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia 1 de Dezembro do ano transacto, feriado nacional, para alguns ainda carregado de especial simbolismo, assisti a um colóquio realizado no Anfiteatro da Biblioteca Nacional, em Lisboa, para comemoração dos 75 anos da publicação da Mensagem de Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Congratulou-me verificar que o Anfiteatro se enchera por completo, com gente sentada nas próprias escadas, no centro e nas alas, a provar que o nome do genial poeta também atrai multidões, não tão numerosas como as do Futebol, mas, ainda assim, imensa gente, mais dada à reflexão que à gritaria, permanente, o que assombra, e não esporádica, como se pode admitir em qualquer comportamento humano normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O painel de intervenientes, constituído por nomes com prestígio nas letras nacionais, como Eduardo Lourenço, Vasco Graça Moura e Manuel Alegre, todos eles com obra própria vasta e valiosa, no Ensaio, na Poesia, e, principalmente, os dois últimos, igualmente no conto, na novela e na crónica política. Tudo junto, presumia-se, chamaria bastante público, o que de facto aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram conhecidas as características e as simpatias daqueles intelectuais: Eduardo Lourenço, pessoano profundo, convicto, leitor e estudioso antigo de Pessoa, com muitos ensaios produzidos sobre a obra deste imenso Poeta, de quem chegou a afirmar, num outro colóquio, na Gulbenkian, que, de tanto o haver lido e estudado e de tanto ter escrito sobre ele, por vezes, dá consigo a dizer frases que já nem sabe se são suas se do Poeta; Manuel Alegre, igualmente Poeta, de gosto lírico com arroubos épicos, com sensibilidade apurada para compreender Fernando Pessoa e, por fim, Vasco Graça Moura, Ensaísta e Poeta, de sensibilidade requintadíssima, condição mais do que adequada para analisar e apreciar, julga-se, a obra de Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo Lourenço leu uma comunicação sua sobre Pessoa de uma anterior conferência, de breve extensão, que funcionou como introdução ao colóquio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seguimento, falou-se sobretudo do Poema Mensagem, das circunstâncias em que ele surgiu e VGM referiu as similitudes e as influências que nesta obra encontrou, em especial, provenientes das obras «O Último Lusíada» e «Lusitânia» de Mário Beirão, escritor contemporâneo de Pessoa, que também se ocupou da História de Portugal, dos seus heróis e dos seus ícones mais representativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas obras de Mário Beirão vindas a público depois da implantação da República, entre 1913 e 1917, receberam críticas e referências favoráveis de Pessoa em artigos para revistas da época e em cartas que Pessoa lhe remeteu, onde ficou bem patente a estima que por ele nutria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sessão, VGMoura haveria de desempenhar o papel de Advogado do Diabo, a que se dedica com estranho gozo, de cada vez que se trata de analisar a obra de Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, mais uma vez, brihou essa sua faceta, difícil de entender em alguém que tem a obrigação, não digo de gostar, mas, pelo menos, de reconhecer o valor literário presente na obra de Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VGMoura entreteve-se a catar frases de Pessoa, entre os muitos milhares delas que ele escreveu, das quais o elemento lógico andou arredio. Sabe-se como Pessoa se comprazia em gerar frases contraditórias, com conteúdo ambíguo ou obscuro ou não fosse ele um amante de saberes esotéricos, astrologias e futurismos, tudo amalgamado naquela sua pródiga cabeça, máquina incessante de pensar, num ritmo a que ele próprio dificilmente conseguia corresponder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece, pois, descabido, ainda mais a um intelectual da envergadura de VGMoura, atribuir significado especial a essas frases exóticas de Pessoa, perdidas no vasto oceano da sua produção literária, marcada por largos extractos de indesmentível genealidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para além do selecto grupo de amigos de Pessoa, que em vida o conheceu, com ele conviveu e desde sempre nele reconheceu o fulgurante génio literário que o animava, logo patente nas suas primeiras manifestações, nos poemas e artigos que publicava nas revistas de vanguarda da época, em que destacadamente participava, desde a sua morte, em 30 de Novembro de 1935, que um extenso rol de estudiosos, em que avultam nomes como : João Gaspar Simões, Jorge de Sena, Adolfo Casais Monteiro, Agostinho da Silva, Jacinto do Prado Coelho, David Mourão Ferreira, Joel Serrão, José Augusto Seabra, Yvette Centeno, António Quadros, Eduardo Lourenço, sem falar de nomes mais recentes, mas não menos importantes na exegese da obra pessoana, como Teresa Rita Lopes, Maria José de Lencastre, Manuela Parreira da Silva, Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, etc., etc., se tem consagrado a analisar e a confirmar o seu altíssimo génio de Poeta, se não mesmo de pensador prolífico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igualmente no Estrangeiro, ele tem concitado a admiração de ilustres académicos, dos mais variados cantos do mundo, todos eles atraídos pela originalidade do pensamento literário de Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica mal a VGMoura insistir neste absurdo papel de crítico desfavorável do nosso maior valor literário da época contemporânea, só comparável ao do distante Camões, com quem, aliás, Pessoa, um tanto irracionalmente, se terá emulado, o que talvez esteja na origem do desagrado de VGMoura, distinto estudioso e grande apreciador do nosso Vate quinhentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal não deveria, no entanto, servir a VGM para tão persistente desamor da obra de Pessoa, que é vastíssima, nos assuntos abrangidos, na profundidade e na originalidade com que os acometeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VGMoura parece, por vezes, comprazer-se em ir contra a corrente. Neste caso, porém, procede erradamente, como, de resto, sempre que se esfalfa em defender figuras políticas menores, sem obra, sem competência e sem credibilidade ética para as altas funções a que se propõem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temo-lo visto esbanjar talento e crédito pessoal nessa sua inglória função, responsável até por certa alergia que desperta em largos sectores da opinião pública, não obstante o quase unânime reconhecimento que neles colhe quanto aos seus dotes literários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, devemos ter em conta que Pessoa escreveu desmesuradamente, sem tempo ou cuidado de revisão e apenas preparou e reviu para publicação um livro, Mensagem, dado à estampa em 1 de Dezembro de 1934, com o qual concorreu ao Prémio Antero de Quental, instituído pelo Secretariado de Propaganda Naciona (SPN), na modalidade de Poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A este respeito, convém esclarecer as circunstâncias em que a sua obra Mensagem foi premiada, já que é muito corrente a versão de que Pessoa teria ganho apenas o segundo lugar, tendo o primeiro sido concedido a outro autor, Vasco Reis, pelo livro Romaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que os amigos de Pessoa, entre os quais se contava António Ferro, director do SPN, ele próprio também fino literato, adepto do Modernismo artístico dos princípios do século XX, havia tempo que lutavam pelo seu reconhecimento público, visto que até então – 1934 –Pessoa não havia publicado nenhum livro, mas apenas poemas avulsos, artigos e panfletos, em jornais e revistas da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do júri então constituído, faziam parte, além de António Ferro, seu Presidente, mas apenas com voto de desempate, Alberto Osório de Castro, Mário Beirão, Acácio de Paiva e Teresa Leitão de Barros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este júri, baseado em rigoroso formalismo regulamentar, que distinguia duas categorias de prémios, consoante o número de páginas das obras a concurso, atribuiu o Prémio de Antero de Quental, na categoria de livro de Versos com mais cem páginas, à obra «Romaria» do Padre Vasco Reis, com o valor pecuniário de 5 000 escudos e o Prémio Antero de Quental, na categoria de Poema ou Poesia Solta, ao livro «Mensagem», de Fernando Pessoa, com o valor de 1 000 escudos, justamente porque este não tinha as 100 páginas exigidas no regulamento, para entrar na categoria de livro de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, portanto, uma razão meramente burocrática, resultante de estrita obediência ao regulamento, que determinou a distinção pecuniária dos prémios e não uma decisão de ordem estético-literária, facto que não deixa de causar algum espanto, quer porque no júri estavam amigos dilectos de Pessoa, com conhecimento fundado dos seus méritos literários, quer porque o próprio presidente do júri era também amigo de Pessoa, empenhado em promover o seu nome, nos meios artísticos e intelectuais do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Ferro, contudo, num gesto extraordinário de justiça, decidiu atribuir a Pessoa o mesmo valor pecuniário de 5 000 escudos que o concedido a Vasco Reis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crê-se até que, nos círculos do Salazarismo, então em notória ascensão, haveria a esperança de recrutar Fernando Pessoa para a sua causa política, confiados na suposta analogia dos seus interesses com os do Poeta, dada a constante atenção que este dedicava a temas de cariz nacionalista, épico, com o declarado fito de exaltar o sentimento de orgulho pátrio dos Portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este equívoco viria a desfazer-se pouco depois, no início de 1935, com a saída da lei do Regime sobre sociedades secretas, que visava primordialmente liquidar a actividade da Maçonaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoa, muito sensível a tudo o que tocasse a liberdade individual, sentindo-se também particularmente atingido na sua simpatia por práticas ocultas, esoterismos e seitas secretas, reagiu, protestando com veemência, num artigo publicado no Diário de Lisboa, em Fevereiro daquele ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, em Junho, consumava-se a dissidência política, com a publicação por Pessoa do poema «Elegia na Sombra», de índole fortemente contrária à exaltação patriótica do gosto do Regime. Basta atentar-se no início do Poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lenta, a raça esmorece e a alegria&lt;br /&gt;É como uma memória de outrem. Passa&lt;br /&gt;Um vento frio na nossa nostalgia&lt;br /&gt;E a nostalgia touca a desgraça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesa em nós o passado e o futuro.&lt;br /&gt;Dorme em nós o presente. E a sonhar&lt;br /&gt;A alma encontra sempre o mesmo muro,&lt;br /&gt;E encontra o mesmo muro ao despertar.&lt;br /&gt;………………………………………………………….&lt;br /&gt;…………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, o nacionalismo de Pessoa nunca se casaria bem com o do regime salazarista. Para este, Portugal vivia já uma época de regeneração intensa, sob a direcção forte de Salazar, ao passo que Pessoa falava de algo muito maior a acontecer no futuro, no seu Quinto Império, não material, mas de fundamentação essencialmente cultural e espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era, assim, um nacionalismo messiânico, marcadamente sebastiânico, distante do nevoeiro de então, apagado, deprimente, como já Camões o havia vislumbrado, no final da nossa segunda dinastia, nas vésperas da absorção filipina de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disto, no entanto, se congraçava com o espírito autoritário, factual, positivista que o Salazarismo afirmava, não confundindo valores, não discutindo arquétipos, como Deus, Pátria e Autoridade :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Às almas dilaceradas pela dúvida e pelo negativismo do século, procurámos restituir o conforto das grandes certezas. Não discutimos a Pátria e a sua História; não discutimos a autoridade e o seu prestígio; não discutimos a família e a sua moral; não discutimos a glória do trabalho e o seu dever»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas palavras proferidas por Salazar, em 1936, na comemoração do 1º decénio da revolução de 28 de Maio, a que derrubara a chamada 1.ª república, enredada em sucessivas crises políticas, económicas e financeiras, que haviam colocado o País à beira da bancarrota, dificilmente se conciliariam com um pensamento, como o de Fernando Pessoa, neste domínio, demasiado etéreo, algo nebuloso, quimérico, ainda que sumamente original e eminentemente criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ironia, na altura em que parece ocorrer a aproximação política de Pessoa com o Salazarismo, este consolidava-se, em plenitude autoritária, iniciando o seu longo domínio político do País, enquanto Pessoa viria a acentuar o seu pensamento divergente, ao mesmo tempo que se abeirava do fim súbito da sua curta vida, morrendo aos 47 anos, em 30 de Novembro de 1935, como referido, acometido de uma crise hepática, segundo consta, quase desconhecido do Povo que, por opção, fez seu, enterrado com discrição no Cemitério dos Prazeres, para vir a ser trasladado, com pompa e circunstância, na evocação do centenário do seu nascimento, em 1988, para os Jerónimos, onde repousam os restos mortais de alguns dos mais insignes filhos da Pátria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, pode mesmo dizer-se que Pessoa, depois de morrer, confirma a sua imanente contradição, contrariando o famoso «Sic transic gloria mundi», ainda que para si a glória tenha chegado tarde, inexoravelmente tarde...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 03 de Janeiro de 2010 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-2210188524603126514?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/2210188524603126514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=2210188524603126514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2210188524603126514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2210188524603126514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2010/01/uma-evocacao-de-pessoa.html' title='Uma Evocação de Fernando Pessoa'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-7710661657318369523</id><published>2009-11-08T19:22:00.013Z</published><updated>2009-11-13T02:08:55.361Z</updated><title type='text'>Saramago - A Polémica Inútil</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assistimos há poucos dias a uma espécie de polémica, a propósito de novo livro de José Saramago. O nosso Nobel retoma em Caim o tratamento de figuras bíblicas, desta vez do Velho Testamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem entrar na discussão do livro que não li, nem tenciono ler, assoberbado com leituras atrasadas, todas elas prioritárias em relação à eventualidade de qualquer leitura de obras de Saramago, de que, contudo, li algumas, com apreço diverso, irei tecer, no presente artigo, considerações suscitadas pelas tonitruantes declarações do autor, na apresentação da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esclareço que, com estas palavras, não pretendo retirar ou sequer diminuir o valor literário de José Saramago. Reconheço, com naturalidade, a sua enorme e surpreendentemente duradoura capacidade de escrita, a sua fértil imaginação ficcional, o seu largo fôlego narrativo, a sua disciplina de trabalho, qualidades invulgares em qualquer criador intelectual que o mantêm particularmente activo, apesar da sua provecta idade, no difícil ofício das letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considero também que o Prémio Nobel com que a Academia Sueca distinguiu o seu talento trouxe honra e prestígio a Portugal e à literatura de Língua Portuguesa, em geral, tendo-se assim posto cobro a um estranho esquecimento que pesava como chumbo sobre uma das culturas literárias europeias mais antigas, especialmente rica em produção e em originalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o século XV que em Portugal têm existido vultos literários que podem equiparar-se aos que por esse mundo fora, ao longo dos séculos, se foram notabilizando, apenas mais conhecidos, por pertencerem a países que, em devido tempo, os souberam divulgar, impondo-os à admiração dos demais, por meio de técnicas publicitárias, sustentadas no prestígio conquistado noutras áreas da actividade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Literatura Portuguesa, só no século dezanove, pode apresentar um escol de escritores que, no seu conjunto, a tornariam, apenas por si, forçosamente rica e prestigiada. Nomes como Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Eça de Queiroz, António Nobre, Cesário Verde, para não citar mais, bastam para afirmar qualquer literatura nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XX, logo no seu início, surge o genial Fernando Pessoa que, embora tardiamente reconhecido em Portugal e no estrangeiro, mal avaliado, depreciado mesmo, quase se diria ignorado, excepto de um pequeno número de seus pares, haveria de tornar-se num dos escritores mais conhecidos e apreciados do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decurso do século, vários outros nomes apareceram, com talento e obra bastantes para merecerem o ambicionado prémio, como Ferreira de Castro, Aquilino Ribeiro, José Régio, Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Sophia de Melo Breyner, Jorge de Sena, todos eles com valor mais do que suficiente para honrarem a atribuição do Nobel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Saramago, quase no final do século, acabaria por resgatar-nos do afrontoso esquecimento em que a Academia de Estocolmo persistia em deixar-nos. Todo o país, praticamente, saudou Saramago, passando até por cima de anteriores incidentes, como o da exclusão de um livro seu, na candidatura a um prémio instituído pela União Europeia, com os decorrentes apartes, adrede estridentes, do astuto Saramago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atitude, sem dúvida condenável, de um Sub-Secretário de Estado de um Governo de maioria absoluta de Cavaco Silva, de nome Sousa Lara, foi habilidosamente aproveitada por Saramago, que dela fez imenso escândalo, quase levando o caso a confundir-se com proibição oficial, perseguição intelectual, discriminação editorial, etc., quando afinal o livro havia sido publicado regularmente, não tendo sequer colhido interesse significativo da parte do público leitor, apesar da publicidade que já então havia rodeado a sua edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago, na altura, desfez-se em entrevistas, indignado, e encenou a saga do escritor desconsiderado e até perseguido pelo Estado Português, tomando, creio, depois disso, a decisão de radicar-se em Espanha, na ilha de Lançarote, no Arquipélago das Canárias, ao lado da sua amada Pilar, que assim nos «roubava» importante autor, a que estariam ainda destinados altos êxitos literários, os quais culminariam, em 1998, na consagração do Nobel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Espanha, o carinho manifestado com Saramago assumiu proporções inusitadas, tanto mais que aí sempre as letras portuguesas haviam passado, de ordinário, despercebidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terá sido mérito de Pilar, jornalista bem relacionada com a Comunicação Social espanhola, politicamente empenhada nos meios da Esquerda cultural e social, tradicionalmente influentes nos órgãos da informação, a projecção atingida por Saramago no país vizinho. A verdade é que Saramago, com Pilar a seu lado, passou a gozar, em Espanha, de um estatuto absolutamente inédito entre escritores, artistas ou intelectuais portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucederam-se as distinções, com Doutoramentos Honoris Causa de várias universidades, mesmo antes da atribuição do Nobel e os livros de Saramago, traduzidos para castelhano, a partir de então por sua mulher Pilar, atingiram números de vendas impressionantes em Espanha, em nítido contraste com a tradicional escassa atenção aí dedicada aos nossos escritores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram até a chamar-lhe escritor ibérico, parecendo com isso que Espanha desejaria integrá-lo no seu próprio património cultural, facto absolutamente excepcional no universo das relações culturais luso-espanholas, só comparável com o sucedido com algumas figuras notáveis da nossa literatura de quinhentos, que escreveram em castelhano, seguindo o costume bilingue da época, em Portugal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gil Vicente e Camões usaram deste costume, como é sabido, com frequência e brilho invulgar. Ao que consta, só o inexcedível patriota António Ferreira, o dos célebres Poemas Lusitanos e da tragédia Castro, sempre se recusou ostensivamente a seguir tal prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponho que desde o desaparecimento da nobre figura de D. Miguel Unamuno, esse grande vulto das letras espanholas, profundo conhecedor e apreciador de Portugal, da sua História, da sua Literatura e do seu Povo, não se dava, em Espanha, tanta importância a um representante da cultura portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em parte, teremos de imputar este êxito aos inegáveis méritos literários de José Saramago, mas, sem dúvida também, à insofismável influência de sua mulher, Pilar del Rio, nos meios mediáticos de Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucede que, se praticamente todos nós reconhecemos e apreciamos os efeitos benéficos da popularidade de Saramago, em Espanha e no resto do mundo, para a cultura portuguesa, tal não implica que devamos aceitar ou desculpar os excessos verbais com que José Saramago tem brindado Instituições e personalidades do seu próprio país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em particular, a sua obsessão em atacar a Igreja, em cada apresentação pública do seu Caim, assemelha-se a qualquer coisa encenada, teatralizada e esconderá porventura uma amargura que, no fundo, residirá insepulta, no seu destroçado coração de comunista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, Saramago viu ruir a utopia putativamente emancipadora da chamada classe redentora da Humanidade, o Proletariado, que, aliado ao campesinato desprovido, haveria de conduzir-nos ao limiar de uma nova era de suprema felicidade, consumada, aqui na Terra e não no Céu, como até aí cria essa mesma Humanidade, como rezavam as vulgatas marxistas desses «tempos heróicos», que Saramago certamente leu com devoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espantosamente, tamanha tragédia nunca lhe mereceu, até hoje, a dignidade de uma reflexão em forma de livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem pelo contrário, em lugar de exercer a sua forte capacidade reflexiva para indagar a razão de tão evidente falhanço, em lugar de buscar entender as causas da estrepitosa derrocada do Comunismo, na Europa, em vez disso, Saramago investe contra a ideia de Deus, a Igreja e a sua Doutrina, matérias em que o seu conhecimento e experiência são manifestamente insuficientes, reduzindo-lhe inexoravelmente o alcance e a credibilidade do cometimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como qualquer pessoa poderá confirmar, a Igreja, a Católica, subentenda-se, porque é sempre esta a preferida dos ataques dos intelectuais esquerdistas do Ocidente, não o persegue, nem a ele, nem a nenhum outro artista ou intelectual contemporâneo, havendo definitivamente passado e vencido o seu tempo de arrogância e de presunção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário, a Igreja Católica sofre, na actualidade, descabelados ataques de irados intelectuais que esgotam inutilmente o seu radicalismo contra quem não os ofende nem, muito menos, os persegue, ao mesmo tempo que contemporizam ou deixam passar em silêncio gravíssimos atropelos aos direitos humanos praticados em nome de outras Igrejas ou Credos, nomeadamente do Islão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta aparente desatenção, por muito que o disfarcem, só poderá ter, para nós outros, comuns mortais, mas observadores atentos da realidade, um dos seguintes entendimentos: trata-se ou de pura cobardia intelectual ou, teremos de acreditar, estarão tomados de exacerbado masoquismo, que cobra porfiado prazer num permanente exercício de autoflagelação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num momento em que a Igreja Católica assume convictamente posturas das mais abertas, tolerantes e confraternizantes de toda a sua História, em contraste com o acelerado recrudescimento de diversos fundamentalismos de outros Credos, é precisamente contra ela que esses radicais se empertigam, numa exibição gratuita de fácil heroísmo, em absoluto deslocado no tempo e no objecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago, em Portugal, parece querer ficar como Patrono de tão despropositado radicalismo, ensaiando uma querela sem qualquer novidade ou interesse, típica das que agitaram os botequins do século XIX, quando o anticlericalismo neles fazia furor, particularmente em Portugal, em que assumiu invulgares contornos criminosos com acções de rara violência e ousadia praticadas por sociedades secretas jacobinas, como a Carbonária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tempo conturbado passou também, com as ilusórias promessas de um imaginado Republicanismo salvífico, sucedâneo da religião oficialmente postergada, na boca de demagogos incendiários, cujo reinado, como se sabe, terminaria mal, ante o desapreço do Povo Português, expectante do fim do caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este chegaria, para alívio de todos, sob a forma de coluna militar, para o efeito descida de Braga até à capital, quase em ritmo de passeio, sem sequer encontrar oposição, tal o enfado geral da situação que se havia atingido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto estará esquecido de muitos. De outros, por comodidade, terá sido arredado da consciência, mas haverá sempre quem não desista de evocar factos históricos menos palpitantes, como cumpre, em tempos de adversidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago, hoje, descrê do Homem, depois de, provavelmente, ter sofrido a grande decepção da sua vida política, com o colapso do Comunismo, na sua vera Pátria de origem, mas escusa de induzir-nos em erro, equivocando-nos de adversários ou inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria eu, como certamente muitos outros portugueses, de sugerir, a Saramago, acaso a sua proverbial teimosia lhe permitisse acolher semelhante conselho, que abandone o seu esforço inglório de exegeta bíblico, de repente exaltado, mas atrasado no tempo, para se votar a outros mais profícuos objectivos, para si e para os seus coetâneos concidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal aparelhado para essa função, de vistas curtas e rígidas, Saramago deveria antes entregar-se à meditação que ainda não fez e que a si mesmo deve, como a tantos outros que consigo partilharam a grande utopia política do século XX, terminada subitamente, sem honra nem glória, há cerca de vinte anos, ante os olhos incrédulos de milhões, em todo o mundo, colados às imagens desconcertantes, sequer sonhadas, que a televisão, na época, copiosamente nos transmitia pela casa dentro, trazendo-nos a História em directo, em toda a sua crueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora presente, há uma evidente escala de prioridades a estabelecer nas batalhas que nós, portugueses e europeus, teremos de travar. Por isso mesmo, não devemos perder tempo com controvérsias inúteis, improfícuas e descabidas, quando sobram as que tarde ou cedo haveremos de enfrentar.&lt;br /&gt;Isto, se até lá, com a nossa desnorteada maneira de viver, não nos atolarmos na corrupção, na cupidez e numa espécie de vale tudo pseudo-liberal, sob o império de um consumismo alienante que ameaça destruir-nos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 08 de Novembro de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-7710661657318369523?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/7710661657318369523/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=7710661657318369523' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7710661657318369523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7710661657318369523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/11/saramago-polemica-inutil.html' title='Saramago - A Polémica Inútil'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-3374247370608560264</id><published>2009-10-18T13:07:00.010+01:00</published><updated>2009-10-20T15:11:34.403+01:00</updated><title type='text'>Tolices Brasileiras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar da sua pequena relevância intrínseca, gostaria de tecer aqui duas ou três considerações acerca do episódio da actriz brasileira, Maitê Proença, que, na semana passada, alvoroçou parte da comunidade portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu-se esta justamente despeitada com a suposta peça humorística em que aquela actriz zombava do paciente e generoso povo português, o mesmo que, para certa mentalidade brasileira, permanece amodorrado numa persistente e irredimível boçalidade, resistente a todo o impulso da roda da História e do Progresso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também fui ver a dita peça da infeliz actriz brasileira, que, na verdade, deixou ali uma péssima ideia da sua valia profissional, bastante meritória, diga-se, embora longe do excepcional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, a senhora pretendeu gozar com a nossa gente, que é também gozar com a sua, porque os brasileiros, gostem ou não, são uma invenção lusa, muito mais do que italiana, alemã ou outra, como por vezes parecem querer apresentar, pela atenção que lhes dedicam, em especial nas telenovelas de consumo popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aquilo que a desastrada senhora faz nesse vídeo é de uma pobreza artística confrangedora, assente na maior inanidade intelectual. Não fosse ela ter troçado de símbolos maiores da nossa e da sua cultura e o caso não ganharia tanto significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a senhora ousou conspurcar nada menos que a bela e poética Sintra, na sua boca uma « vilazinha » perto de Lisboa, o Mosteiro do Jerónimos, a jóia rara manuelina que o senso artístico português legou ao Património da Humanidade, e até Camões surge chamado àquela mixórdia, imaginadamente humorística que ela vai enxertando no vídeo agora mostrado em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto de ele se referir a um programa televisivo de há dois anos não lhe retira gravidade. Nele vemos ainda um grupo de elegantes mulheres brasileiras em airosa cavaqueira, todas tomadas de gáudio com a troça que Maitê faz de Portugal e dos Portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ameaça, pelo visto, eternizar-se este vezo de os brasileiros invariavelmente troçarem de Portugal. A produção de inúmeras anedotas a este respeito parece ter-se tornado uma actividade extremamente popular por parte dos nossos putativos irmãos do outro lado do Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que este fundo de ressentimento contra Portugal vem do tempo em que o Brasil foi sua colónia e nessa qualidade tratada pela Metrópole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa, na realidade, a aceitar que tenha perdurado até hoje tal ressentimento, porque a maturidade dos quase duzentos anos da nação brasileira já o deveria ter dissolvido, no conjunto da herança legada, que inclui, lembremo-lo, o território imenso, uno, coeso, indiviso, ligado por uma Língua culta e bela, assi mesmo reconhecida pelos maiores poetas e escritores brasileiros, uma religião, a católica, largamente maioritária, que lhe conferiu uma feição civilizacional semelhante à que na Europa resultou da contribuição cultural greco-latina e cristã, tudo isto deveria ter sido mais do que suficiente para relegar para segundo plano os factos negativos sempre associados, de forma desajustada, porém, a uma relação de país colonizador para com país colonizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que os actuais brasileiros mais azedados com a herança lusíada são os descendentes de portugueses e outros europeus, ou seja, os mais directos beneficiários dos privilégios dos colonizadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fossem os descendentes dos Índios, primitivos habitantes da terra brasílica e seus legítimos senhores, ainda poderíamos compreender certo fundo de animosidade, não completamente desvanecido, pelo choque e pelo esbulho territorial sofridos com a introdução no seu meio dos europeus, no caso, os portugueses, embora esta tenha sido sempre a sina das relações entre os povos, desde os mais longínquos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por regra, os povos puseram-se em marcha em busca de terras, de riqueza e do desconhecido e os mais apetrechados culturalmente exerceram domínio sobre os restantes, uma vezes por aceitação voluntária destes, outras, talvez a maioria delas, pela violência, pela superioridade técnica das armas usadas, etc., etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o rolar dos séculos, a apreciação que se faz destes choques tem mudado. Assim, hoje, aqui na Península Hispânica, considera-se um bem a chegada dos Romanos, pelo seu legado civilizacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa muito diversa deveriam os antigos Lusitanos ter achado, a julgar pelas guerras de guerrilha que lhes moveram, persistentes, que só o suborno e a traição de alguns companheiros do chefe dos Lusitanos, o lendário Viriato, permitiram aos romanos levar de vencida a tenaz resistência lusitana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, deve ter-se passado algo de semelhante com os Índios, que ali «dormiam» legitimamente o seu sono civilizacional, contentes com a cultura que tinham, numa prática de povos recolectores, caçando e pescando, quando tinham fome e dançando as suas danças, em honra dos seus deuses protectores quando os queriam invocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que apareceram uns barbudos que, admirados das suas vergonhas expostas, na linguagem pitoresca da célebre carta de Vaz de Caminha ao rei Manuel, sempre um Manuel, para despertar a ira brasílica, pretenderam civilizá-los, pô-los a rezar ao Deus verdadeiro, a trabalhar para benefício alheio, o que, compreensivelmente, não lhes deve ter caído nada bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, não são os descendentes destes povos que hoje hostilizam ou surgem a escarnecer dos portugueses, mas sim os seus continuadores na dominação, de quem os indígenas terão porventura ainda mais razão de queixa, pela contínua prática de exploração a que os têm submetido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, já nos distanciámos algo da nossa patética Maitê, que, eu próprio, imaginaria intelectualmente mais dotada, já porque, dizem, escreve livros, coisa que exige reflexão, para além do domínio das regras gramaticais, coisa que certos brasileiros teimam em considerar como herança afrontosa, limitadora da sua fértil imaginação criativa, apesar dos numerosos bons exemplos dos seus compatriotas, que têm enriquecido o património comum da Língua, libertos dessa pretensa subjugação espiritual de origem portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta-nos esperar que sejam os próprios brasileiros a dar-se conta do absurdo em que vivem, quando alimentam esses ressentimentos contra Portugal, terra de onde partiram aqueles a quem mais devem a sua existência cultural, onde existe uma generalizada simpatia para com o Brasil, comprovada numa presença bastante assídua de manifestações culturais brasileiras, na rádio, na televisão, no teatro, no cinema, em contraste com a sua quase ausência de reciprocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal gosta do Brasil, ainda que pareça tratar-se de um amor não correspondido, sente orgulho em ter criado aquela grande Nação e olha para ela com a indulgência natural de um Pai ante as irreflectidas ofensas de um filho, as travessuras praticadas em prova de afirmação de personalidade, sempre esperançado em que o avançar dos anos lhe traga a desejada sensatez, o equilíbrio das avaliações patrimoniais, para com ele se congraçar em verdadeiro gozo de mútua compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejemos, pois, que melhor inspiração caia sobre a cabeça desta elegante actriz brasileira, que aqui teve um péssimo momento da sua não despicienda vida artística, até associada a coisas portuguesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimo-la, com genuíno apreço, no excelente filme da adpatação do romance de Ferreira de Castro, A Selva, em que ela, no papel da insatisfeita D. Iá-Iá, contracena com o nosso então ainda nascente galã Diogo Morgado, no papel de Seu Alberto, moço letrado, expatriado, ali perdido na selva amazónica, comendo o pão que o diabo amassou, com a cabeça toldada pela insinuante presença de D. Iá-Iá, a nossa inefável Maitê, aqui ainda em plena posse dos seus melhores atributos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem-nos que Maitê está arrependida e já pediu desculpa aos Portugueses do seu desatinado acto. Esperemos que a declaração seja sincera e que o seu comportamento futuro disso mesmo nos convença. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 18 de Outubro de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-3374247370608560264?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/3374247370608560264/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=3374247370608560264' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3374247370608560264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/3374247370608560264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/10/tolices-brasileiras.html' title='Tolices Brasileiras'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-8845115566670447803</id><published>2009-10-18T01:01:00.002+01:00</published><updated>2009-10-18T01:04:21.028+01:00</updated><title type='text'>A Política Honrada que Falta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há momentos em que nos sentimos redimidos da luta que travamos pela objectividade na Política, procurando sempre analisar os fenómenos políticos, pelo que eles são em si mesmos e não em função do interesses particular ou do proveito que cada grupo neles encontre ou deles deseje retirar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sei que muitos não crêem nesta possibilidade, contrapondo que, na Política, só existem opiniões baseadas na subjectividade de cada grupo ou indivíduo. Esta visão, maioritária, sem dúvida, nasce da orientação meramente imediatista, oportunista e hedonista típica da época em que vivemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com ela se formou a presente mentalidade que tudo mede pelo mais razo materialismo, como se a Humanidade contasse já os seus últimos dias de prazer e neles buscasse, com sofreguidão, o Carpe Diem dos Romanos, no esplendor da sua inelutável e terminal decadência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, se isto é assim para as maiorias que marcam o comportamento colectivo da época actual, cumpre reconhecer que, como em todos os tempos, continua a existir quem se recuse a ir na enxurrada, persistindo em ver com os seus próprios olhos e em avaliar com a sua própria inteligência os fenómenos que vão ocorrendo à sua volta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Têm estas palavras que ver com o que se passou no País, nas semanas que precederam os dois últimos actos eleitorais, oportunamente verberado no justíssimo artigo intitualdo « Está Tudo Doido em Portugal » que José António Saraiva escreveu no Sol, no passado dia 9 de Outubro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com este artigo, JAS voltou a provar que pertence à estirpe dos Saraivas, a começar pela do seu Pai, o saudoso e eminente historiador da cultura portuguesa, António José Saraiva, autor de obras luminosas de sabedoria e originalidade, quer no domínio literário, historiográfico, político, quer mesmo no do estrito campo filosófico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De resto, nos últimos anos e nas suas derradeiras obras era já evidente a sua forte inclinação reflexivo-filosófica, marcada por acentuada visão pessimista do nosso tempo, do ponto de vista intelectual, no entanto, extremamente estimulante, muito mais do que a dominante verborreia optimista, balofa, sem suporte na realidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não admira que os acólitos incondicionais do Partido Socialista não tenham gostado deste artigo, como tampouco hão-de ter gostado do que esta semana JAS consagra ao humor televisivo dos Gatos Fedorentos, claramente contra a corrente do seu exaltado elogio, dado como novo boi Ápis da sociedade lusitana, que mantém subjugados quase todos os actuais agentes políticos, no seu espectro mais alargado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que crédito merecerá quem se mostra sempre disposto a justificar tudo aquilo que o seu Partido faz, ainda que contrariando a sua suposta doutrina, preceitos ou compromissos assumidos, promessas afirmadas, programas forjados e propostos com solenidade ao País deles expectante ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem assim se comporta, procede mais como fanático membro de seita, do que como livre militante de uma organização política que se propõe lutar pelo bem comum da sociedade mais ampla a que pertence e não pelo exclusivo interesse daquela que apenas agrega os seus putativos correligionários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;br /&gt;Vê-se que, na actualidade, a Política em Portugal assenta numa hipocrisia circular que a todos toca e cativa, a par do comércio desmedido em que se atolou, na proporção em que esqueceu fundamentos e abandonou doutrinas, reduzindo tudo a jogos de interesses que têm de ser continuamente tecidos e atenciosamente servidos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tal espectáculo já a poucos surpreende e a menos ainda repugna. A prática política assim conduzida vai minando a sua credibilidade. Na verdade, na luta política não pode valer tudo. A luta política não deve servir para justificar todo o tipo de artimanha utilizado para desacreditar os adversários em presença, muito menos quando aquilo que distingue os contendores é, na verdade, escasso, em número e irrelevante, na ideologia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chega a ser desconcertante, analisar a pobreza ideológica ou doutrinal em que vivemos. Dir-se-ia que, politicamente, se deixou de pensar, porque aquilo a que se assiste é tão-só à discussão de formas de alcançar o Poder, técnicas de marquetingue adequadas a convencer as pessoas, o eleitorado a votar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma vez no Poder os Partidos assemelham-se todos, tratam, fomentam negócios, se possível com contrapartidas imediatas ou a prazo, para quem os fomentou, individualmente ou para organizações, fundações ligadas aos Partidos a que os membros do Governo pertencem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se todos se resignarem com isto, a Política, como actividade nobre, acabou. Pelo visto, muita gente parece conformar-se com tal panorama, tanta, que até julga que vence, quando o seu Partido ganha eleições.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez as multidões necessitem desta permanente ilusão. Por isso, gostam tanto de associar-se a algo ou alguém que lhes dizem ser vencedores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o Futebol, desonrosa comparação, acontece o mesmo. As massas querem que o seu clube vença sempre, se não com mérito, mesmo sem ele, ainda que seja preciso fazer batota, como confessava a nossa simpática menina mandatária da juventude do Partido Socialista, a tal que prefere comer fruta sem caroços, nem grainhas ou então que haja empregadas que se ocupem da tarefa trabalhosa do seu desencaroçamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De resto, cada vez as pessoas assumem com a Política uma atitude semelhante à que mantêm com o Futebol, onde o que conta sempre e acima de tudo é vencer, ser campeão, altar em que se sancionam todos os meios, lícitos, semi-lícitos ou fraudulentos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a complacência com a corrupção e a desorganização do sistema judicial, acabam por premiar tão venais atitudes e tão ínvios caminhos trilhados na estrada do assim perseguido sucesso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se poderá inverter esta tão desanimosa situação, se a maioria da população parece aceitá-la como inelutável, se não mesmo como normal ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso alguns achem que a regeneração só poderá vir de cima, quando lá chegar alguém que a queira e a possa desencadear. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porventura chamarão alguns a isto messianismo populista ou certo caudilhismo encapotado, mas, em alternativa, que poderão convincentemente preconizar, fora do ramerrão político-partidário em que temos vivido ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, deveremos continuar a denunciar o mal e a encomiar o bem. Que outra coisa resta a quem deseja permanecer na senda da decência humana ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De novo e sempre : Nihil desperandum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 17 de Outubro de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-8845115566670447803?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/8845115566670447803/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=8845115566670447803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8845115566670447803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8845115566670447803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/10/politica-honrada-que-falta.html' title='A Política Honrada que Falta'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-8110370822218766623</id><published>2009-10-07T00:16:00.001+01:00</published><updated>2009-10-07T11:59:53.835+01:00</updated><title type='text'>Interlúdio Eleitoral</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passaram já dois meses desde que aqui deixei a última crónica intitulada «Os Grandes Comunicadores».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, realizaram-se eleições legislativas a 27 de Setembro e dentro de dias, no próximo Domingo, teremos eleições para as autarquias locais, perfazendo, desde as eleições para o Parlamento Europeu, quatro intensos meses de agitação e propaganda política, entontecendo um pouco mais este pobre povo, manso e crédulo, sempre levado em artificiosas romarias, aí pretensamente matando a sua pesada e já algo longa frustração política pós-abrilina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde há cerca de três lustros que o País não apresenta crescimento económico significativo, sendo que em 4/5 deles tem sido governado pela longa e difusa mão de um Partido Socialista ideologicamente descaracterizado, rendido entusiasticamente às doutrinas económicas e financeiras do neoliberalismo e da globalização dos mercados, apesar das tentativas de disfarce dos últimos meses, meramente retóricas, quando a derrocada financeira americana se tornou evidente aos olhos de todo o Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates vencedor em 27 de Setembro passado, mesmo sem maioria absoluta, não deixa de constituir uma injustiça política, assente num equívoco popular de graves consequências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem dizer que as alternativas eram fracas ou pouco convincentes, mas o que se julgava, em primeiro lugar, era uma Política de quatro anos, durante os quais Sócrates, então com maioria absoluta, atrofiou economicamente o País, fazendo tudo ao contrário do que havia prometido, carregando nos impostos o mais que pôde, sem diminuir a despesa pública, que continou a aumentar, ao sabor do povoamento que ele ia promovendo, assegurando lugares aos seus apaniguados, esquecidos de doutrinas e de ideais remotamente socialistas, mas ciosos da sua influência sempre crescente no aparelho de Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O partido que poderia e deveria combater severamente esta Política, o Partido Social Democrático, andou longe do caminho certo para travar este combate. Enredado em lutas internas fratricidas, sem norte durante largo tempo, reanimado com o súbito e enérgico aparecimento de Paulo Rangel, a quem, em grande parte, se ficou a dever a vitória eleitoral de Junho, não logrou encontrar o rumo adequado, nem a orientação que se esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuela Ferreira Leite nunca teve instinto político para conduzir o Partido, apesar da sua determinação anti-socrática. Mal rodeada, mal aconselhada pelas nulidades costumeiras, não soube explorar as imensas fragilidades de Sócrates, permitindo-lhe pavonear-se pelo País como arauto da Modernidade balofa, quando não tola e com frequência venal, assistido por uma central de propaganda especialista em fabricar incidentes e em marcar agenda política, com a conivência da maioria da Comunicação Social, só se discutindo aquilo que interessava à dita Central socrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem a presença de JPPereira, com a sua reconhecida perspicácia política, parece ter contribuído para aumentar a clarividência da direcção da campanha de MFLeite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja-se como rapidamente saiu da discussão pública o caso do afastamento de Moniz e Manuela Moura Guedes, para se debater o momentoso tema das escutas telefónicas da Presidência da República, mal gerido também por Cavaco Silva, que carece nitidamente de adequada assessoria estritamente política, goste o Presidente ou não desta matéria, a verdade é que sem ela não se ganham eleições, nem se exerce a gestão macro-económica do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também em nada ajudou certamente a repescagem política feita por MFL de figuras desprestigiadas e sob suspeição ética permanente, fornecendo à Central socrática matéria para dispersão de atenções, em que é perita, mesmo sabendo que conta no seu seio com casos idênticos ou mais graves, a começar na figura do seu actual líder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto acabou por levar a nova vitória do embuste socrático, que nada de bom pode augurar para o País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Povo escolheu esta solução, o que, dentro das regras do sistema democrático vigente, por todos aprovado, tem de ser aceite, concordemos ou não com a opção tomada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, contudo, não representa mais nada, nem serve para sancionar mais coisa nenhuma, nada valendo como atestado de idoneidade intelectual, ética ou profissional, como nos lembram os múltiplos exemplos de vitórias eleitorais de autarcas envolvidos em processos de corrupção, alguns até já condenados em Tribunal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova vitória do PS significa apenas que há uma maioria relativa de Portugueses que o preferiram a ele e não aos outros Partidos, para formar o próximo Governo de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe aos adversários do partido ora vencedor, nomeadamente ao PSD, reabilitado, reformulado, depurado da remanescente ganga anti-social-democrática que nele persiste, continuar a luta pela desmistificação da política «socrática» e esperar que o Povo fique persuadido da sua nocividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o souberem fazer, se afirmarem a sua própria credibilidade política, certamente que o Povo, no momento azado, mudará o seu sentido de voto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá, ânimo para o combate, porque, como diz este mesmo Povo, não há mal que sempre dure...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 06 de Outubro de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-8110370822218766623?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/8110370822218766623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=8110370822218766623' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8110370822218766623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8110370822218766623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/10/interludio-eleitoral.html' title='Interlúdio Eleitoral'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-8850690205399970552</id><published>2009-08-05T18:40:00.011+01:00</published><updated>2009-10-18T22:09:25.426+01:00</updated><title type='text'>Os Grandes Comunicadores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há tempo que ando para escrever alguma coisa sobre os chamados grandes comunicadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como percebemos, a nossa época valoriza em extremo a capacidade comunicativa dos cidadãos, sobrepondo-a a outras qualidades mais importantes, para os próprios e para a sua convivência com os seus semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa por haver um tremendo equívoco sobre o que seja um grande comunicador, normalmente entendido como alguém que fala com desembaraço, rapidez, sem gaguejar, quase sem pausas, sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a avaliação daquilo que é dito pelo grande comunicador parece ter menos importância. Se é verdadeiro no que diz, se é sincero, bem intencionado, se o que afirma tem sentido lógico, racional, susceptível de ser entendido, confirmado, se apela para as qualidades intelectivas do auditório, etc., etc., tudo isto perde valor ante a prestação do suposto artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o ligeiro critério corrente, o que fundamentalmente conta é se fulano ou fulana foi convincente, assertivo, se falou com à-vontade, sem hesitar, se o auditório lhe deu atenção e o desejável assentimento. A verdade aqui, neste discreterioso juízo, conta pouco, a honestidade do locutor é coisa praticamente irrelevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que acima de tudo vale é a figura do Comunicador, a sua apresentação, a sua colocação de voz, o seu ar de auto-confiança, de segurança no que afirma, na forma como se dirige ao auditório, melhor ainda se o interpela, se sugere perguntas, para lhe fornecer respostas rápidas, directas, supostamente esclarecedoras, mesmo se sacrificando parcial ou largamente a verdade ou o rigor do conteúdo do discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a rapidez discursiva, convém logo que nos lembremos de certos vultos da Comunicação radiofónica ou televisiva para que este mito caia pela base.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha adolescência conheci alguns excelentes comunicadores, principalmente divulgados na RTP de então, a preto e branco, com parcimónia de concursos, de prémios e de gritaria, a provar que nem sempre a Tecnologia é um bem em si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citarei apenas dois ou três exemplos de conquistadores de plateias : José Hermano Saraiva, David Mourão-Ferreira e Vitorino Nemésio, que tiveram na RTP, todos eles, Programas de longa duração, com público fiel e numeroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Hermano Saraiva ainda hoje o podemos apreciar, apesar dos seus quase 90 anos, da sua voz enfraquecida, apesar do seu aspecto visivelmente debilitado. Mesmo assim, ainda ele nos prende a atenção, contando episódios da grande e da pequena História, revelando pormenores de casos e acasos da História geralmente desconhecidos da maioria do público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão que coloca nas suas charlas, mais que palestras, a forma directa de abordar os assuntos, o seu conhecimento pormenorizado das matérias, suscitam imediata adesão do público. Daí a explicação da sua longa sobrevivência na televisão portuguesa, ultrapassando regimes políticos e as suas imaginadas modas mediáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o seu irmão António José Saraiva, competente, como poucos, em tudo o respeitasse à cultura literária portuguesa, escritor exímio na nossa Língua, não tinha vocação de Comunicador, faltando-lhe, sobretudo, presença de voz e à-vontade discursivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As suas raras tentativas de intervenção televisiva, mesmo em áreas onde o seu conhecimento era inquestionavelmente profundo, saldaram-se por outros tantos fiascos, demonstrando bem que há um mínimo de características naturais, inerentes à pessoa, absolutamente imprescindíveis para fazer dela um Comunicador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Mourão-Ferreira, que teve igualmente na RTP um Programa de largo fôlego chamado «Imagens da Poesia Europeia», foi outro fenómeno da Arte de Comunicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca falava depressa, antes introduzia e matizava as suas pausas discursivas, com fumaradas expelidas do seu inseparável cachimbo, que parecia emprestar-lhe inspiração permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divulgou imensos autores, desde os clássicos da Antiguidade Greco-Romana, os medievos, passando pelos renascentistas, pelos barrocos, conceptistas, gongóricos, românticos, realistas, naturalistas, surrealistas, até aos contemporâneos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele próprio declamava alguns dos poemas que seleccionava, sempre com distinta elegância, com pleno domínio dos seus recursos vocálicos, suportados num excelente timbre de voz, tirando todo o proveito das suas condições naturais altamente favoráveis para o objectivo da Comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca falava, repito, com rapidez, com aquela obsessão moderna que leva amiúde os candidatos a Comunicadores a tornarem-se trapalhões, atropelando ou esmagando sílabas durante o discurso, perdendo assim este em clareza aquilo que erradamente eles pensam ganhar em rapidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso de Vitorino Nemésio era diferente e deveras original. Também Professor Universitário, de quem Mourão-Ferreira havia sido Assistente, na Faculdade de Letras de Lisboa, falava de forma algo lenta, aos arrepelões, aos solavancos, consoante a inspiração o movesse e as palavras lhe caíssem no discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu Programa televisivo «Se Bem me Lembro...» que durou longos e sucessivos anos, feito sem notas, sem preparação, totalmente entregue ao desfiar da sua vasta e erudita memória, cativou muitos milhares de portugueses, criando-lhes gostos culturais, num tempo em que escasseavam os meios e o ambiente era de forte opacidade, dado o condicionamento a que toda a informação se encontrava submetida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Nemésio, percebíamos que estávamos perante uma poderosa mente, que albergava imenso saber, aparentemente desordenado, mas logo subitamente alinhado, quando recuperava o fio e o ritmo da sua peculiar forma de raciocinar em frente das Câmaras. Mudava, com facilidade, de rumo, no discurso, ao sabor das suas divagações eruditas, mas logo retomava o curso pretendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais esquecerei uma das suas charlas televisivas, em que dissertou sobre o átomo e a civilização moderna. Achei extraordinário, como um homem de letras, por excelência, sem formação na área científica, conseguia falar sobre o mundo das partículas, sem cair em erros ou confusões, desenvolvendo raciocínios coerentes, em terrenos aparentemente tão distantes e até hostis aos do seu múnus académico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim mais tarde a saber que Nemésio gostava de estudar Física, por sua própria iniciativa, como simples autodidacta, sendo leitor interessado de livros de divulgação científica e até de livros de Física Atómica de nível universitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignoro como ele se desembaraçaria dessas leituras, mas sem dúvida que delas captou conceitos importantes, a julgar pelo que se lhe ouvia e pelo que ele próprio escreveu sobre o assunto, num livrinho que nos legou, com o sugestivo título de «Era do Átomo/Crise do Homem» que a Imprensa Nacional – Casa da Moeda publicou há poucos anos, na sequência de uma iniciativa louvável, de reeditar a sua obra literária mais significativa, num conjunto de cerca de trinta volumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enorme serviço cultural, eminentemente educativo, prestaria ao País a RTP se voltasse a transmitir os programas de elevado cunho cultural de qualquer destes Grandes Comunicadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso, as novas gerações poderiam, elas próprias, cotejar os ícones mediáticos actuais com os dessse tempo, para verem que, apesar do sistema político geneticamente avesso à Democracia, nem tudo nele era negro e muitos conseguiam transpor os limites impostos, rompendo com mentalidades retrógradas, mergulhadas num provincianismo atrofiante, mal de que ainda hoje não nos libertámos por completo, não obstante a «aldeia global» em que todos passámos a viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além destes Grandes Comunicadores outros existiam, na Televisão a preto e branco, não tão brilhantes, mas igualmente de significativo mérito e não retenho de nenhum deles, como característica mais relevante, a rapidez de discurso, talvez com uma excepção, a do Maestro António Victorino de Almeida, que, entre as suas grandes qualidades de Comunicador, reunia também a da rapidez discursiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranha-se que a RTP e os demais canais televisivos o hajam praticamente esquecido, nunca ou raramente o convidando para aparecer em qualquer programa cultural. Em particular, no vasto universo cultural da Música Clássica, suponho que seja difícil encontrar no País alguém mais documentado na matéria do que o Maestro A.V. de Almeida, conhecimento potenciado pelos seus excelentes dotes de exímio Comunicador, pela sua extraordinária presença em frente das Câmaras, sempre muito descontraída, naturalmente movimentada, como peixe na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos mais modernos, relevo os nomes de Paulo Varela Gomes e Miguel Portas, que nos ofereceram, há alguns anos, um excelente programa sobre a presença portuguesa na Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas qualidades comunicativas exibidas, bem podia a RTP encomendar-lhes outros programas de semelhante recorte cultural, em lugar de se limitar a repetir enlatados, produzidos maioritariamente nos EUA, nos quais a visão objectiva e o rigor da narrativa, frequentemente, decepcionam quem possui algum conhecimento dos temas abordados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro vício proeminente de certos falsos Comunicadores, como abundam actualmente, é que usam e abusam de recursos retóricos, para contornar a falta de conhecimento específico das matérias sobre que gostam de perorar, pensando e, para nossa desgraça, talvez consigam, com tal expediente, iludir determinados auditórios, menos inteirados das matérias por eles tratadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria retórica pode, no entanto, ser usada com perfeita oportunidade e proveito, desde que se exerça em matéria dominada. Nunca nenhuma retórica, porém, suprirá a falta de conhecimento adequado das disciplinas sobre que se discursa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, para avaliar os Comunicadores, o que sempre subsistirá será a verdade, a seriedade e o rigor com que alguém fala sobre determinada matéria. Nenhum charlatão, por mais habilidoso que se revele, conseguirá jamais ludibriar toda a gente, todo o tempo, como creio ter afirmado um dia um dos Kennedies, com toda a razão, de resto, amiúde comprovada ao longo dos tempos, em variadas latitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cínicos que, com sua estudada retórica, julgam tudo poder dominar, desde que se façam acompanhar dos apoios convenientes, carregando na demagogia, elogiando a mediocridade, a vulgaridade, procurando ganhar a simpatia das massas, a pretexto da pretendida popularidade, continuam, não obstante as suas artimanhas, a sofrer aqui e ali desagradáveis surpresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vem tempo em que as suas rábulas acabam desmascaradas, porque sempre haverá quem não se deixe levar nas tramóias urdidas por esses falsos Comunicadores, que apenas buscam a sua rápida gloríola, a sua vantagem pessoal, sem escrúpulo com a verdade dos factos, que, invariavelmente, nas suas bocas, se vê, sem rebuço, sacrificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque só a verdade tem carácter perene; só o seu estrito respeito assegura a honorabilidade do Comunicador. Isto, que parece evidente a qualquer espírito são, torna-se difícil de entender aos pretensos Comunicadores, vulgarmente apelidados de Grandes Comunicadores, pela maior parte da Comunicação Social, que, também neste ponto, falta ao seu mais indeclinável dever, que é o de informar no respeito da verdade. Infelizmente, no entanto, quantas vezes vemos esta Comunicação Social agindo enfeudada a interesses espúrios, de grupos ou de figuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caberá aos que prezam valores que sempre sustentaram sociedades, contra as forças que apostam na sua degenerescência, seja por natural malevolência, seja porque esperem, na sua doutrina ilusória, a partir dos escombros produzidos, erguer novo mundo, com paradigmas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos no que deu esta visão idílica, de que hoje pagamos o preço amargo, sob o império do neoliberalismo, com a arremetida furiosa de ideais egoístas, do êxito pessoal a todo o custo, com o concomitante desprezo de todos os laços e compromissos que asseguram a coesão social, sem a qual a vida em sociedade se transforma em luta brutal pela sobrevivência, transpondo-se para ela os mesmos fenómenos que observamos no reino animal, que, lembre-se, apenas se rege pela força cega de impulsos instintivos. Se não desejamos vir a viver em tão violento cenário, cumpre-nos repor o respeito dos valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dos chamados Grandes Comunicadores, devemos denunciar as suas práticas demagógicas, o seu desvio do respeito da verdade dos factos e atender antes ao conteúdo racional daquilo que dizem, não sucumbindo à sua eventual elegância frásica, à sua rapidez discursiva, raramente em conformidade com os requisitos da verdadeira Comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre um falar ágil e mavioso, mas arredio da verdade do que profere e um outro, menos desembaraçado, porventura entrecortado de solavancos, mas em que existe raciocínio forte, coerente, assente no respeito da verdade dos factos, não pode admitir-se dúvida de preferência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só o Comunicador que revelar a observância deste último preceito merecerá o título de Grande Comunicador. Os outros representam a perversão da própria faculdade comunicativa, desvirtuando essa tão perseguida característica, entendida como trunfo indispensável a todo o aspirante a qualquer tipo de protagonismo na sociedade contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior do que elogiar Comunicadores deficientes, falhos de dotes oratórios, é incensar aqueles que perversamente faltam à verdade, usando todos os recursos da retórica para mistificar, deturpar, distorcer os factos, no propósito de cativar auditórios ou multidões, episodicamente desprovidas de senso crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembremo-nos do imenso mal que têm feito à Humanidade todos os Demagogos sem escrúpulos, que, no seu tempo de glória, no leviano critério das massas, também passaram por Grandes Comunicadores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AV_Óbidos, 05 de Agosto de 2009 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-8850690205399970552?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/8850690205399970552/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=8850690205399970552' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8850690205399970552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8850690205399970552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/08/os-grandes-comunicadores.html' title='Os Grandes Comunicadores'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-7652633333658258834</id><published>2009-07-31T19:41:00.003+01:00</published><updated>2009-10-18T22:11:05.735+01:00</updated><title type='text'>Sobre os termos Alcorão/Corão e Mafoma/Maomé</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em recente convívio com amigos e colegas de profissão, voltei a comprovar a geral confusão que persiste entre os Portugueses, mesmo entre pessoas cultas, informadas e actualizadas, como era o caso, sobre o vocábulo que, no nosso léxico, usamos para designar o livro sagrado dos Muçulmanos : o Alcorão, que muitos teimam em desprezar, preferindo o termo de origem francesa Corão. Alguns até julgam que com isso evitam o imaginado pleonasmo contido no vernáculo Alcorão, no que caem em lamentável equívoco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo este tão generalizado, vou aproveitar o ensejo para, modestamente, expender aqui algumas explicações, valendo-me do saber daquele meu saudoso Professor do Ensino Secundário da Disciplina de Português, o Dr. José Pedro Machado ( n. 08-11-1914 – f. 26-07-2005 ), ilustre Académico e cidadão probo, qualidades hoje difíceis de descobrir, ainda mais irmanadas na mesma pessoa, mas que nele eram absolutamente naturais, notórias e geralmente reconhecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, em diversos fóruns, várias vezes a ele me tenho referido, sempre de forma elogiosa, como cumpre, a quem muito se considera beneficiado do seu amável convívio e da sua esclarecida erudição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso mesmo dizer que José Pedro Machado terá sido a pessoa que, neste capítulo da pura erudição, mais me impressionou, tanto mais que, a essa condição, aliava a de uma simplicidade e lhaneza de trato sumamente invulgares nos tempos que correm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca eu certamente darei por supérfluos ou descabidos os encómios ou as meras referências que à sua figura possa tecer, sempre que a ocasião o propicie, como esta do momento presente, a propósito do esclarecimento do termo mais adequado para designar na nossa língua o livro sagrado dos Muçulmanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como este eminente arabista, desafortunadamente, apesar da sua avançada idade, desaparecido do nosso convívio faz agora quatro anos, frequentemente esclareceu, o livro sagrado dos Muçulmanos designa-se, em bom português, por Alcorão (do ár. Al-quran, a leitura, por excelência, a do livro sagrado), tal como sempre escreveram os nossos escritores, desde o século XIII e XIV, incluindo os clássicos, como Camões ( Os Lusíadas, III, 50:8 e VII, 13:4 ) e os românticos, como Herculano, e quase todos os Historiadores desde então até aos escritores contemporâneos de língua portguesa mais escrupulosos no uso do vernáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só por hábito recente, por imitação dos franceses, que empregam o termo «Le Coran» e dos ingleses, com o seu «The Koran», se começou, entre nós, a preferir o termo Corão, sobretudo por influência francesa, muito intensificada a partir do século XVIII, embora em ambas estas línguas persista nos dicionários o termo « Alcoran ».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como JPM explicou, p. ex., em « Palavras a propósito de Palavras – Notas Lexicais », da Editorial Notícias, 1992 e no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, em 5 volumes, da Editora Livros Horizonte, 5ª edição, 1989 – o substantivo árabe, em regra, ao entrar na nossa língua, trouxe consigo associado o artigo definido árabe – al – e, por isso, temos em Português « o Alcorão », tal como «a alfaia», e não a faia, «o alguidar» e não o guidar, « o alfinete » e não o finete, «o alfaiate » e não o faiate, « o alferes » e não o feres, «o alcaide» e não o caide, «a almotolia» e não a motolia e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente, por gosto e vezo de francesias, acabou por aportuguesar o « Coran » francês, para « Corão », não cometendo com isso, certamente, nenhum crime de lesa-majestade, mas sem que haja necessidade de o fazer, nem, muito menos, é válida a justificação, para tal apontada, alegadamente, de que assim se foge ao suposto pleonasmo com a repetição do artigo já contido no termo Alcorão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, como mencionado, de um processo típico de incorporação de termos de língua árabe, substantivos, principalmente, no Português, em que aquela se fez, na formação do nosso vocábulo, aglutinando o artigo definido árabe «al» ao termo original. De resto, basta consultar qualquer obra de Filologia Portuguesa, de JPM ou de outro reputado autor, para se comprovar a doutrina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se descobre, paira por aí muita confusão sobre estes assuntos do Árabe e do Português, o que não nos deve causar grande admiração, visto que daquele pouca gente sabe em Portugal e, do nosso próprio idioma, cada vez se sabe menos, situação que, naturalmente, potencia o aludido equívoco bastante difundido entre nós, pese todo o labor despendido a este respeito por José Pedro Machado e por tantos outros dos nossos eméritos estudiosos do Idioma, felizmente em grande número e que nos legaram vasta e variada obra, prenhe de conhecimento, que só aguarda a nossa porfiada consulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A talhe de foice, acrescentarei ainda, na continuação deste tributo à memória de tão emérito Mestre, que o nome do Profeta do Islão ( termo que significa submissão, subentendendo-se a Deus/Alá e não a qualquer Imã ou descendente do Profeta ) tem, em Português, vários termos ou designações, sendo os mais antigos e, por isso mesmo, de maior legitimidade, o de Mafoma ou Mafamede, como Camões usou em várias passagens de «Os Lusíadas» e não Maomé, que veio também por influência francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este termo veio a ganhar entre nós larga aceitação, mas tal não justifica o desterro daqueles outros, mais vernáculos, sem mácula de galicismo, hoje, com efeito, pecadilho de somenos, em face da enxurrada de anglicismos que invadiu a doce e formosa Língua lusitana, « última flor do Lácio », no dizer feliz e lapidar de um virtuoso sonetista, o poeta brasileiro Olavo Bilac.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ajuda do insigne Mestre acima evocado, aqui fica, por conseguinte, este meu singelo contributo para o esclarecimento de um assunto que continua desnecessariamente a trazer tantos Portugueses mergulhados em duradouros equívocos e em descabidas confusões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 31 de Julho de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-7652633333658258834?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/7652633333658258834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=7652633333658258834' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7652633333658258834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/7652633333658258834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/07/sobre-os-termos-alcoraocorao-e.html' title='Sobre os termos Alcorão/Corão e Mafoma/Maomé'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-2379315043793584687</id><published>2009-07-24T00:42:00.000+01:00</published><updated>2009-07-24T00:43:05.918+01:00</updated><title type='text'>A Propósito do Primeiro-Ministro que ainda Estará para Nascer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa-me voltar a Sócrates, mas a sua petulância a tal me obriga. Ouvi-lo a vangloriar-se das suas pretensas realizações, da forma hiperbólica como o fez, excede o que uma mente, ainda que muito cristã, o que não é manifestamente o caso, consegue aturar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estará ainda para nascer, disse esta estupenda sumidade «socialista», o Primeiro-Ministro que tenha feito melhor do que ele no controlo do défice orçamental, de novo caído para a casa dos 6 % do PIB, com as culpas imputadas à crise financeira internacional, está bem de dever, como de resto pelo desemprego, pela quebra do investimento estrangeiro, pela desindustrialização do País, pela quebra do Turismo, etc., etc. Abençoada crise internacional que ainda lhe dará um milagroso empurrãozinho eleitoral em Setembro próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderá ele agora voltar a pedir ao seu camarada do BdP que o ajude a calcular este inesperado valor do défice, que espantosamente cresce, quando toda a Economia se retrai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates invoca o aumento dos requerentes das prestações sociais para a sua justificação, dada a crise financeira internacional, sempre ela, a prejudicar Portugal, mas aproveitada por Sócrates, para o salvar das responsabilidades políticas, próprias e do seu Partido, fortemente cúmplice de um Governo medíocre e trapaceiro, como poucos tivemos nos últimos 35 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda só lhe vimos reconhecer alguma deficiência na área cultural. No resto a sua presunção passeia-se impante, impulsionada pelo vento forte da Demagogia, sua permanente musa inspiradora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante isto que dizer de tamanha cumplicidade, dentro do Partido, com a excepção intermitente de Manuel Alegre, reconheça-se, embora seja muito pouco. E fora, na vasta Comunicação Social, em geral, prevalece uma atitude complacente, sem nenhuma comparação com a excitação que a percorre, quando práticas governativas idênticas ou piores pertencem ou pertenceram a Governos do PSD ou da Direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta, aliás, é, na dita Comunicação Social, tenebrosa, por regra, ou chega a ser quase pré-fascista, como amiúde é mediaticamente apresentada qualquer representação política à direita do PS, o partido charneira do sociedade portuguesa, como o classicava Soares, com aquele seu rigor ideológico ou político, celebrizado por cá e no no estrangeiro, onde, como se sabe, alcançou alta distinção, comprovada nos vinte e tal Doutoramentos recebidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também aqui se poderia ajuntar que ainda estará por nascer outra figura política, intelectual, artística, cultural ou científica portuguesa capaz de agregar tanto título universitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos manifestos de intelectuais independentes que ultimamente têm surgido todos muito preocupados com o futuro de Portugal, sobretudo se finalmente livre da tutela socrática, é caso para se perguntar se só agora terão acordado para a realidade do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devem certamente ter adormecido no róseo regaço socrático desde o ano de 2005 e agora, subitamente estremunhados, sobressaltados com a terrível hipótese da punição eleitoral do seu devotado protector e inspirador, reúnem esforços e apoios para exorcizar o espectro  da derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui até Setembro, iremos assistir ainda a mais alguns destes toques a reunir. Esperemos, no entanto, que os incautos se revelem em escasso número, a bem da pureza do ar que queiramos respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que do que se disse não deve inferir-se que a alternativa que se perfila seja isenta de dúvidas ou mesmo de temores. Bastou-nos a experiência barrosista e depois a santanista para percebermos com o que devemos contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, primeiro há que sacudir um jugo, o presente, para, a seguir, se buscar melhor remédio. Sempre este princípio pareceu preferível a continuar a alimentar o mal em exercício. E nesta recomendação por ora fiquemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haja fé que atrás do tempo, tempo vem, como cantava o Fausto em tempos de maiores esperanças e de enormes ingenuidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 23 de Julho de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-2379315043793584687?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/2379315043793584687/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=2379315043793584687' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2379315043793584687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2379315043793584687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/07/proposito-do-primeiro-ministro-que.html' title='A Propósito do Primeiro-Ministro que ainda Estará para Nascer'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-1448958056875109884</id><published>2009-07-07T00:11:00.005+01:00</published><updated>2009-08-01T04:12:04.773+01:00</updated><title type='text'>A Desorientação Socrática</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grau de desorientação do Governo socrático cresce continuamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os dois últimos episódios amplamente comentados na Comunicação Social e na diversificada blogosfera : o aparte ordinário do Ministro Pinho, em plena Assembleia da República e a proibição das candidaturas simultâneas nas listas do Partido para as várias eleições em curso, são disso prova concludente, ainda que em si mesmos se afigurem pouco relevantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro, tratou-se de alijar um confirmado caso de incapacidade natural da pessoa para o cargo que lhe fora atribuído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo, apesar de correcto, ele peca por se revelar excessivamente tardio e por conseguinte ferido de completa falta de sinceridade. Lá ficaram os casos das suas estrepitosas militantes Ana Gomes e Elisa Ferreira, à margem da regra ora imposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, no espaço de dias, tivemos mais dois casos de evidente desorientação política, a somar ao da trapalhada da pretendida intromissão na TVI, por interposta empresa sob controlo político do Governo, aos avanços e recuos das Pontes, das Auto-estradas, dos TGV, etc., etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Verão promete, por isso, ser politicamente bastante quente, mesmo que não atinja as temperaturas do outro Verão, por antonomásia, o Verão quente, o de 1975, quando tudo parecia possível de acontecer no País, incluindo uma verdadeira Revolução bolchevique ou uma prosaica, mas certamente, devastadora Guerra Civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu-nos, então, a intuição salvífica de Soares, agindo naquele transe com acerto e sentido de oportunidade, o que o fez pender para o lado democrático, arrastando consigo a maioria do País. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comprovou-se também aqui, mais uma vez, o velho aforismo segundo o qual ninguém está impedido de dizer ou fazer coisas correctas, úteis ou acertadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, as alternativas já não se configuram tão dramáticas. Contudo, as circunstâncias actuais contêm suficientes germes de conflitualidade para desencadear um agitado Verão de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haja discernimento suficiente para perceber, de novo, onde se aloja o mal maior, pese toda a habilidosa manobra socrática, no campo da Comunicação Social, onde, de resto, ela conta com numerosos e eficientes sequazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 06 de Julho de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-1448958056875109884?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/1448958056875109884/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=1448958056875109884' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/1448958056875109884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/1448958056875109884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/07/desorientacao-socratica.html' title='A Desorientação Socrática'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-4103774030802861240</id><published>2009-06-27T19:51:00.004+01:00</published><updated>2009-06-28T14:57:17.330+01:00</updated><title type='text'>Sócrates : A Mentira como Prática Política Corrente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este nosso negregado Governo socrático arrasta penosamente a sua incompetência, degradando sempre mais a sua já pequeníssima quota de credibilidade política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, foi a trapalhada da Telecom, induzida numa acção espúria para satisfazer um ódio particular de José Sócrates contra um serviço de telejornal semanal de um canal de TV privado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só a pronta e enérgica reacção da Oposição, com Manuela Ferreira Leite à cabeça, denunciando a tramóia em curso, acrescida do aviso do Presidente da República, levaram o Governo a recuar, recolhendo as garras e a manha reveladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No espaço de dias, a mentira ficou descoberta. Aquilo que era uma mera acção de privados, no aberto e transparente Mercado Económico e Financeiro, com a qual nada tinha e de que nada sabia o nosso inocentinho Governo, passou rapidamente a clara ordem de abandono da intenção de compra comunicada à Telecom, que, por pura iniciativa privada, havia esboçado a aquisição de 30 % da Empresa detentora da TVI, a tal que despudoradamente mantinha um Telejornal semanal considerado hostil à política do Governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai da presente tramóia muito mal vista a Administração da Telecom, arrastada, com ou sem vontade própria, pelo Governo socrático para um negócio de funda inspiração política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja-se como uma das maiores Empresas do País, na qual o Governo mantém direitos especiais de accionista, por representação do Estado, nas suas principais decisões de gestão, se presta afinal a actuar como braço armado do Governo, para interferir na orientação administrativa de uma Empresa de televisão, putativamente contrária à acção política do Governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num tempo em que tanto se elogia o papel isento e regulador do Mercado, na actividade económica, até por políticos afirmadamente de esquerda, socialistas, como também se costumam classificar, a acção agora perpetrada deveria cobrir de vergonha todos os agentes nela envolvidos, membros do Governo, com Sócrates em lugar de destaque e os Gestores da Empresa que na tramóia colaboraram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se governa deitando mão de todos os expedientes, termina-se sem dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este triste Governo socrático, a escassos três meses do final do seu mandato, deixa aqui bem demonstrada a sua inveterada venal prática política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só de pensar que tal prática pode prolongar-se por nova maioria, nas próximas eleições legislativas, causa imediato repúdio e uma verdadeira sensação nauseante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impedir que tal aconteça, torna-se prioridade absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperemos que o eleitorado dê, de novo, a resposta conveniente a tamanha indignidade política demonstrada pelo governo socrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liquidar esta prática política, que nada tem de socialista ou social-democrática, como por vezes ainda se quer fazer passar, é uma necessidade premente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só o puro interesse de seita move esta gente indigna que persiste em nos querer governar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente acabar com tal pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente regenerar o corpo político da Nação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 27 de Junho de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-4103774030802861240?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/4103774030802861240/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=4103774030802861240' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4103774030802861240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/4103774030802861240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/06/socrates-mentira-como-pratica-politica.html' title='Sócrates : A Mentira como Prática Política Corrente'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-2009774089846066765</id><published>2009-06-16T23:44:00.006+01:00</published><updated>2009-06-19T17:31:18.187+01:00</updated><title type='text'>O Fiasco Socrático</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou mais um acto eleitoral em que os Portugueses foram convocados a escolher os seus deputados preferidos, desta feita para o Parlamento Europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira nota a salientar :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Partido do Governo, do Primeiro-Ministro José Sócrates, saiu claramente derrotado. Este Partido, que reluto em designar de socialista, por respeito aos militantes, escassos que sejam, que ainda não desistiram de lutar politicamente sob inspiração da ideologia que um dia os levou a aderir a tal agremiação, está hoje transformado numa espécie de União Nacional de interesses avulsos de corporações e particulares, onde a última coisa que agora importa é a ideologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O actual  Partido dito Socialista atingiu um ponto de tão profunda descaracterização ideológica e ética, que o nosso distante mas sempre dilecto Antero de Quental, se porventura aqui regressasse, sofreria provável fulminante apoplexia, só de ver e ouvir alguns dos seus mais destacados dirigentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descaracterização introduzida neste Partido pelas suas duas últimas lideranças – a de António Guterres e a de José Sócrates – vai exigir, da parte sã sobreviva, um empenho extraordinário de redefinição dos princípios doutrinais fundadores, para muitos, admito, já estranhos de tão ostensivamente esquecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda nota :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A actual vitória do PSD, num quadro de altíssima abstenção, aproximadamente 62%, não deve ser tomada como prenúncio de nova vitória nas próximas eleições legislativas, a realizar de aqui a três meses, mas apenas como proporcionando encarar esse combate com justificado optimismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceira nota :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíram furadas as previsões algo suspeitas das Empresas de Sondagens que davam como praticamente garantida a vitória socialista, coisa que quase todos os órgãos de comunicação social, grandemente favoráveis ao Governo Sócrates, se apressavam a repetir até à exaustão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, nem tudo ainda é possível na arte de mentira e da ilusão política. O Povo, mesmo aturdido pela forte propaganda socrática, ainda guarda um laivo que seja de autonomia capaz de desfazer a tramóia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta nota :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O êxito alcançado pelo PSD deve-se muito mais a Rangel que a MFLeite, de que cumpre relevar a discrição adoptada durante o decorrer da campanha. Com isso evitou o efeito nocivo da sua propensão para cometer deslizes, em resultado da sua fraca intuição política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltará saber se à sua volta ainda subsistem certas irrelevâncias da era barrosista-santanista que nada de bom poderão augurar. Se não forem afastadas essas irrelevâncias o resultado pode ser funesto, se não logo no acto eleitoral, certamente depois dele na constituição de eventual futuro Governo, facto que, a suceder, conduzirá a nova frustração do eleitorado, liquidando, porventura, de vez a confiança política dos portugueses no PSD e, pior ainda, no sistema democrático, em si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veremos se resta na direcção política do PSD uma quota de bom senso suficiente para impedir a repetição do último falhanço governativo do PSD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dada a inconsciência das consabidas irrelevâncias, o pior cenário é de temer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta e última nota :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por agora, respira-se melhor, com a moderação da ufania socrática. Até o ferrabrás do Santos Silva parecia um dócil cordeiro na noite das eleições. Analogamente, também o estilo arrogante e arruaceiro de Vital se desvaneceu. Ele e a sua azougada companheira de campanha, a diplomata ( ? ) Ana Gomes, poderão finalmente iniciar um período de reconciliação mental com a realidade, acaso lhes sobre sanidade bastante para tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates igualmente terá de baixar crista, ainda que dificilmente perca aquele seu hábito altercador de vulgar politiqueiro, que o tem colocado a anos-luz de um desejado perfil de estadista. Nem de político ele alguma vez o atingirá, quanto mais de estadista…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardemos então a evolução dos acontecimentos, sem euforias descabidas, mas também sem excessivo comedimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 16 de Junho de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-2009774089846066765?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/2009774089846066765/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=2009774089846066765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2009774089846066765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/2009774089846066765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/06/o-fiasco-socratico.html' title='O Fiasco Socrático'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-1653532432815706995</id><published>2009-05-24T23:40:00.004+01:00</published><updated>2009-05-24T23:48:21.919+01:00</updated><title type='text'>PSD : A Persistente Insensatez Política</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como previra, não me foi possível cumprir as melhores intenções de intervenção diária anteriormente aqui declaradas. Contratempos diversos mo impediram. Mas não vale a pena perder tempo com explicações de factos, afinal, irrelevantes para os eventuais leitores desta tribuna.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gostaria hoje de tocar num assunto aparentemente inofensivo, mas com particular significado no contexto político actual. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Refiro-me, sem mais rodeios, ao Encontro-Jantar que o PSD promoveu, neste último fim-de-semana, no âmbito da sua campanha eleitoral para as Eleições do Parlamento Europeu, em que pretende afirmar a sua nova figura ascendente, finalmente, alguém que parece reunir qualidades políticas, intelectuais, técnicas e de carácter suficientes para atrair o eleitorado que aguarda com compreensível anseio o aparecimento de uma alternativa política ao presente descalabro, sobretudo, ético, mas também político, que a Governação socrática trouxe ao País. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só pessoas dependentes, em absoluto, das benesses e favorecimentos «socráticos», sem nenhuma reserva de autonomia de carácter e de pensamento negarão a calamitosa situação que o País enfrenta, em resultado da pretensiosa mas grandemente incompetente acção governativa «socrática».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora, para este Encontro, o PSD convidou duas figuras já históricas, para o bem e para o mal, da Política post-25 de Abril, Francisco Pinto Balsemão, proeminente representante da nossa Social-Democracia e do PSD, ex-Primeiro-Ministro e ainda activo militante do PSD, nestes últimos decénios, no entanto, mais orientado para a actividade empresarial e a outra figura, Mário Soares, ícone festejado do novo regime e referência longamente tutelar do Partido Socialista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ocorre este estranho episódio, numa altura em que tanto se fala na reedição do chamado bloco político central, PS-PSD, como forma, de resto ilusória, pela memória da sua última encarnação, de assegurar a estabilidade governativa do País, escamoteando conhecidas divergências de visão, de inspiração e de orientação filosóficas e o PSD luta por readquirir a sua perdida credibilidade política, para, em função dessa demonstração, voltar a ganhar eleições e, com isso, poder imprimir novo rumo à Nação, notoriamente bem carecida dele, sublinhe-se, em especial, após a profunda distorção «socrática» sofrida, de modo sistemático, atrevido e petulante, à imagem da liderança que a inspira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Neste enquadramento, o PSD não poderia ter feito pior escolha, para afirmar a sua fundamental divergência política da actual maioria que mal nos governa a todos, incluindo, relembre-se, aqueles que, por puro facciosismo, teimam em justificar e mesmo em apoiar a inconsequente política de Sócrates.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Reunir-se o PSD com Mário Soares para debater temas políticos, sobretudo num momento de disputas eleitorais, acreditando que daí virá algum benefício para o seu desígnio político, imediato ou futuro, é dar provas de ingenuidade serôdia, absolutamente espantosa com quem o tem prejudicado largamente, caucionando projectos de ocupação obsessiva do Estado, em total cumplicidade com as práticas «socráticas», como qualquer observador atento da vida nacional pôde copiosamente confirmar, em tempos recentes e mais antigos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Basta evocar a acção de Soares durante os Governos de Cavaco Silva, por ele denominado «o gajo», «o homem de Boliqueime» e outras mimosidades em vernáculo impressivo, numa prática de desleal cooperação entre o Presidente da República que Soares era, com o então Primeiro-Ministro em exercício, Cavaco Silva, que procurava, com total legitimidade democrática, tão-só governar o País que repetidamente lhe concedera para tal a maioria absoluta dos votos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se o fazia bem ou mal, os portugueses o julgariam, na altura devida. E se cometesse faltas graves, se violasse preceitos constitucionais importantes, poderia sempre Mário Soares, Presidente da República, agir em conformidade, dissolvendo o Parlamento, convocando novas eleições e causar a demissão do Governo, na sua óptica nocivo à Nação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isto seria decerto discutível, mas inteiramente leal, claro, legal e eticamente indisputável. Todavia, Mário Soares actuou de modo completamente diverso, desenvolvendo na sombra, com os seus pares, uma permanente manobra de desautorização do Primeiro-Ministro, sobretudo no seu segundo mandato maioritário, minando subterraneamente a acção do Governo, desgastando-o e desacreditando-o politicamente até à queda deste e consequente regresso de um correligionário seu ao Governo da Nação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A actuação sequente de outro socialista na Presidência da República, não tendo sido tão manobrista, não deixou de ter sido concertada com os interesses eleitorais do Partido Socialista, castigando pesadamente o PSD, sem embargo das culpas que a este possam ser assacadas, pelo desnorte introduzido pela dupla directiva Barroso-Santana, de que ainda hoje o PSD colhe abundantes amargos frutos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Daí, a dificuldade que enfrenta na sua esforçada luta pela perdida credibilidade política, que vem justamente desse período e daí também o absurdo da sua confraternização presente com Mário Soares, seu anterior carrasco político e desapiedado coveiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, este PSD parece que nada de útil aprende dos seus trambolhões políticos e num momento em que, legitimamente, pretende projectar uma promissora figura política, jovem, com lastro bastante para corporizar futuros desígnios governativos, não encontra melhor parceiro para esta missão que a companhia Mário Soares.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com amigos destes, mais uma vez, o PSD não irá longe, frustrando de novo aqueles que legitimamente anseiam por uma verdadeira alternativa política ao presente estado degradado da vida nacional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contudo, muito pior que os inêxitos eleitorais e políticos do PSD será a continução da entrega do País a uma família política incompetente, desgastada, amparada em múltiplos compadrios todos eticamente condenáveis e cuja nocividade tão cedo não terminará de gerar efeitos deletérios, à maneira de certos elementos radioactivos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com inusitada estupefacção se pergunta : &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem, no seio da supostamente esclarecida direcção social-democrática, terá tido a ideia peregrina de abrilhantar o Encontro-Jantar do PSD do passado sábado, com a figura de um dos seus maiores coveiros políticos de sempre ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Haja, então, quem responda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Virá, por certo, bem a propósito desta acção do PSD, convocar para aqui a famosa sentença de Ovídio : &lt;strong&gt;Video meliora proboque, deteriora sequor&lt;/strong&gt; / Vejo o melhor e aprovo-o, sigo, porém, o pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 24 de Maio de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-1653532432815706995?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/1653532432815706995/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=1653532432815706995' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/1653532432815706995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/1653532432815706995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/05/psd-persistente-insensatez-politica.html' title='PSD : A Persistente Insensatez Política'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-6678060187878832302</id><published>2009-05-19T23:59:00.001+01:00</published><updated>2009-05-24T23:56:22.676+01:00</updated><title type='text'>Mudança de Estilo e de Ritmo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever textos mais curtos, intervindo com maior frequência, pode ser uma alternativa a experimentar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por hábito, sempre aqui privilegiei o texto longo, com larga explanação de argumentos, contra as breves opiniões, mas admito que possa haver maior utilidade na opinião frequentemente emitida, explorando a oportunidade dos temas que vão surgindo na vida nacional e internacional.&lt;br /&gt;Sei que não poderei assegurar a presença diária ou multi-diária como fazem, para meu absoluto espanto, alguns confrades. Cada um sabe de si e actua conforme a sua particular disponibilidade e inspiração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diários verdadeiros, com conteúdo narrativo, reflexivo, poucos podem garantir. Irei, todavia, ensaiar, a partir de hoje, esta nova modalidade, com a noção plena da extrema dificuldade que terei em cumprir o compromisso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para ganhar confiança, procurarei, em cada dia, se lograr a presença diária, eleger um tema que tratarei com concisão, naturalmente, mas com a requerida objectividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia da Professora suspensa por tratar de temas de cariz sexual em aulas de História parece um bom caso, para hoje.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este é bem a medida do descalabro do actual Sistema de Ensino. Depois dos alunos de cabeça perdida, que cursam para futuros rufias ou marginais, surgem os casos de Professores chalados, que gritam pulhices ou banalidades nas aulas, em lugar de aproveitarem o tempo para exercerem a sua missão pedagógica, que, para tal, o Ministério lhes paga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aquela infeliz Professora que aos berros embaraçava os alunos adolescentes com assuntos de natureza sexual parecia sintomaticamente perturbada. Estivesse-o por saturação do convívio com magotes de jovens demasiado rebeldes a qualquer noção de disciplina ou aplicação ao estudo, o certo é que nada poderá justificar tão disparatado comportamento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguns alegarão que já nada disto pode surpreender no Ensino degradado que prodigamente sustentamos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alunos e pais de alunos que agridem Professores, sem que nada lhes aconteça; directivas emanadas do Ministério que tratam os Docentes como pouco mais que palermas ou inconscientes constituem cenários do completo desconcerto que sobre este Sistema de Ensino se abateu como verdadeira maldição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com as Escolas progressivamente transformadas em depósitos de crianças e de adolescentes, ali deixados mais para ocuparem o tempo que para o preencherem de forma útil, aprendendo, preparando-se para a vida futura, que dentro de anos terão de enfrentar, pode soturnamente imaginar-se como esta, de modo inexorável, os irá penalizar, condenando-os aos mais baixos escalões profissionais, quando não os empurrará para uma inevitável marginalidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fábricas de ignorantes e de rufias em tirocínio de marginalidades e malfeitorias, as Escolas do Sistema Público terão o seu destino traçado. Primeiro deixaram de ensinar; em seguida, perderam o pulso da autoridade e da disciplina sobre os alunos. Nesta ou na ordem inversa, a sua missão estará já profundamente adulterada ou mesmo irremediavelmente impossibilitada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se nada de fortemente correctivo for feito, pouco faltará para que principiem a nascer Escolas, Colégios e outras Instituições particulares que ofereçam um Ensino a sério, com matérias extensas para leccionar, com a obrigação de os alunos delas tirarem aproveitamento, com disciplina dura, fardas, códigos de comportamento, castigos, suspensões e expulsões punitivas, com propinas caras, mas desejadas, para quem quiser evitar o flagelo do Ensino Público degradado, violento, inoperante, ineficaz, produtor de ignorância e de marginalidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tal cenário pode já não vir longe. Veremos se o Ensino Público conseguirá travar o seu permanente declínio, formando e disciplinando as novas gerações ou se, pelo contrário, continuará inexoravelmente a cavar a sua ruína, o que, no caso, significará, a prazo, a ruína da própria Nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 19 de Maio de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-6678060187878832302?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/6678060187878832302/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=6678060187878832302' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6678060187878832302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/6678060187878832302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/05/mudanca-de-estilo-e-de-ritmo.html' title='Mudança de Estilo e de Ritmo'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-8846595887840146989</id><published>2009-05-17T22:42:00.002+01:00</published><updated>2009-05-20T00:09:56.824+01:00</updated><title type='text'>As Comparações Inconvenientes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguimento do escrito anterior, espécie de poema, propositadamente intitulado «Balada do Mal Presente», para dar a impressão da modorra putrefacta em que progressivamente, como Comunidade, nos vamos enterrando, com a cumplicidade ou conivência daqueles que se arrogam de bons democratas, socialistas e social-democratas e outras designações outrora de auspiciosas ressonâncias, tentarei hoje explicitar o sentido que o motivou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A crítica à actual situação política que aí transparece, com algumas frases de acerba dureza, não parte de mera intenção destrutiva, sem motivo forte que a justifique.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, são tantos e tão variados os motivos de indignação com o presente estado de coisas, que só espanta não haver mais manifestações de reprovação e de contestação por parte do povo, do bom Povo Português, que sofre na pele a solerte incompetência do Governo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fixemo-nos nós nas questões sociais da Educação, da Justiça, da Cultura ou nas Económicas da Indústria, das Pescas, da Agricultura, etc., não há campo em que não nos sintamos ultrajados com a dimensão da má governação deste elenco «socrático».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acresce à incompetência geral do Governo, a malignidade das suas acções políticas, a corrupção difusa que alastra por todos os sectores da vida da Nação. Naturalmente, não incumbe a quem faz crítica política por sua particular iniciativa a apresentação das correspondentes soluções alternativas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isso, quando muito, exigir-se-á a políticos, aos agentes da oposição ao Governo em exercício, sendo legítimo esperar de quem critica que seja capaz de propor e, eventualmente até, de realizar melhores programas de acção política.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entendo, no entanto, que a preocupação principal a que devemos atender, quando discordamos de algo, é exprimir com clareza a nossa posição, de preferência, com argumentação válida, fundamentada. Já a apresentação de alternativas nem sempre se impõe como tarefa obrigatória. Aos políticos, talvez; não a quem age por conta própria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No caso vertente, no poema citado, tratava-se de expressar um sentimento de forte desagrado com o curso dos acontecimentos políticos, com certos comportamentos dos seus principais autores, aqueles que têm desbaratado a generosa caução de crédito repetidamente recebida dos eleitores portugueses.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Começam estes, agora, a dar mostras claras de descrença e de enfado com a situação criada, desinteressando-se perigosamente da vida política nacional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Torna-se notória a irritação de certas pessoas afectas sobretudo a áreas políticas ditas de esquerda com a comparação negativa com determinadas realidades do regime derrubado há trinta e cinco anos, sobretudo no que respeita aos casos de corrupção económica e moral que grassam pelo País. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com escassas excepções, à cabeça das quais devemos colocar a Liberdade de que hoje usufruímos, apesar da visível incomodidade que o seu pleno uso gera nos actuais detentores «socráticos» do Poder, na maioria dos grandes temas da Política Nacional, a comparação é já possível de estabelecer-se e, nalguns casos, com vantagem para o regime não democrático de Salazar e Caetano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Compreendo que este tipo de argumentação desagrade a muitos sinceros democratas, mas melhor seria que ela não se pudesse sequer esboçar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora, com a continuação das presentes nulidades no Poder, com a contemporização do eleitorado para com os seus numerosos desacertos na acção política e com as suas múltiplas trapalhadas e malfeitorias de ordem ética, temo que não só as ditas comparações se multipliquem e reforcem, como também possam conduzir os cidadãos a um sentimento de indiferença, por indistinção, ante as características específicas dos regimes em comparação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não basta lançar anátemas sobre os adversários e, em simultâneo, proferir declarações pias de intenção democrática, para se colher credibilidade política. O que se faz, o que se realiza é que permite tal credibilidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Analogamente, os mesmos feitos devem merecer a mesma apreciação, não mudando esta consoante a identidade dos autores, critério banal, como se me afigura, mas sistematicamente ofendido por parte da actual maioria política «socrática». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais tempo durar esta duplicidade de critérios mais se degradará a situação política. Se, entretanto, não surgir nenhuma nova força política, na área moderada da Social-Democracia ou do Socialismo Democrático, com mais Democracia e menos Socialismo, se das formações existentes nenhuma renovação verdadeira surgir, então as referidas comparações entre o actual regime, putativamente democrático, e o seu antecedente,  reconhecidamente não democrático, cada vez se tornarão menos lisonjeiras para o primeiro, por muitos encómios com que o enfeitem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o que possa emergir deste sentimento corre o risco de surpreender muita gente. Basta começar por evocar a figura do Primeiro-Ministro do último Governo da Ditadura em confrontação com a do actual P.M. José Sócrates. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem acham os leitores que ficará na História ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que méritos intelectuais, culturais, que perfil ético de cidadania, etc., ficarão associados a cada uma destas figuras ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que juízo farão destas personagens as gerações vindouras, as que aqui viverem por volta de 2060 ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não arrepia já pensar nisto ? Como pudemos chegar aqui ? Como sair de tal negrume ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 17 de Maio de 2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-8846595887840146989?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/8846595887840146989/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=8846595887840146989' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8846595887840146989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8846595887840146989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/05/as-comparacoes-inconvenientes.html' title='As Comparações Inconvenientes'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-8619481310749719410</id><published>2009-04-30T23:45:00.004+01:00</published><updated>2009-05-17T22:48:05.735+01:00</updated><title type='text'>Balada do Mal Presente</title><content type='html'>Abril revolucionário passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dos seus donos habituais fizeram discursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais descarados invectivam o presente de que são autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal e a caramunha «socráticos» deram-se as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soares e a família ex-post-revolucionária peroram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A RTP do Estado acolhe-os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franqueia-lhes sempre as portas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as banalidades lhes são enaltecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as veleidades lhes são consentidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certos inocentes deixam-se comover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltam as historietas do costume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insultam-se os inimigos de estimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absolvem-se os actuais responsáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Culpam-se os adversários do costume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subverte-se a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilude-se a autoria dos feitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltam as carpideiras viciadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventam-se realizações delirantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confunde-se Informação com Propaganda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animam-se com sondagens estúpidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ameaçam eternizar-se no Poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tecem com persistência as redes do compadrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enchem repartições e directórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontram aliados improváveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convertem espíritos rebeldes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ampliam as malhas da cumplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem poderá um dia detê-los ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos tomam consciência da presente calamidade ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quer ver neste novo Nevoeiro ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 30 de Abril de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7376304-8619481310749719410?l=alma_lusiada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/feeds/8619481310749719410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7376304&amp;postID=8619481310749719410' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8619481310749719410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7376304/posts/default/8619481310749719410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alma_lusiada.blogspot.com/2009/04/balada-do-mal-presente.html' title='Balada do Mal Presente'/><author><name>António Viriato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06467873029070016859</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7376304.post-5627552305334733939</id><published>2009-03-23T22:58:00.009Z</published><updated>2009-04-20T01:17:20.089+01:00</updated><title type='text'>Machado e Eça : diálogo na CPLP</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esclarecimento :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma semana publiquei aqui um artigo sobre Machado de Assis e Eça de Queiroz e as relações culturais no seio da CPLP, ainda sob o efeito da brilhante Palestra que o Embaixador Lauro Moreira proferira no dia 4 de Março de 2009, na sede da Sociedade da Língua Portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim depois a modificar por sucessivos acréscimos e correcções o conteúdo do artigo que agora de novo apresento, numa versão mais abrangente, presumivelmente mais conseguida, dos pontos então aflorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modestamente, aqui fica registado um pequeno contributo para a melhoria da compreensão recíproca dos Povos de Língua Portuguesa, unidos por um passado histórico e cultural comum, base a partir da qual poderá ser construída uma verdadeira Comunidade de interesses meta-culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim haja vontade e empenho de todos os seus membros, desde os responsáveis Institucionais até aos mais humildes cidadãos conscientes das potencialidades desta herança comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A História tece laços fortes entre os Povos, com momentos altos e outros sombrios. Saibamos exaltar os primeiros e relativizar os segundos, no respeito da personalidade histórico-cultural de cada Povo, se queremos construir algo de valioso e de duradouro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa pode ser uma boa utopia moderna, de que hoje todos andamos bem carecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitemos então este espaço inter-cultural, com afinidades notórias e com potencialidades imensas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AV_Lisboa, 23 de Março de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Machado e Eça : diálogo na CPLP&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A circunstância de ter escutado recentemente uma palestra sobre o grande escritor brasileiro Machado de Assis, proferida com brilho e elevação por Lauro Moreira, distinto Embaixador do Brasil junto da CPLP – Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa – reavivou em mim o interesse por este autor, que fez as minhas delícias de jovem, na fase final da adolescência, fins dos anos 60, início dos anos 70 do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, subitamente, esse entusiasmo inicial esfriou um tanto; outras descobertas se interpuseram, outras curiosidades, outros gostos surgiram, sem que essa boa impressão da leitura de Machado de Assis jamais se tivesse por completo desvanecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri este notável autor brasileiro por sugestão do meu Professor do Ensino Secundário, da disciplina de Português, José Pedro Machado, nome tanta vez por mim elogiado, nunca, porém, o suficiente para resgatar a dívida que com ele contraí, no universo da cultura de raiz portuguesa, principalmente, mas também com fortes incursões nas demais culturas ocidentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde logo, na clássica greco-latina, onde todas as grandes culturas europeias foram beber, mas também na francesa, na italiana, na espanhola, na inglesa e, com menor contribuição, mas de maneira nenhuma ignorada, na alemã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o Brasil, país de que este meu Professor era bastante entusiasta, casado com uma insigne intelectual, a Doutora Elza Paxeco Machado, brasileira de nascimento, mas cidadã nacional também, por ser filha de portugueses, factor que parecia surgido para potenciar as relações que o próprio José Pedro Machado haveria de fortalecer com vários destacados académicos estudiosos do Idioma, como Antenor Nascentes e José de Sá Nunes, filólogos de prestígio firmado nas duas margens do Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comecei a ler Machado de Assis, suponho que pelo «Dom Casmurro», romance de fina sensibilidade, de que retive a memória da cativante Capitu e o seu indeciso mistério - traiu, não traiu - o que me surpreendeu, sobretudo, nessa altura, foi a proximidade da sua prosa com a nossa, coisa nunca mais encontrada em autores brasileiros posteriores, nem mesmo em Jorge Amado, cujo padrão de língua ainda se conserva muito próximo do clássico brasileiro e, por isso mesmo, mais semelhante ao nosso padrão literário, sendo porventura por tal motivo que Jorge Amado continua o autor brasileiro mais lido em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Machado de Assis, há uma leveza de narrativa de suma elegância e os próprios diálogos mantêm a correcção gramatical da norma culta da Língua, coisa que deixou de suceder, como regra, nos autores brasileiros posteriores a Machado de Assis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste aspecto da correcção gramatical e não só entre escritores brasileiros, mas também em relação aos portugueses, quase se poderá dizer que quanto mais recentes pior, registando-se até, entre muitos deles, de lá e de cá, certa displicência ou diversão com a questão da observância gramatical. Dir-se-ia que, em especial em relação a certos autores brasileiros contemporâneos, a Gramática se tornou matéria inexistente, infinitamente elástica ou meramente facultativa, tal o descaso que dela fazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso ocorre com a prosa desenvolta de Machado de Assis. Para lá da sua próvida imaginação, que lhe permitiu elaborar uma obra vasta, deveras original e, por vezes, contra o gosto da época, Machado de Assis, que era casado com uma portuguesa, pormenor aqui certamente nada despiciendo para a proximidade linguística que nele observamos, ganhou, no Brasil, estatuto de autor clássico, justamente venerado, fundador e primeiro Presidente da Academia Brasileira de Letras, culminando com estas atribuições, uma brilhante carreira de escritor, trilhada com persistência, fundada na forte determinação de autodidacta, que assim compensava a extrema humildade de berço, limitação que o talento, quando é exuberante, amiúde consegue romper.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me seduziu a sua prosa tão elegante e, nesta qualidade, bastante aparentada com certo estilo queiroziano : fino, requintado, preciso, cheio de suavidade e leveza, com a particularidade de na prosa de Machado se notar ainda uma sobriedade maior, com o uso mais parcimonioso do adjectivo, neste ponto, acentuando uma inclinação vincadamente mais clássica no escritor brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contemporâneo de Eça, de quem era leitor, comprovadamente atento e exigente, Machado não hesitou em criticar o seu confrade, arauto, entre nós, das novas modas literárias vindas de França, inspiradas, especialmente para Eça, em Flaubert e Zola, que em Paris, no último terço do século XIX, ditavam o gosto e estabeleciam, para todo o mundo cultivado daquela época, os cânones da escola literária do romance realista e depois naturalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais cânones estendiam-se então rapidamente, com maior ou menor grau de obediência, a todo o resto do mundo, num tempo em que França ainda impunha estilos e comandava escolas de pensamento, sobretudo na Arte, mas igualmente com forte presença na Ciência e na Técnica, em que Gustave Eiffel dominava com as suas obras arrojadas, combinando, com raro equilíbrio, a solidez da Engenharia com a beleza da Arquitectura, de que em Portugal restam exemplos soberbos, que impressionam, pela durabilidade, resistência e pelo desenho elegante com que foram gizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado criticou «O Primo Basílio» de Eça, saído em 1878, em termos algo ásperos, apesar de fundados em leitura cuidada. Excedeu-se, talvez, na acusação que fazia a Eça de este se submeter, com solicitude, a modas francesas, chegando mesmo a acusá-lo de plágio ou muito perto disto, em relação a Flaubert – Madame Bovary/O Primo Basílio – e a Zola – La Faute de l’Abbé Mouret/O Crime do Padre Amaro, críticas de que Eça, inicialmente pouco se defendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eça, aparentemente, aceitou com alguma bonomia a crítica de Machado, escrevendo-lhe até uma carta amável, agradecendo a atenção que dedicara ao seu «Primo Basílio», sem deixar de reafirmar a sua adesão à nova escola literária, escola essa que nunca inteiramente mereceu o gosto ou a adesão do seu interlocutor brasileiro, mesmo depois da sua fase dita realista, após a publicação das Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881. A esta carta, contudo, não consta que Machado de Assis lhe houvesse respondido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eça terá, no entanto, reservado uma nota mais contundente para os que o acusavam de plágio, quando veio a lume a 3ª e definitiva versão do Crime do Padre Amaro, em 1879, no prefácio que então lhe antepôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, na parte final do Prefácio, Eça aproveitava para ajustar as suas contas : &lt;em&gt;«Os críticos inteligentes que acusaram «O Crime do Padre Amaro» de ser apenas uma imitação de «La Faute de L’Abbé Mouret» não tinham infelizmente lido o romance maravilhoso do Sr. Zola... A semelhança casual dos dois títulos induziu-os em erro. Com conhecimento dos dois livros, só&lt;strong&gt; uma obtusidade córnea ou má-fé cínica&lt;/strong&gt; poderia assemelhar esta bela alegoria idílica, a que está misturado o patético drama duma alma mística, a «O Crime do Padre Amaro» que, como podem ver neste novo trabalho, é apenas, no fundo, uma intriga de clérigos e de beatas tramada e murmurada à sombra duma velha Sé de província portuguesa.»&lt;/em&gt; Este duro reparo poderia ser directamente assestado à crítica que Machado de Assis lhe fizera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica de Machado a «O Primo Basílio», todavia, se tinha algum fundamento quanto à arquitectura do romance, à falta de sequência lógica de certas passagens, no fundo derivava também de não dissimulado puritanismo presente em Machado, homem de vida muito regrada, pacata e rotineira, casado, fiel e feliz no matrimónio, em contraste com a vida de Eça, solteirão até aos 40 anos, educado na boémia de Coimbra e de Lisboa, viajado, logo desde a juventude, quando em Outubro de 1869, parte para o Egipto, para assistir à abertura do Canal do Suez, na companhia do seu amigo, antigo condiscípulo, no Colégio da Lapa, aristocrata e futuro cunhado, Luís de Resende. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poucos anos depois, Eça, entrado na carreira diplomática, irá conhecer bastante mais mundo, nas sucessivas colocações consulares que foi obtendo : a primeira em Cuba, em 1872, de onde passa, em missão aos EUA, visitando várias cidades, entre elas Nova Iorque, que nada o seduziu; passa depois, no final de 1874, a Inglaterra, onde ocupa os consulados de Newcastle e Bristol (1878), e, finalmente, chega a França, em Outubro de 1888, quando alcança o disputado lugar de Cônsul de Portugal, em Paris, na época, o centro cultural do mundo, por excelência, onde residiam os mais afamados Mestres de todas as Artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com este percurso de vida, Eça estaria certamente mais receptivo a tratar temas escabrosos, como o adultério, o incumprimento do voto de celibato dos Padres, as aventuras amorosas mais ousadas, tocando até temas como o incesto, no caso de «Os Maias», enfim, tudo o dispunha a encarar com maior à-vontade os fenómenos de dissolução moral da vida social daquele final do século XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eça, no auge da sua carreira literária e diplomática, morreria em Paris, em 16 de Agosto de 1900; Machado (1839-1908), pouco mais velho que Eça (1845-1900), sobreviver-lhe-ia oito anos, tendo-se grandemente sobreposto os períodos de criação literária mais intensa de ambos, pese a diferença das carreiras e dos ambientes frequentados pelos dois excelentes homens de letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante as diferenças de gostos e de escolas, estes dois grandes romancistas da Língua Portuguesa leram-se e estimaram-se mutuamente a vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, Eça foi até mais depressa reconhecido no Brasil do que em Portugal, como escritor de eleição, ali sempre intensamente lido, com enorme entusiasmo, despertando, ainda hoje, em terras de Vera Cruz, imensa simpatia e contando com muitos leitores, neste ponto, talvez apenas igualado pelo Nobel Saramago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que foi logo no Brasil que surgiram as primeiras reacções às críticas de Machado ao Primo Basílio. Eça contava aí, já então, enorme prestígio, a ponto de serem os seus próprios leitores a encarregarem-se da sua defesa, perante as críticas, ainda que sérias, desferidas pelos seus pares literários filiados em diferentes correntes estéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário, em Portugal, Machado de Assis nunca nem teve muitos leitores, como justificadamente mereceria, permanecendo um ilustre desconhecido quase até aos dias de hoje, como pôde comprovar o Embaixador Lauro Moreira, quando, há poucos anos, procurou nas Livrarias de Lisboa obras daquele escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, nem conheciam o autor e raras delas dispunham de uma única obra sua. Na actualidade, neste âmbito, felizmente, o panorama melhorou imenso e as suas obras já se podem encontrar, até em edições brasileiras, em muitas das nossas Livrarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este fenómeno, no entanto, atesta uma falha monumental no chamado intercâmbio luso-brasileiro, que tem vivido embalado de declarações pias, porventura bem intencionadas, mas claramente ineficazes dos responsáveis políticos de ambos os países, restringindo-se bastante, na era actual, a trocas de cantores e a produções de telenovelas, com um balanço desequilibrado, bastante favorável ao Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, este indesejável desequilíbrio contribui imenso para que o Brasil se ten
